Visão Geral Palavra do CEO
Rodolfo Norberto
CEO — Rede Construai
A semana foi marcada por um choque de forças na cabeça do lojista: do lado da demanda, o crédito novo virou real — o Reforma Casa Brasil começou a rodar na Caixa com R$ 40 bilhões disponíveis e o MCMV ampliou para a Faixa 4 (renda até R$ 13 mil), enquanto o crédito imobiliário caminha para recorde histórico em 2026. Do lado do custo, vieram três reajustes de peso: Tigre subiu 16% em PVC desde 11/04, Amanco Wavin entrou com aumento em 16/04, e o cimento CP II fechou o primeiro bimestre em R$ 46 na média nacional.
O movimento estratégico é claro: a rede tem cliente chegando com dinheiro aprovado na mão, ao mesmo tempo em que precisa repassar preço e proteger margem sem assustar o tíquete. O recado para nossas lojas é montar balcão específico para Reforma Casa Brasil e MCMV, revisar a tabela de hidráulica imediatamente, e usar o kit pronto (banheiro, quadro elétrico, pintura) para capturar o cliente que tem pressa. A tese do ciclo de reforma se confirma: Home Depot e Lowe's pararam nos EUA, e aqui o filão está em acabamento e reposição, não em obra nova.
A semana que começa tem data marcada: 28 e 29 de abril, reunião do Copom, com o mercado debatendo corte de 0,25 ou 0,50 p.p. na Selic. Se o corte vier maior, o vendedor do balcão ganha mais um argumento para fechar a venda hoje. Olho também no petróleo (Brent acima de US$ 100 pressiona a próxima onda de tintas e impermeabilizantes) e na agenda de repasses da indústria.
— Rodolfo Norberto, CEO Rede Construai
Os Temas que Marcaram a Semana
1. Reajustes em cascata: PVC puxa a fila, cimento e aço seguem firmes
- 10/04Semana fecha com Brent oscilando de US$ 92 a US$ 112 no mês; pressão sobre PVC, tintas e impermeabilizantes no radar.
- 11/04Tigre começa a aplicar 16% de reajuste em todo o portfólio de tubos e conexões.
- 13/04Orbia/Amanco Wavin anuncia aumento para 16/04 em linhas predial, infraestrutura e irrigação; Fortlev segue o movimento, com reajustes que chegam a 35%.
- 14/04Cimento CP II fecha o bimestre em R$ 46 na média nacional (+180% em 10 anos); CBIC sinaliza nova rodada de reajustes em argamassa, aço e derivados de PVC a partir de abril.
Por que importa: é a maior onda de aumentos em tubos e conexões desde 2021. Quem demorar a repassar absorve custo na reposição. Hidráulica e acabamento respondem por parcela relevante do faturamento do balcão — o ajuste não pode esperar.
Fontes: Poder360, Condomínio Interativo, BR104, CBIC, Investing.com
2. Crédito da reforma chega na mesa: R$ 40 bi + Faixa 4 do MCMV
- 10/04MCMV amplia faixas: Faixa 4 agora contempla renda até R$ 13 mil e imóveis até R$ 600 mil; governo projeta 3 milhões de unidades até fim de 2026.
- 13/04Abecip projeta crédito imobiliário crescendo 15% em 2026 e batendo recorde histórico; teto SFH subiu para R$ 2,25 milhões.
- 14/04Reforma Casa Brasil destrava R$ 40 bilhões na Caixa, com taxas a partir de 1,17% ao mês (renda até R$ 3.200) e 1,95% (até R$ 9.600); ANAMACO orienta lojistas a montar balcão de orientação.
Por que importa: o cliente que entra na loja em abril tem crédito novo, subsidiado e específico para reforma e obra nova. Três em cada dez clientes com projeto de reforma ainda não sabem que existe a linha. Quem guia o cliente do CPF até a aprovação sai com a venda fechada e o tíquete cheio.
Fontes: Caixa, ANAMACO, Abecip, Exame, Portal 6, Agência Brasil
3. Ciclo de reforma se confirma: juros altos travam obra nova, acabamento decola
- 10/04FEICON 2026 encerra com 30ª edição histórica (+1.200 marcas, 100 mil m²); ANAMACO reforça que o varejo atravessa ajuste mas mantém força, com reformas ganhando protagonismo.
- 13/04INCC acumula 5,85% em 12 meses; bancos reduzem taxas de financiamento entre 0,2 e 0,8 p.p., antecipando corte da Selic.
- 14/04Home Depot e Lowe's mostram vendas comparáveis quase paradas nos EUA — juros de hipoteca altos travam mudança de casa; Banco Mundial corta previsão do Brasil para 1,6% em 2026.
Por que importa: o roteiro de 2026 está cristalizado — menos lançamento, mais reforma. A categoria que sustenta o ponto é acabamento (hidráulica, elétrica, pintura), não cimento e vergalhão de obra nova. Loja que dominar kit pronto e venda consultiva sai na frente.
Fontes: ABRAMAT, FEICON, ANAMACO, Sincomavi, FGV/INCC-M, Nasdaq, 24/7 Wall St., Agência Brasil
4. Macro em transição: Selic, dólar e a agenda de 29 de abril
- 10/04Dólar fecha semana a R$ 5,01 (-2,9% na semana, -8,7% no ano); menor patamar desde abril/2024.
- 13/04Mercado começa a debater: corte de 0,25 ou 0,50 p.p. na próxima reunião do Copom (28-29/04); Focus projeta Selic a 12% no fim de 2026.
- 14/04Banco Mundial corta previsão de crescimento do Brasil para 1,6% em 2026, citando juros ainda em 14,75% e consumo desacelerando.
Por que importa: a combinação de dólar baixo + Selic começando a ceder + crédito habitacional no recorde cria uma janela rara. Dólar em R$ 5 alivia custo de importados (ferramenta elétrica, ferragem, esquadria de alumínio) — é hora de repor. Qualquer corte maior no Copom acelera a virada do semestre.
Fontes: Focus/Copom, Agência Brasil, Abecip, InvestNews, Trading Economics
Hoje O que é novo e não estava nas 6 últimas edições
Divulgação IBGE
IPCA de março sobe para 0,88% e acumula 4,14% em 12 meses
O IBGE divulgou o IPCA de março em 0,88%, acima dos 0,70% de fevereiro. Transportes e alimentação responderam por 76% do índice; gasolina subiu 4,59% no mês. No ano, a inflação acumula 1,92%; em 12 meses, 4,14%, acima dos 3,81% do período anterior.
O que isso muda: inflação mais forte joga água fria na expectativa de corte de 0,50 p.p. no Copom de 29/04. O mercado ajustou para 4,36% a previsão da inflação do ano. Para a loja, significa que repasses de fornecedor vão continuar — manter disciplina na tabela é chave.
Fonte: IBGE / Agência Brasil / Debit (15/04/2026)
Novo formato de varejo
Obramax estreia primeira loja em shopping center em SP
A Obramax inaugurou unidade no Shopping Interlar Aricanduva (zona leste, SP) — o primeiro formato da marca dentro de shopping. São 22 mil m², R$ 100 milhões de investimento, 200 empregos diretos e 15 mil itens à pronta entrega.
O que isso muda: o movimento mostra o varejo grande testando formato híbrido (conveniência do shopping + sortimento de home center) para capturar o público que não quer ir à periferia. Modelo a monitorar para franquias em MG localizadas perto de centros de consumo.
Fonte: Mercado & Consumo (13/04/2026, rodou hoje)