Construai
Newsletter do CEO
Inteligência de Mercado, Rede Construai
Sexta-feira, 17 de julho de 2026
Rodolfo Norberto

Rodolfo Norberto

CEO, Rede Construai

Bom dia, pessoal. Sexta-feira com número oficial na mão: o IBGE confirmou que material de construção cresceu 2,1% em maio e foi o melhor desempenho de todo o varejo, enquanto o comércio geral ficou praticamente parado. Nosso setor está carregando o varejo nas costas — e cimento despachando 7,7% a mais em junho mostra que a obra não parou. Hoje o trabalho é fechar a semana forte: orçamento aberto não pode atravessar o fim de semana.

Panorama do Dia

A Pesquisa Mensal de Comércio divulgada ontem pelo IBGE mostrou um varejo quase estagnado: alta de 0,1% em maio sobre abril, com acumulado de 1,7% no ano. A exceção foi justamente o nosso setor: material de construção avançou 2,1% no mês, o melhor resultado entre todas as atividades pesquisadas. É o dado oficial confirmando o que o balcão já sentia — reforma e manutenção seguem sustentando o movimento mesmo com juros altos.

Do lado da indústria, o SNIC reportou despacho de 5,8 milhões de toneladas de cimento em junho, alta de 7,7% sobre o ano passado e de 2,3% no semestre, puxada por habitação e infraestrutura. E o funil de demanda ganha reforço regulatório: as novas condições do Reforma Casa Brasil — renda familiar até R$ 13 mil, juros de 0,99% ao mês e prazo de até 72 meses — já estão em vigor e começam a atrair um perfil de cliente de classe média que antes ficava de fora.

No cenário externo, começou a contagem regressiva do tarifaço: a sobretaxa americana de 25% entra em vigor na quarta-feira, dia 22, e o governo brasileiro acionou a Lei da Reciprocidade e a OMC. A CNI lembra que as exportações aos EUA já recuaram 13% no primeiro semestre. Enquanto isso, o mercado doméstico aposta em mais um capítulo de queda de juros: o Ibovespa voltou aos 174 mil pontos e o dólar cedeu ao patamar de R$ 5,10 à espera do Copom do dia 29.

Notícias do Varejo

📊 IBGE confirma: matcon avança 2,1% em maio e é o destaque do varejo

O dado oficial da Pesquisa Mensal de Comércio colocou material de construção como a atividade de melhor desempenho de maio, com alta de 2,1%, enquanto o varejo total andou apenas 0,1%. Para o lojista, o número é munição: leve o dado para a negociação com a indústria e para o planejamento de agosto — o setor está comprando, e quem tem estoque e crédito na ponta captura essa demanda.

Fonte: IBGE / Agência Brasil / Forbes (julho/2026)

🧱 Cimento: vendas sobem 7,7% em junho, puxadas por habitação e infraestrutura

O SNIC registrou 5,8 milhões de toneladas despachadas em junho, alta de 7,7% sobre 2025, com o semestre fechando em +2,3%. Habitação popular e obras de infraestrutura explicam o fôlego. Recado direto: produto de giro rápido não pode faltar na gôndola de sábado — confirme as entregas da próxima semana ainda hoje.

Fonte: SNIC / Money Times (julho/2026)

🏪 Regionais contra-atacam: Grupo MR inaugura duas lojas com 3.000 m²

Enquanto os gigantes anunciam consolidação, redes regionais seguem investindo em loja física especializada: o Grupo MR abriu duas unidades focadas em revestimento e material de construção, com 3.000 m² de área construída e 20 empregos diretos. A lição para a rede: especialização de mix e atendimento próximo continuam sendo a arma do regional contra o home center nacional.

Fonte: Portal Litoral Sul (julho/2026)
Cenário Global e Regulatório

🏛️ Tarifaço americano vigora dia 22 e Brasil aciona reciprocidade e OMC

A sobretaxa de 25% anunciada pelo USTR entra em vigor na quarta-feira, 22, e o governo brasileiro respondeu acionando a Lei da Reciprocidade Econômica e o mecanismo de solução de controvérsias da OMC. Carne, café, suco de laranja e peças aeronáuticas ficaram fora da lista. Para o balcão, dois efeitos: volatilidade no câmbio na semana que vem e possível redirecionamento de produto industrial ao mercado interno — vale monitorar preço de aço e ferramenta.

Fonte: USTR / CNI / BPMoney (julho/2026)

🏦 Reforma Casa Brasil com renda até R$ 13 mil atrai novo perfil de cliente

Com as novas condições em vigor — teto de renda familiar de R$ 13 mil, juros de 0,99% ao mês, prazo de até 72 meses e financiamento de até R$ 50 mil —, o programa começa a atrair a classe média que antes não se enquadrava. É um cliente de tíquete maior, que reforma cozinha e banheiro completos. O balcão de orientação da loja precisa refletir as regras novas, não as de abril.

Fonte: Ministério das Cidades / Folha de Alagoas (julho/2026)

💵 Aposta em queda de juros leva Ibovespa aos 174 mil e derruba o dólar

A leitura de inflação mais benigna reacendeu a aposta de que ainda cabe um corte na Selic, levando a bolsa de volta aos 174 mil pontos e o dólar ao patamar de R$ 5,10, uma das menores cotações do semestre. Câmbio comportado é janela de reposição de importado — mas a vigência do tarifaço na quarta pode devolver volatilidade rapidamente.

Fonte: Agência Brasil / InfoMoney (julho/2026)
Cotações e Indicadores
Dólar Comercial
R$ 5,10
↓ Recuo com aposta em corte da Selic
Janela para repor ferramenta elétrica e acessório importado — feche pedido antes de quarta, dia 22, quando o tarifaço entra em vigor e pode mexer no câmbio.
Taxa Selic
14,25%
→ Copom decide dia 29: pausa ou último corte
Focus vê 14% no fim de 2026. Crédito livre segue caro; o atalho de venda financiada é o Reforma Casa Brasil com as condições novas.
Varejo Material de Construção (PMC, maio)
+2,1%
↑ Melhor resultado do varejo no mês
Dado oficial do IBGE, contra 0,1% do varejo total. Use o número na mesa com fornecedor e na definição da meta de agosto.
Vendas de Cimento (SNIC, junho)
+7,7%
↑ 5,8 milhões de toneladas no mês
Habitação e infraestrutura puxando o despacho. Garanta estoque de giro antes de qualquer nova rodada de reajuste da indústria.
IGP-10 (junho)
-0,30%
↓ Atacado em deflação no mês
Preço no atacado cedendo abre espaço para negociar reposição com a indústria agora, antes que o câmbio ou o tarifaço mudem o jogo.
Dia dos Pais (projeção varejo restrito)
R$ 8,5 bi
→ Data cai em 9 de agosto
Ferramentas e itens de bricolagem entram na lista de presentes. Campanha precisa estar de pé até o fim de julho para capturar a compra antecipada.
O Que Fazer Agora
1
Leve o dado do IBGE para a mesa de negociação. O setor cresceu 2,1% em maio e foi o melhor do varejo: use o número oficial para pedir prazo, verba de campanha e bonificação da indústria na compra de agosto. Quem negocia com dado na mão negocia melhor.
2
Confirme hoje as entregas de cimento e argamassa da próxima semana. Com despacho subindo 7,7% em junho, produto de giro não pode faltar no sábado. Cheque o estoque das três marcas principais e acione o fornecedor antes do meio-dia.
3
Antecipe a reposição de importado com o dólar a R$ 5,10. Ferramenta elétrica, iluminação e acessório importado: feche o pedido antes de quarta-feira, dia 22, quando o tarifaço americano entra em vigor e pode devolver volatilidade ao câmbio.
4
Atualize cartaz e script do balcão Reforma Casa Brasil. Renda até R$ 13 mil, juros de 0,99% ao mês e 72 meses de prazo: as regras mudaram e o cliente de classe média agora entra no programa. Vendedor falando as condições antigas perde venda.
5
Faça benchmarking de um concorrente regional neste fim de semana. Redes regionais estão investindo pesado em lojas especializadas em revestimento e acabamento. Visite (ou mande alguém visitar) uma loja da região e traga três ideias de exposição, mix ou serviço para segunda-feira.
Dica do Dia
Para o gerente de loja

Sexta é dia de caçar orçamento aberto

Antes de fechar o caixa hoje, puxe no sistema todos os orçamentos da semana que não viraram venda e distribua entre os vendedores. Ligação curta: "seu material está separado, quer retirar amanhã ou receber na segunda?". Três em cada dez fecham só porque alguém lembrou do cliente — e é no fim de semana que a obra decide onde vai comprar. Orçamento parado na sua gaveta é venda em andamento na loja do concorrente.