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Inteligência de Mercado, Rede Construai
Segunda-feira, 13 de Julho de 2026
Rodolfo Norberto

Rodolfo Norberto

CEO, Rede Construai

Bom dia, pessoal. Semana começa com dois relógios correndo na nossa loja. O primeiro é fiscal: a partir de 3 de agosto, nota emitida sem os campos da CBS e do IBS será rejeitada — quem ainda não testou o sistema tem três semanas para arrumar a casa. O segundo é de custo: a guerra no Oriente Médio recolocou o material no centro da inflação, com reajustes anunciados de 35% no PVC, 15% no cimento e 13% no vergalhão. A boa notícia é que a venda reagiu: material de construção cresceu 6,8% no segundo trimestre e o juro caiu para 14,25%. Hoje é dia de chamar o contador, antecipar reposição e reprecificar com disciplina.

Panorama do Dia

A primeira força do dia é a demanda confirmando reação. Levantamento da Stone mostra o varejo crescendo 4,2% no segundo trimestre, com material de construção à frente dos demais segmentos: alta de 6,8% no período, com avanço também em junho. Do lado do dinheiro, a Selic caiu para 14,25% no corte de junho e o IPCA acumula 4,64% em doze meses — o crédito ainda é caro, mas a direção é de alívio, e o dólar devolveu o pico de julho ao recuar para a casa de R$ 5,13.

A segunda força puxa no sentido contrário: o custo do material voltou a subir. O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, aberto no fim de fevereiro, chacoalhou o petróleo e os derivados, e a conta chegou ao balcão — reajustes de 35% no PVC, 15% no cimento e 13% nos vergalhões. O IBRE/FGV calcula que o choque pode adicionar quase 4 pontos ao INCC e levar o índice a até 9,72% no ano, mais que o dobro dos 4,05% acumulados até junho. Depois de anos com a mão de obra puxando a inflação da obra, o material reassumiu o volante.

A terceira força é institucional e competitiva. A Receita Federal confirmou que, a partir de 3 de agosto, documento fiscal eletrônico sem os campos da CBS e do IBS não será mais aceito, com alíquota-teste de 1% — é a reforma tributária saindo do papel e entrando no caixa da loja. Ao mesmo tempo, o tabuleiro da concorrência segue mexendo: a Saint-Gobain busca comprador para a Telhanorte e a C&C opera sob nova gestão, sinal de que a consolidação do varejo de construção ganhou novo capítulo. Quem arrumar a casa fiscal e blindar a margem primeiro atravessa essa fase na frente.

Notícias do Varejo

📊 Material de construção lidera o varejo e cresce 6,8% no segundo trimestre

Dados da Stone apontam o varejo brasileiro crescendo 4,2% no segundo trimestre de 2026, com expansão em todos os segmentos pesquisados — e material de construção na dianteira, com alta de 6,8% e vendas avançando também em junho. A recuperação é real, mas seletiva: o acumulado de doze meses do setor ainda flerta com o negativo, o que confirma o roteiro de trabalhar giro, serviço e acabamento em vez de apostar em enxurrada de volume.

Fonte: Stone / Brasil 247 (julho/2026)

🧱 Guerra chega ao balcão: PVC reajusta 35%, cimento 15% e vergalhão 13%

O choque do petróleo provocado pelo conflito no Oriente Médio virou tabela de preço: a indústria anunciou reajustes de 35% em PVC, 15% em cimento e 13% em vergalhões, com os maiores impactos concentrados em minerais não metálicos, plásticos e materiais metálicos. Para a loja, o recado é direto: reposição vai custar mais caro nas próximas rodadas, e estoque de giro rápido comprado no preço antigo vira margem defendida.

Fonte: APeMEC / Blog do IBRE-FGV (julho/2026)

🏢 Telhanorte à venda e C&C sob nova gestão: consolidação ganha novo capítulo

A Saint-Gobain procura comprador para a Telhanorte, enquanto a C&C, adquirida pela gestora AGI — formada por ex-executivos da Legion Holdings —, passa por reestruturação. Depois do bloco de compras Cassol-Todimo, é mais um sinal de que o varejo de construção entrou em fase de concentração. Para a rede regional, a defesa é a de sempre: relacionamento com o profissional da obra e atendimento que o gigante não replica.

Fonte: IstoÉ Dinheiro / Relatório Reservado (2026)
Cenário Global e Regulatório

🏛️ Contagem regressiva: NF-e sem campos da CBS e do IBS será rejeitada a partir de 3 de agosto

A Receita Federal confirmou que, a partir de 3 de agosto, a emissão de documentos fiscais eletrônicos sem os campos da CBS e do IBS não será mais permitida, com alíquota-teste de 1% (0,9% de CBS e 0,1% de IBS). O split payment será obrigatório no varejo e vai operar de forma automática nos principais meios de pagamento eletrônicos. Loja com ERP desatualizado corre risco concreto de balcão parado na primeira semana de agosto.

Fonte: Receita Federal / Forbes (julho/2026)

📊 IPCA de junho é o menor desde outubro, mas Habitação lidera a alta do mês

A inflação oficial subiu 0,16% em junho, a leitura mais baixa desde outubro, levando o acumulado de doze meses a 4,64%. O detalhe que interessa ao nosso setor: o grupo Habitação teve a maior variação positiva do mês, com 0,63%, enquanto alimentação recuou 0,24%. Ou seja, a inflação geral alivia e sustenta a queda do juro, mas o custo de morar e reformar sobe acima da média — o cliente sente no orçamento da obra.

Fonte: IBGE / InfoMoney (julho/2026)
Cotações e Indicadores
Dólar Comercial
R$ 5,13
↓ Recuo após pico de R$ 5,21 no início do mês
Câmbio devolvendo a alta de julho. Janela para repor ferramenta elétrica e revestimento importado antes de nova pressão vinda da guerra.
Taxa Selic
14,25%
↓ Corte de 0,50 p.p. na reunião de junho
Próximo Copom em 4 e 5 de agosto. Juro em queda gradual destrava crediário e parcelado de tíquete alto na loja.
IPCA (12 meses)
4,64%
↓ 0,16% em junho, menor leitura desde outubro
Inflação geral cede, mas o grupo Habitação subiu 0,63% no mês — o cliente da reforma sente mais que a média.
INCC-M (junho)
0,85%
↑ 6,71% em 12 meses e acelerando
IBRE vê o índice em até 9,72% no ano com o efeito guerra. Reprecifique pelo custo de reposição, não pelo da última compra.
PVC (tubos e conexões)
+35%
↑ Reajuste anunciado pela indústria
Derivado de petróleo é o primeiro a sentir o conflito. Antecipe reposição e trave tabela com o fornecedor.
Cimento CP II (reajuste)
+15%
↑ Nova rodada, junto com vergalhão (+13%)
Pressão no básico da obra. Proteja a margem do saco avulso e monte combo com argamassa para segurar o tíquete.
O Que Fazer Agora
1

Agende hoje o teste da NF-e com seu contador. Emita nota em ambiente de homologação com os campos da CBS e do IBS preenchidos. Se o sistema reprovar, você tem três semanas para corrigir antes de 3 de agosto — depois disso, nota rejeitada é balcão parado.

2

Antecipe a reposição de PVC, cimento e vergalhão. Com reajustes de 35%, 15% e 13% anunciados e a guerra pressionando o petróleo, estoque de giro rápido comprado no preço de hoje é margem defendida amanhã. Priorize as curvas A da obra básica.

3

Reprecifique pelo custo de reposição, não pelo da última compra. Com o INCC acelerando, quem vende pelo preço antigo financia o cliente com a própria margem. Faça a varredura dos 20 itens de maior giro da loja ainda nesta segunda-feira.

4

Monte oferta de parcelado para tíquete alto. Com a Selic em 14,25% e em trajetória de queda, renegocie condições com as financeiras e destaque o parcelado no kit banheiro completo, no telhado e no quadro elétrico. Venda a obra inteira, não o item avulso.

5

Blinde a sua praça antes da consolidação chegar. Com Telhanorte e C&C trocando de mãos, os grandes vão disputar cidade média. Visite nesta semana os cinco maiores profissionais da sua carteira e feche condição exclusiva de preço, prazo e entrega.

Dica do Dia
Para o gerente e o vendedor de balcão

Aumento de preço se explica olhando no olho

Quando o cliente reclamar do PVC ou do cimento mais caro, não se esconda atrás do "tá tudo subindo". Explique em uma frase: "É efeito da guerra no petróleo, o custo subiu para todo o mercado" — e ofereça na sequência uma alternativa de faixa de preço ou o kit fechado com vantagem no conjunto. Cliente aceita pagar mais quando entende o motivo e percebe que o vendedor buscou solução, não desculpa.