A semana que se encerra hoje confirmou no balanço o que a gente já via no balcão: o cliente popular é quem está segurando a rua. Cury bateu recorde com R$ 351 milhões de lucro no 1T26 (+50,3%) e a MRV multiplicou o lucro por 7,4, enquanto a Cyrela escorregou 9% e o médio/alto padrão segue patinando. Quem opera com Minha Casa Minha Vida, Reforma Casa Brasil e acabamento de entrada está com a máquina ligada; quem depende do tique premium está respirando curto.
O movimento estratégico da semana veio do concorrente: a Leroy Merlin freou o hipermercado e inaugurou em Bauru a primeira loja compacta de bairro, com plano de chegar a 150 pontos. É exatamente o nosso terreno. No mesmo tabuleiro, Sherwin-Williams finalizou a compra da Suvinil por R$ 6,57 bi e Saint-Gobain expandiu drywall 75% na Bahia. O setor está sendo redesenhado de cima para baixo — e quem fortalecer a relação com o cliente local agora ganha a próxima rodada.
O que observar nas próximas semanas: a bandeira amarela voltou em maio depois de quatro meses verdes, o IPCA de insumos da CBIC bateu 68,4 pontos (máximo desde 2T22) e o aço CA-50 já sobe 8%. O IPCA de abril desacelerou para 0,67%, mas o respiro é curto. O ENIC 2026 segue até quinta com a agenda do segundo semestre — coloque alguém da equipe para ouvir. Janela é agora.
Divisão de cerâmica e metais leva ao 1T26 a lição do ano: margem está no mix premium, não no bruto de obra.
Alívio na margem do cliente final, mas Focus segue elevando IPCA do ano para 4,91%. Selic ancorada em 14,50%.
Separa serviço de material no contrato e reduz alíquota em 50% em operação com imóvel. Tema vira balcão em 2027.
Siderúrgicas confirmam reajuste. Cimento CP II em pico histórico (R$ 46-48). INCC projetado 2026 em 9,72%.
PMC do IBGE: setor puxou o varejo expandido a recorde histórico. Acumula +5,2% em 12 meses. Base de benchmark.
Primeira de plano de 150 pontos de bairro. Mira R$ 10 bi em 2026 e ataca diretamente o cliente do varejo regional.
A maior rede de matcons do mundo reportou ontem receita de US$ 41,77 bi (+4,8%), EPS ajustado de US$ 3,43 (acima do consenso de US$ 3,41) e comps de +0,6%. Margem operacional caiu para 11,9% (de 12,9%). Stifel cortou preço-alvo de US$ 375 para US$ 320 citando pressão de margem. Para o ciclo brasileiro: confirma cenário de cliente reformando, mas com gasto controlado. Profissional segue como motor.
O fechamento de ontem (19/05) virou o sinal cambial favorável da semana passada: bolsa no menor nível desde janeiro (174.278 pontos) e dólar em alta de 0,86%. Pressão de minério, petróleo e Treasuries. Para a loja: o respiro de início de mês para insumo importado já começou a virar.
Programação de hoje e amanhã cobre transformação digital, inteligência artificial em obra e os novos parâmetros do Reforma Casa Brasil. Última janela para capturar as sinalizações de política habitacional do 2º semestre antes do ciclo começar.