Bom dia, pessoal. Esta é uma semana de três datas marcadas no calendário: amanhã os Estados Unidos batem o martelo sobre o tarifaço de até 37,5% em 4 mil produtos brasileiros, domingo tem final de Copa do Mundo às 16h, e lá fora a massa de ar polar mais forte do ano derruba os termômetros em sete estados. Cada uma dessas datas mexe com a loja de um jeito: o tarifaço pode redirecionar aço, madeira e cerâmica para o mercado interno, a final é o último fluxo de consumo do evento, e o frio muda o mix do balcão. Hoje é dia de planejar a semana com o mapa na mesa, não de reagir na sexta-feira.
A primeira força do dia vem do Boletim Focus de ontem: o mercado cortou a projeção do IPCA de 2026 de 5,30% para 5,16%, manteve a Selic esperada perto de 14% no fim do ano e o PIB em torno de 2%. Inflação projetada cedendo é o melhor argumento para o Copom de 4 e 5 de agosto continuar cortando o juro — e para a loja começar a negociar taxa de crediário agora, antes da fila. O dólar fechou a R$ 5,13, em leve alta, refletindo o compasso de espera pela decisão americana.
A segunda força é o comércio exterior. Até amanhã, 15 de julho, sai a decisão final dos Estados Unidos sobre a sobretaxa de até 37,5% em mais de 4 mil produtos brasileiros pela Seção 301 — e o aço semiacabado ficou fora da lista de isenções. Um ano depois do primeiro tarifaço, a China já substituiu os americanos como destino das nossas exportações, mas um novo choque tende a devolver volume de aço, madeira e cerâmica ao mercado interno. Para quem compra, sobra pode virar tabela melhor; para quem espera câmbio calmo, a semana pede cautela.
A terceira força é o consumo de curtíssimo prazo. A Copa entra na semana da final, com projeção de R$ 4,32 bilhões injetados no varejo e 99,2 milhões de consumidores mobilizados — mas o índice Cielo mostrou que junho foi o pior para o varejo desde a pandemia, mesmo com o Mundial. Ou seja, o dinheiro do evento existe, mas não cai sozinho no caixa: é preciso ir buscar. Some a isso o frio recorde, que desacelera obra de manhã e aquece a venda de vedação, cobertura e conforto térmico, e o roteiro da semana está dado.
O Mundial termina domingo, às 16h, e a projeção da CNDL é de R$ 4,32 bilhões injetados no varejo, com 99,2 milhões de consumidores e gasto médio de R$ 619. O alerta veio do ICVA: mesmo com a Copa, junho foi o pior para o varejo desde a pandemia — o consumo do evento se concentra em quem cria ocasião de compra. Para a loja de material, a janela é a área de lazer: churrasqueira, tomada externa, suporte de TV e iluminação de varanda, com entrega garantida até sábado.
Fonte: CNDL / Central do Varejo / E-Commerce Brasil (julho/2026)O atacarejo do grupo Adeo, dono da Leroy Merlin, fechou 2025 com R$ 2,6 bilhões em vendas — salto de quase 60% — e anunciou 18 novas lojas, no ritmo de 8 a 10 aberturas por ano até 2028, com R$ 3,5 bilhões de investimento. Em 2026 chegam unidades em Aricanduva (SP), Londrina (PR) e no Centro-Oeste; a rede avaliou as lojas da Telhanorte e descartou, por não servirem ao formato. O foco declarado é o profissional da obra que paga à vista — exatamente o cliente que sustenta a loja regional.
Fonte: Exame / Inteligência Financeira / Grupo Revenda (julho/2026)Projeção do Ibevar com a FIA Business School aponta o varejo ampliado — que inclui material de construção — crescendo 4,92% em julho sobre o ano passado, com acumulado de 2,64% no ano. O nosso segmento deve avançar 2,30% no mês, mas ainda carrega acumulado negativo de 1,20% em doze meses. Tradução: a recuperação é real e vem em ondas, e quem captura primeiro é a loja que trabalha evento, clima e crédito em vez de esperar o fluxo espontâneo.
Fonte: Ibevar-FIA / Mercado&Consumo (julho/2026)A decisão final da investigação da Seção 301 sai até 15 de julho, com sobretaxas de 12,5% a 37,5% sobre mais de 4 mil itens — e o aço semiacabado, segundo produto mais exportado aos EUA, ficou fora das isenções, assim como a maior parte da madeira processada. Um ano após o primeiro tarifaço, a China já ocupou o espaço americano nas exportações brasileiras. Para o varejo de construção, o efeito prático é duplo: possível sobra de aço, madeira e cerâmica no mercado interno, com espaço para negociar tabela, e câmbio volátil no curto prazo.
Fonte: Times Brasil-CNBC / Correio Braziliense / O Tempo (julho/2026)A onda de frio que avança sobre o Sul, Sudeste e Centro-Oeste é a mais intensa do ano, com mínimas abaixo de zero no Rio Grande do Sul e na serra catarinense, geada ampla e até chance de neve nos pontos altos. Para a loja, o frio tem dois efeitos: desacelera concretagem e obra de manhã cedo, e acelera a procura por veda-fresta, silicone, manta térmica, aquecedor e reparo de telhado. O padrão deve virar na segunda quinzena — a janela de venda é agora.
Fonte: INMET / CNN Brasil / Climatempo (julho/2026)Avançaram as especificações técnicas do split payment, o recolhimento automático de imposto na liquidação do pagamento: o ministério calcula um sistema 170 vezes maior que o Pix, com R$ 1,5 bilhão já investidos em infraestrutura pela Receita. Em 2026, ano-teste, nada muda no caixa — mas quando o mecanismo pegar, o imposto sai do dinheiro antes de ele chegar à conta da loja. Quem trabalha com capital de giro apertado precisa simular esse fluxo desde já, junto com o contador.
Fonte: Ministério da Fazenda / Finsiders Brasil (julho/2026)Monte hoje a operação "semana da final". Vitrine de área de lazer na entrada — churrasqueira, tomada externa, suporte de TV, iluminação de varanda — com cartaz de entrega garantida até sábado. O dinheiro da Copa só cai no caixa de quem cria a ocasião de compra antes de domingo.
Adie compra grande de importado até a decisão de amanhã. O tarifaço americano pode mexer no câmbio nos dois sentidos. Espere o anúncio, e na sequência procure os fornecedores nacionais de aço, madeira e cerâmica: se houver redirecionamento de volume ao mercado interno, é hora de negociar tabela e prazo.
Coloque o "corredor do frio" para trabalhar. Agrupe veda-fresta, silicone, manta térmica, aquecedor e material de reparo de telhado num ponto único e sinalizado. A massa polar é a mais forte do ano e o padrão muda na segunda quinzena — estoque parado no fundo da loja não aproveita a janela.
Renegocie as taxas do crediário nesta semana. Com o Focus cortando o IPCA projetado para 5,16% e o Copom a três semanas de nova decisão, as financeiras já reprecificam risco. Quem trava condição melhor agora chega em agosto vendendo parcelado mais barato que o vizinho.
Simule o split payment no seu fluxo de caixa. Peça ao contador um cenário de capital de giro com o imposto recolhido na hora da venda, não no mês seguinte. 2026 é ano-teste e nada muda ainda — mas quem entende o impacto primeiro ajusta estoque e prazo de fornecedor sem susto.
Até sábado, toda conversa de balcão comporta uma pergunta: "Vai assistir a final onde?". Se a resposta envolver casa, quintal ou varanda, ofereça na hora o item que falta para receber gente — a churrasqueira, a extensão reforçada, o suporte da TV, a lona ou a luminária externa. É venda de tíquete pequeno e decisão rápida, mas em volume: cliente que recebe amigos no domingo decide na sexta, e compra de quem perguntou primeiro.