Manchete da Semana
O custo cede e o crédito destrava o 2º semestre
Depois de meses só de pressão, a semana trouxe o primeiro respiro: o IGP-M virou deflação, a Selic caiu a 14,25% e o Reforma Casa Brasil subiu a R$ 50 mil. Ao mesmo tempo, a Telhanorte foi vendida e a C&C estuda encolher — o mapa do varejo está sendo redesenhado.
Visão Geral — Palavra do CEO
Rodolfo Norberto
CEO — Rede Construai
Pessoal, o semestre fechou virando o vento a nosso favor. Depois de meses em que toda notícia de custo era ruim, esta semana juntou três alívios ao mesmo tempo: o IGP-M entrou em deflação (-0,50% em junho), o petróleo caiu com a reabertura do Estreito de Ormuz e a indústria de materiais voltou a vender depois de nove meses no vermelho, segundo a Abramat. Do lado do cliente, o crédito afrouxou: Selic no terceiro corte seguido, a 14,25%, e o Reforma Casa Brasil turbinado para R$ 50 mil, a 0,99% ao mês em 72 meses. É a melhor combinação que a gente vê desde o começo do ano.
O movimento estratégico é não desperdiçar essa folga. Onde o custo cedeu — PVC, tinta, frete — a hora é de recompor margem, não de repassar desconto na hora. Onde subiu — fio, cabo, aço — é reprecificar rápido antes do próximo pedido. E tem espaço abrindo no tabuleiro: a Saint-Gobain vendeu a Telhanorte e saiu do varejo, a C&C estuda fechar até um terço das lojas, enquanto Quero-Quero e Obramax avançam. Gigante recuando é cliente e profissional de obra órfãos de fornecedor — é a nossa vez de ocupar praça no interior, que é onde a rede de bairro ganha.
O que observar agora: hoje começa o segundo semestre, e por volta de 10/07 sai o IPCA cheio de junho — vai confirmar se a inflação cedeu como a prévia sugere. O cobre em recorde ainda é risco no material elétrico, e o split payment segue rodando em teste, cobrando ERP e contador prontos. Há demanda voltando na praça; o jogo é capturar a venda sem entregar a margem que a gente acabou de recuperar.
Os Temas que Marcaram a Semana
Tema 1 · Juros e crédito
O crédito destrava e vira o motor do 2º semestre
- 17/06: Copom corta a Selic pela 3ª vez seguida, a 14,25%; Focus vê 13,5% até dezembro.
- 25/06: Reforma Casa Brasil turbinado — teto a R$ 50 mil, renda a R$ 13 mil, 0,99% ao mês e 72 meses de prazo.
- 26/06: Minha Casa Minha Vida mira 3 milhões de moradias; crediário de reforma já cresce 20% no ano.
É a maior alavanca de tíquete do semestre. Com juro cedendo e crédito mais largo, o cliente volta a financiar a obra inteira. Reative parcelamento e cartão, imprima a régua nova do Reforma Casa Brasil e treine o time a refazer a simulação no balcão — quem mostra que cabe telhado, elétrica e hidráulica num só contrato fecha o projeto completo.
Fontes: Agência Brasil, Banco Safra, Ministério das Cidades, Caixa (junho/2026)
Tema 2 · Custo de reposição
O custo troca de lado: atacado alivia, metais pressionam
- 22/06: governo eleva a tarifa do aço a 25% e mira antidumping contra a China — vergalhão e perfil firmes.
- 25/06: Ormuz reabre e o Brent cai abaixo de US$ 75 — alívio à frente em PVC, tinta, espuma e selante.
- 29/06: cobre fura US$ 13 mil por tonelada (recorde) e ameaça fio e cabo; INCC-M sobe a 0,85%.
- 30/06: IGP-M vira deflação (-0,50%) e acumula só 3,16% em 12 meses — o atacado recua.
O custo se dividiu em dois: derivados de petróleo e frete aliviando, metais (cobre, aço) e mão de obra ainda pressionando. A jogada é assimétrica — renegocie tabela de PVC e tinta com a indústria aproveitando o atacado em queda e segure o preço de prateleira para recompor margem, mas reprecifique o elétrico e o ferro antes que o próximo reajuste chegue sem aviso.
Fontes: FGV/IBRE, Exame/Blog do IBRE, ADVFN/Citi, Diário do Comércio (junho/2026)
Tema 3 · Consolidação do varejo
Gigantes recuam, regionais avançam sobre o interior
- 25/06: Obramax abre 3 lojas no Rio (R$ 400 milhões) e mira 30 unidades até o fim do ano.
- 26/06: Saint-Gobain vende a Telhanorte para a Tauá Partners e deixa a distribuição de materiais no Brasil.
- 29/06: C&C estuda fechar até um terço das lojas; Quero-Quero leva mix de 25 mil itens a cidades pequenas.
O setor está em ajuste: quem tinha ponto grande e custo fixo alto encolhe, quem é ágil e regional ocupa. Para a rede, é janela dupla — capturar o cliente corporativo e o profissional de obra órfãos da Telhanorte e da C&C, e defender o interior contra a Quero-Quero com sortimento, entrega rápida e o relacionamento que o galpão de atacado não entrega.
Fontes: Seu Dinheiro/TMC, InvestNews, eMóbile, Diário do Rio (junho/2026)
Tema 4 · Margem nova
Indústria volta a vender e a disputa migra para categoria de alto tíquete
- 25/06: Abramat registra a 1ª alta de vendas após 9 meses de queda (+1,6% no ano, +3,1% no mês), puxada por básicos.
- 23/06: tarifa dos EUA joga cerâmica de volta ao mercado interno — porcelanato mais competitivo no balcão.
- 30/06: forro de OSB aparente (~R$ 45/m²) e kit de energia solar (+4,5 GW em 2026) abrem nicho de margem.
Com a demanda voltando, o jogo sai do empate de preço no básico e migra para solução de tíquete alto e pouca concorrência. Monte ilha de OSB aparente com tudo que acompanha, crie um balcão de kit solar com vendedor técnico e negocie porcelanato com a indústria enquanto sobra oferta. É onde a margem é mais gorda no segundo semestre.
Fontes: Abramat/Times Brasil, Anfacer/Anamaco, ANEEL/Absolar, Sienge (junho/2026)
Destaques por Categoria
🏗️
Indústria
Abramat: vendas voltam a crescer após 9 meses de queda (+1,6%); básicos lideram (+2,5%). Projeção de +1,9% em 2026.
📊
Economia
Selic a 14,25% (3º corte); IGP-M vira deflação (-0,50%); dólar fecha o semestre a R$ 5,16 (-5,95% no ano).
🏛️
Política
Reforma Casa Brasil sobe a R$ 50 mil a 0,99% ao mês; reforma tributária (split payment / IN 2.329) em teste.
🧱
Matérias-primas
Cobre em recorde > US$ 13 mil/t pressiona fio e cabo; Brent < US$ 75 alivia PVC e tinta; aço firme.
🏪
Varejo
E-commerce separa portes: 56% das grandes vendem online contra só 20% das PMEs. WhatsApp decide a compra.
🏢
Concorrência
Telhanorte vendida à Tauá Partners; C&C estuda fechar 1/3 das lojas; Quero-Quero e Obramax avançam.
Hoje
Semestre fecha com real forte e bolsa no azul
O primeiro semestre encerrou com o dólar a R$ 5,16, uma queda de 5,95% no acumulado do ano — uma das melhores moedas do mundo no período — enquanto o Ibovespa sobe 6,76% em 2026 e junho terminou praticamente estável. Câmbio mais forte e previsível dá janela para importar ferramenta elétrica, inversor solar e revestimento com custo travado.
Fonte: InfoMoney / Diário do Grande ABC (30/06/2026)
2º semestre abre com consumo de material de base acima da média
O consumo de insumos de base — cimento, areia, blocos e aço — começa o semestre acima da média dos últimos anos, sinal de obra em andamento que vira pedido no balcão nas próximas semanas. O dado reforça a virada apontada pela Abramat e recomenda reabastecer os campeões de giro antes de a demanda encorpar.
Fonte: Exame / Cimento Itambé (julho/2026)
Para a Semana que Começa
- Hoje, 01/07 (qua): abre o 2º semestre e o 2º trimestre fiscal — recomponha margem no que o atacado aliviou antes de repassar qualquer desconto.
- ~10/07: IBGE divulga o IPCA cheio de junho (a prévia veio a +0,41%) — confirma se a inflação cede e libera mais espaço para a Selic.
- Matérias-primas: renegocie PVC, tinta e frete com a indústria (Brent e IGP-M em queda) e reprecifique fio e cabo (cobre em recorde) antes do próximo pedido.
- Crédito e concorrência: atualize o balcão do Reforma Casa Brasil (R$ 50 mil, 0,99%) e vá atrás dos clientes órfãos da Telhanorte e das lojas que a C&C pode fechar.
- Copom: próxima reunião em 29-30/07 — monitorar sinal de novo corte rumo aos 13,5% ao ano.