A sobretaxa americana de 25% saiu do noticiário e entrou no custo — no mesmo intervalo em que o IBGE confirmou material de construção como o melhor desempenho do varejo.
A semana consolidou o retrato do semestre: o IBGE oficializou que material de construção cresceu 2,1% em maio e foi o melhor desempenho de todo o varejo, o cimento despachou 7,7% a mais em junho — e, mesmo assim, a Abramat cortou a projeção do ano para 0,5%. Tradução: a demanda existe, a maré não. Quem crescer em 2026 vai crescer tomando participação de concorrente.
O movimento estratégico da semana foi o tarifaço virar fato consumado: os 25% estão em vigor desde a madrugada de hoje. Para a loja, o canal é indireto — câmbio e possível sobra de aço, madeira e cerâmica no mercado interno. É semana de sentar com fornecedor antes da concorrência. E o tabuleiro seguiu mexendo: Obramax mirando R$ 3 bilhões, Telhanorte à venda e as redes regionais respondendo com loja especializada.
O que observar agora: Copom na quarta que vem, dia 29, com o mercado dividido entre pausa e corte; NF-e com CBS/IBS obrigatória em 3 de agosto; e o Dia dos Pais como próxima data de calendário. O básico bem executado — preço pelo custo de reposição, crediário ajustado, campanha no ar — é o que separa quem atravessa na frente.
Abramat corta o ano a 0,5% (de 1,9%): juros altos, famílias endividadas e Reforma Casa Brasil abaixo do esperado.
Copom dividido decide dia 29 com Selic a 14,25%; Fazenda já vê IPCA de 5,1%, acima do teto da meta.
NF-e sem CBS/IBS será rejeitada a partir de 3/08, com alíquota-teste de 1%; split payment vem aí, “170x o Pix”.
PVC +35%, cimento +15%, vergalhão +13%: efeito guerra no petróleo; INCC-M já roda a 6,71% em 12 meses.
Matcon foi o melhor do varejo em maio (+2,1%, IBGE); próxima parada: Dia dos Pais, com R$ 8,5 bilhões projetados.
Obramax mira R$ 3 bilhões com 18 lojas; Telhanorte à venda, C&C reestruturada e regionais abrindo loja especializada.
Vestuário, calçados, autopeças, plásticos e máquinas entram na lista; carne e café ficam fora. O governo calcula cerca de 18% das exportações aos EUA atingidas e sinaliza que não deve retaliar de imediato. Fique de olho nas próximas tabelas de aço e ferramenta.
O mercado digeriu a vigência da tarifa sem estresse: real forte e Ibovespa estável na casa dos 173 mil pontos. Câmbio comportado mantém aberta a janela de reposição de importado — ferramenta elétrica, iluminação e acessório —, com cautela até o Copom.
O setor acumula 154 mil vagas formais criadas no ano (Caged), puxadas por infraestrutura — e a escassez de mão de obra qualificada virou o gargalo. Canteiro cheio é demanda contratada passando pelo balcão nos próximos meses.