A quinzena que se encerra hoje trouxe um retrato duro do consumidor brasileiro: 67% endividados segundo o Datafolha, vendas de materiais em São Paulo caindo 12,6% no pior resultado desde setembro de 2023, e inadimplência projetada em 7,01%. Ao mesmo tempo, o INCC-M de abril quase triplicou a alta do mês anterior, com PVC subindo 5,11%, cimento 3,02% e concreto 4,39%. O lojista está espremido entre um cliente cauteloso e um fornecedor que não para de reajustar.
Mas nem tudo é pressão. O crédito direcionado continua robusto — o Reforma Casa Brasil com R$ 40 bilhões, o MCMV ampliado com Faixa 4 atendendo renda até R$ 13 mil, e financiamento imobiliário projetado para crescer 16% neste ano. A fusão Sherwin-Williams + Suvinil criou o maior grupo de tintas do país, e a Obramax chegou ao formato shopping com plano de R$ 3,5 bilhões. Movimento grande de todos os lados.
Hoje à noite, o Copom anuncia a decisão sobre a Selic. A expectativa é de corte de 0,25 p.p. para 14,50%, mas o Focus estourou o teto da meta com IPCA em 4,86% e o conflito no Oriente Médio segue pressionando petróleo e derivados. Para nossas 260 lojas, a diretriz é clara: capturar o cliente do crédito subsidiado, proteger margem com disciplina de repasse e preparar o time para dois cenários de juro.
Votorantim ativa nova linha em Edealina (GO), dobrando para 2 mi t/ano. Kronan investe R$ 100 mi em construção industrializada. Menegotti amplia para 400 betoneiras/dia e avança exportação para EUA surfando tarifas sobre asiáticos.
Focus: IPCA 4,86% (acima do teto 4,50%). IPCA-15 abril: 0,89%. INCC-M abril: +1,04%. Selic terminal projetada em 13%. Dólar em R$ 4,97 (-9% no ano). Ibovespa perde 188 mil pontos. Copom anuncia resultado às 18h30.
MCMV ganhou R$ 20 bi extras (orçamento R$ 200 bi), Faixa 4 para renda até R$ 13 mil. Reforma Casa Brasil com R$ 40 bi na Caixa, taxas de 1,17% a.m.. Reforma Tributária: construção com alíquota reduzida em 50%.
INCC-M abril: PVC tubos +5,11%, cimento +3,02%, concreto +4,39%. Tigre +16%, Amanco +15-35%. Compensado naval +18% em 12 meses. Madeirite +22%. Aço CA-50 entre R$ 55-58. Brent entre US$ 92-112 no mês.
SP: vendas -12,6% em fevereiro (Sincomavi). 81,7 mi inadimplentes (Serasa). 67% endividados (Datafolha). Inadimplência PF projetada em 7,01% (IBEVAR). Obramax em shopping. Leroy Merlin R$ 10 bi com digital. App PSQ para verificar qualidade no balcão.
Montar balcão Reforma Casa Brasil e MCMV com simulações das 4 faixas. Renegociar tabela Sherwin-Williams/Suvinil com urgência. Endurecer análise de crédito no carnê próprio. Travar pedidos de compensado e alumínio. Kits de reforma essencial com preço fechado.
O Copom anuncia nesta noite a decisão sobre a Selic. 33 de 37 instituições projetam corte de 0,25 p.p., de 14,75% para 14,50%. O cenário é mais apertado que o esperado: IPCA-15 acelerou para 0,89% em abril, Focus estourou o teto com IPCA projetado em 4,86%, e o conflito no Oriente Médio segue pressionando petróleo e combustíveis. A dúvida não é o corte de hoje, mas se o Copom deixará porta aberta para junho ou sinalizará cautela prolongada. Para a loja: prepare dois cenários de simulação de parcela para o vendedor de balcão.
O INCC-M de abril registrou alta de 1,04%, ante 0,36% em março — a maior aceleração mensal do ano. Os vilões: tubos e conexões de PVC (+5,11%), massa de concreto (+4,39%), cimento Portland (+3,02%), blocos de concreto (+1,48%) e vergalhões de aço (+0,91%). No acumulado de 12 meses, o índice atinge 6,28%. A FGV atribui a aceleração ao conflito no Oriente Médio e ao efeito cascata dos reajustes de PVC que começaram em abril.
O dólar comercial opera em R$ 4,97, queda acumulada de 9% no ano, mantendo janela aberta para reposição de importados. Porém, o Ibovespa fechou ontem abaixo dos 188 mil pontos, em queda de 0,51%, na pior sequência desde julho de 2025. O mercado aguarda o comunicado do Copom para recalibrar expectativas de juros e câmbio.