Resumão Semanal
Newsletter do CEO
Semana de 14/07 a 28/07 • hoje 29/07/2026
O que dominou a semana e o que vem aí
Copom corta Selic, custo alivia e o varejo de construção muda de mãos

A semana fechou com o maior evento monetário do trimestre: a reunião do Copom que o mercado inteiro estava aguardando. Em paralelo, o custo da obra entrou em desaceleração real e dois nomes históricos da concorrência — Telhanorte e C&C — passaram para novos controladores. Para a rede regional bem posicionada, a semana abriu três janelas ao mesmo tempo.

Rodolfo Norberto

Rodolfo Norberto

CEO — Rede Construai

Pessoal, a semana que começou com o tarifaço americano de 25% virando fato consumado fechou com o maior evento monetário do trimestre: o Copom se reuniu ontem e hoje com 80% de probabilidade de mercado para um corte de 0,25 ponto na Selic. No mesmo intervalo, o SINAPI subiu apenas 0,31% em julho — menos da metade de junho — e o INCC-M caiu de 0,85% para 0,62%. Duas semanas atrás o custo ainda era o vilão da conversa. Esta semana ele começou a ceder de verdade.

O movimento estratégico que mais importa foi o mercado se mover ANTES da decisão do Copom: dólar abaixo de R$ 5,05 na quinta, Ibovespa renovando máxima histórica acima dos 177 mil pontos, aço CA-50 acumulando queda de 10% a 18% no ano. Isso junto com Telhanorte e C&C trocando de dono cria uma combinação rara — custo cedendo, crédito tendendo a cair, concorrente confuso com nova gestão. A Caixa já afrouxou o SBPE. Quem captura o cliente que acabou de pegar a chave do imóvel novo captura a reforma que vem junto.

O que acompanhar agora: primeiro, o repasse do corte de juros ao crediário — não é imediato, mas a direção mudou. Segundo, o aço: a janela de compra de vergalhão em queda pode fechar quando a construção de habitação popular ganhar ritmo com os R$ 160,5 bilhões do FGTS reservados para 2026. Terceiro, a concorrência: Telhanorte e C&C com novos donos significa cliente desorientado disponível para conquistar agora, não depois que a nova gestão se assentar.

🏦 Copom — da aposta à decisão
  1. 14/07Focus projeta Selic em 14% no fim do ano; mercado começa a precificar corte no Copom de julho.
  2. 16/07Copom chega “dividido” — entre pausar e cortar; Fazenda eleva projeção do IPCA para 5,1%, acima do teto da meta.
  3. 17/07Ibovespa volta aos 174 mil e dólar cede a R$ 5,10 — mercado aposta em corte na reunião do dia 29.
  4. 23/07Dólar fecha a R$ 5,05 (terceira queda seguida; -8% no ano). Ibovespa renova máxima histórica: 177 mil pontos.
  5. 27/07Fed mantém discurso duro contra inflação nos EUA — pode devolver pressão ao dólar. Selic brasileira ainda é uma das maiores taxas reais do mundo.
  6. 28‑29/07Copom se reúne. Mercado precifica 80% de probabilidade de corte de 0,25 pp — de 14,25% para 14%. Resultado anunciado hoje.
Síntese: Qualquer que seja o placar interno do Copom, a direção está dada: crédito tende a ficar mais barato nos próximos meses. O lojista que renegociar taxa de crediário agora, antes de a fila de tomadores crescer, larga na frente.
🧱 Custo da obra — sinal de alívio confirmado
  1. 16/07INCC-M acelera a 0,85% em junho; acumula 6,71% em 12 meses. IBRE alerta para risco de 9,7% no ano se insumos não cederem.
  2. 23/07Brent sobe 3% e rompe US$ 94 — reacende pressão sobre PVC, tintas e selantes. Repasse costuma chegar ao balcão em 2 a 4 semanas.
  3. 27/07SINAPI sobe apenas 0,31% em julho — menos da metade dos 0,88% de junho. Custo nacional: R$ 1.848/m². Acumulado 12 meses cai para 5,25%.
  4. 28/07INCC-M desacelera para 0,62% em julho (de 0,85% em junho). Materiais e equipamentos recuam a 0,40%. Acumulado 12 meses: 6,40%.
Síntese: O ciclo de pressão de custo não acabou, mas dobrou de velocidade para baixo. SINAPI e INCC-M cedendo juntos no mesmo mês é o primeiro sinal claro desde o início do ano. Janela para revisar tabela e atrair o cliente que estava esperando o preço estabilizar.
🏢 Concorrência — tabuleiro sendo redesenhado
  1. 14/07Obramax (grupo Adeo/Leroy) anuncia 18 novas lojas até 2028 e mira R$ 3 bilhões. Foco: profissional da obra que paga à vista.
  2. 27/07Leroy Merlin, líder com R$ 8,1 bi, investe em serviços de reforma completa para chegar a R$ 10 bilhões. Aposta: vender solução, não só produto.
  3. 28/07Saint-Gobain conclui venda da Telhanorte para Tauá Partners (especialista em reestruturação): 27 lojas e 1.600 funcionários.
  4. 28/07C&C vai para Arcos Gestão e Investimento, liderada por ex-executivos da Legion Holdings. Rede histórica sob nova gestão.
Síntese: O grande varejo de construção está em transição forçada. Obramax cresce no atacarejo; Leroy aposta em serviço; Telhanorte e C&C trocam de mão por pressão de dívida e modelo de loja física pesado. Para a rede regional: cliente confuso com troca de gestão está disponível para conquista agora — não depois que a nova administração se assentar.
🏛️ Tarifaço americano — ciclo fechado, efeito no balcão
  1. 14/07EUA anunciam sobretaxa de até 37,5% sobre mais de 4.000 produtos brasileiros (Seção 301). Aço semiacabado e madeira fora das isenções.
  2. 16/07USTR confirma tarifa de 25% sobre ferro-gusa, alumínio, molduras de madeira e açúcar. 1.698 códigos de exceção (café, carne, suco).
  3. 17/07Tarifaço entra em vigor no dia 22. Brasil aciona Lei de Reciprocidade e mecanismo da OMC. CNI: exportações aos EUA recuaram 13% no 1S.
  4. 28/07Aço CA-50 acumula queda de 10% a 18% em 2026 — efeito de sobra de mercado com metal barrado nos EUA chegando ao mercado interno.
Síntese: O tarifaço saiu do campo das hipóteses e entrou no custo — mas o efeito para o lojista foi mais positivo do que negativo. Metal e madeira barrados lá fora pressionaram o preço para baixo aqui dentro. A janela de compra de vergalhão no CA-50 com queda de 10% a 18% é real e pode fechar quando a habitação popular ganhar ritmo.
🏗️
Indústria
Votorantim investe R$ 260 mi em nova linha de cimento (Xambioá-TO). Cimento despachou 7,7% a mais em junho. Indústria de matcon cresce em julho após 1S fraco.
📊
Economia
SINAPI +0,31% em julho (vs 0,88% em junho). INCC-M +0,62% (vs 0,85%). Ibovespa 177k máxima histórica. Dólar abaixo de R$ 5,10 pela 4ª semana.
🏛️
Política
FGTS: R$ 160,5 bi para habitação e saneamento em 2026. Caixa afrouxa SBPE (cota imóvel usado volta a 80%; teto SFH sobe a R$ 2,25 mi). PAC destrava RS.
🧱
Matérias-primas
Aço CA-50: -10% a -18% no ano — janela de compra aberta. Brent acima de US$ 94 → risco de repasse em PVC, tintas e selantes (2-4 semanas).
🏪
Varejo
Matcon +2,1% em maio: melhor desempenho do varejo (IBGE). Reforma Casa Brasil: renda até R$ 13 mil, 0,99%/mês, prazo 72 meses. ANAMACO vê novo ciclo.
🏢
Concorrência
Telhanorte (27 lojas) → Tauá Partners. C&C → Arcos Gestão. Leroy mira R$ 10 bi em serviços. Obramax: 18 novas lojas e R$ 3 bi de faturamento.
🏦 Copom
Resultado do Copom de julho: Selic pode cair para 14%
O Comitê Monetário anuncia hoje o resultado da reunião de 28 e 29 de julho. O mercado precificava 80% de probabilidade de corte de 0,25 ponto percentual — de 14,25% para 14%. Qualquer que seja o placar, a decisão define o tom do crédito ao consumidor e do financiamento imobiliário pelo próximo bimestre.
📊 Custo
INCC-M julho confirmado: 0,62% — alívio real no custo da obra
Divulgado ontem (28/07) pelo FGV, o dado fecha o mês com materiais e equipamentos desacelerando a 0,40% (vs 0,80% em junho) e acumulado 12 meses recuando para 6,40%. É o segundo mês seguido de desaceleração e o dado mais benigno de custo desde o início do ano.
🌐 Fed
Fed mantém juros com discurso duro — dólar pode reagir
O banco central americano encerra hoje sua reunião de julho com taxa em 3,50%–3,75%. Dirigentes sinalizaram risco maior de inflação do que de emprego, reduzindo a chance de corte e pressionando o dólar lá fora. Monitorar impacto no câmbio brasileiro — direto no custo de ferramenta elétrica, revestimento e acessório importado.
29/07 (hoje)
Decisão do Copom divulgada. Acompanhar comunicado — o tom sobre próximas reuniões é tão importante quanto o corte em si.
03‑07/08
Monitorar repasse bancário: Caixa e bancos privados devem revisar taxas de crédito imobiliário e crediário na esteira do Copom.
Semana de 04/08
Brent acima de US$ 94 há mais de uma semana. Reajuste de PVC, tintas e selantes costuma chegar ao balcão em 2 a 4 semanas — confirmar pedidos no preço atual.
Agosto
Telhanorte e C&C estreiam com novas gestões. Acompanhar promoções e movimentos de preço da concorrência em transição — janela de conquista de clientes.
Ago‑Set
Licitações BNDES de saneamento (R$ 58 bi previstos para 3T2026, 625 municípios). Loja próxima a canteiro deve prospectar empreiteira para convênio de EPI, ferramenta e material de consumo.