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Newsletter do CEO
Inteligência de Mercado, Rede Construai
Sexta-feira, 10 de Julho de 2026
Rodolfo Norberto

Rodolfo Norberto

CEO, Rede Construai

Bom dia, pessoal. A semana fecha com o vento mudando de lado a favor da demanda. O Minha Casa Minha Vida ganhou o maior orçamento da história, R$ 208 bilhões, o dólar recuou para a casa de R$ 5,14 depois de furar os R$ 5,20 no início do mês e a prévia da inflação desacelerou. Ou seja, entra dinheiro novo na praça e o custo do importado dá uma trégua. Hoje é dia de preparar a loja para capturar o cliente que volta com crédito habitacional na mão: sortimento de reforma na frente, preço de importado revisto para baixo e time treinado para fechar a obra inteira, não o item avulso.

Panorama do Dia

A força que abre o dia é a demanda habitacional ganhando combustível. O Minha Casa Minha Vida passou a contar com um orçamento recorde de R$ 208 bilhões, sendo R$ 142,1 bilhões do FGTS mais aportes do Fundo Social, e consolidou a nova Faixa 4, que atende famílias com renda de R$ 9.600 a R$ 13.000 com juros entre 10% e 10,5% ao ano. Para as Faixas 1 e 2, o subsídio pode chegar a R$ 55 mil. Traduzindo para o balcão: mais gente com casa própria e reforma no radar ao longo do segundo semestre.

A segunda força é o alívio no custo do dinheiro e do câmbio. O dólar recuou para cerca de R$ 5,14, revertendo o pico de R$ 5,21 do início de julho, o IPCA-15 desacelerou para 0,41% em junho (4,8% em 12 meses) e o petróleo Brent segue abaixo de US$ 75. É janela para rever o preço do importado para baixo e renegociar insumo derivado de petróleo. A ressalva continua sendo a mão de obra: o INCC-M subiu 0,85% em junho, ou seja, o material alivia, mas o serviço não.

A terceira força é uma recuperação real, porém frágil. O Índice Abramat mostra a indústria de materiais reagindo em maio, com faturamento 0,8% acima de abril puxado pelos materiais básicos, mas o acumulado do ano ainda cai 3,7% e a entidade acende o alerta de que o Reforma Casa Brasil roda abaixo do esperado. Com o Boletim Focus vendo a Selic parar perto de 14% no fim de 2026 e o próximo Copom só no fim de julho, o juro cede devagar. Recuperação existe, mas quem ganha o segundo semestre é quem trabalha giro, serviço e acabamento, não aposta em enxurrada de volume.

Notícias do Varejo

🏦 Minha Casa Minha Vida chega a orçamento recorde de R$ 208 bilhões e reforça a demanda de reforma

O programa habitacional passou a operar com verba histórica de R$ 208 bilhões, combinando R$ 142,1 bilhões do FGTS, subsídios ampliados e aportes do Fundo Social. Além da nova Faixa 4 (renda de R$ 9.600 a R$ 13.000, juros de 10% a 10,5% ao ano), as Faixas 1 e 2 podem receber subsídio de até R$ 55 mil. Para o lojista, cada imóvel entregue ou financiado vira, meses depois, cliente de revestimento, louça, metais e tinta no balcão. Vale montar um atendimento que oriente o cliente sobre faixas e subsídios.

Fonte: Forbes Real Estate / Ministério das Cidades (julho/2026)

🧱 Abramat: indústria de materiais reage em maio, mas alerta que o Reforma Casa Brasil roda abaixo do esperado

O Índice Abramat apontou faturamento deflacionado 0,8% acima de abril em maio, puxado pelos materiais básicos (+1,6%), enquanto o acabamento ficou estável. O acumulado do ano, porém, ainda recua 3,7%, e a entidade sinaliza que o desempenho do crédito de reforma popular veio abaixo do previsto, ao lado de pressões de custo na cadeia. O recado é de recuperação gradual: reponha os básicos que voltaram a girar, mas sem inchar estoque contando com uma retomada que ainda não se firmou.

Fonte: Índice Abramat / Revista Construa (junho–julho/2026)

🎨 Termômetro Anamaco aponta varejo sustentando recuperação, com revestimento e pintura à frente da expectativa

O Termômetro do Varejo da Construção, da Anamaco em parceria com a Juntos Somos Mais, mostra o setor mantendo a trajetória de recuperação, com a maioria dos lojistas esperando crescimento nas vendas nos próximos três meses. Revestimento cerâmico e materiais para pintura aparecem como as categorias de maior otimismo. Para a rede, o sinal é claro: dar frente de loja ao acabamento e à tinta, justamente as categorias de maior margem e giro recorrente, é a aposta certa para o segundo semestre.

Fonte: Anamaco / Juntos Somos Mais (julho/2026)
Cenário Global e Regulatório

💵 Dólar recua para R$ 5,14 e abre janela para repor importado

Depois de furar os R$ 5,20 no início de julho, a moeda americana devolveu parte da alta e voltou para a casa de R$ 5,14, oscilando entre R$ 5,15 e R$ 5,21 na semana. Para o varejo de construção, é o momento de rever preço de compra e prateleira de ferramenta elétrica, revestimento importado, fechaduras e itens dolarizados. A queda do câmbio é folga de margem, não desconto automático: recomponha o que ficou defasado no pico e repasse a baixa com disciplina.

Fonte: Investidor10 / Dólar Hoje (julho/2026)

📊 IPCA-15 desacelera a 0,41% em junho e inflação em 12 meses fica em 4,8%

A prévia oficial da inflação subiu 0,41% em junho, ante 0,62% em maio, com o acumulado de 12 meses em 4,8%. A pressão veio de Alimentação (0,74%) e Habitação (0,72%), mas o ritmo mais fraco confirma alívio na ponta. Para a loja, inflação cedendo dá previsibilidade para planejar compra e preço; o cliente sente menos aperto no orçamento e volta a considerar a reforma que estava adiando.

Fonte: IBGE / CNN Brasil (junho/2026)

🏛️ Boletim Focus vê Selic perto de 14% no fim de 2026 e Copom só decide no fim de julho

O mercado projeta a Selic encerrando 2026 ao redor de 14%, com o IPCA esperado em 5,33% e o PIB perto de 2%. Com a taxa em 14,25% e a próxima reunião do Copom marcada para o fim de julho, o juro segue cedendo devagar. Tradução para o caixa: financiamento imobiliário ainda travado e capital de giro caro. Planeje estoque e compras contando com crédito apertado até o próximo corte.

Fonte: Banco Central / InfoMoney (julho/2026)
Cotações e Indicadores
Dólar Comercial
R$ 5,14
↓ Recuou do pico de R$ 5,21 no início de julho
Câmbio mais leve alivia ferramenta elétrica, revestimento importado e itens dolarizados. Revise o preço de compra antes do próximo pedido.
Taxa Selic
14,25%
→ Mantida; Focus vê ~14% no fim de 2026
Próximo Copom só no fim de julho. Juro cede devagar, financiamento segue travado e o giro, caro. Negocie prazo com a indústria.
IPCA-15 (Junho)
0,41%
↓ Desacelerou de 0,62%; 4,8% em 12 meses
Inflação perde força na ponta. Cliente sente menos aperto no orçamento e reconsidera a reforma adiada.
INCC-M (Junho)
0,85%
↑ Mão de obra puxando o custo
O custo da obra sobe pela folha, não pelo material. Kit pronto e serviço agregado protegem o tíquete e a margem.
Petróleo Brent
US$ 74
↓ Segue abaixo de US$ 75
Alívio à frente em PVC, tinta, espuma e selante. Renegocie tabela com a indústria e capture a baixa antes de repassar.
Cimento CP II, Saco 50kg
R$ 46,00
→ Preço firme, demanda por dia útil ainda em alta
Vendas por dia útil seguem positivas mesmo com bimestre negativo. Proteja o giro do saco avulso e faça a compra casada com aço.
O Que Fazer Agora
1

Monte um atendimento Minha Casa Minha Vida na loja. Com o orçamento recorde de R$ 208 bi e a nova Faixa 4, treine dois vendedores para explicar faixas, juros e subsídios de até R$ 55 mil. Quem orienta o cliente do financiamento sai com a venda de acabamento fechada meses depois.

2

Revise o preço do importado para baixo agora. Com o dólar recuando para R$ 5,14, faça varredura em ferramenta elétrica, revestimento e fechaduras. Recomponha a margem que apertou no pico e repasse a queda com disciplina, sem doar resultado.

3

Renegocie PVC, tinta e derivados de petróleo. Com o Brent abaixo de US$ 75 e a inflação cedendo, chame a indústria para revisar tabela. Puxe preço ou prazo antes que a tabela seja recomposta; quem pede, recebe.

4

Prepare a loja para a temporada de pintura do inverno. O tempo seco de julho é o melhor da rota para pintar, e a tinta lidera a expectativa dos lojistas. Dê frente de loja a tinta, massa, lixa, fita e rolo, monte kit de pintura por ambiente e treine o time a oferecer o combo completo.

5

Trabalhe giro e serviço, não aposta de volume. A indústria reage devagar e o juro segue alto. Reponha os básicos que voltaram a girar em lotes menores, evite estoque parado e agregue instalação para elevar o tíquete sem depender de mais fluxo.

Para o vendedor de balcão

Venda a pintura enquanto o tempo seco está do seu lado

Julho é o mês da obra parada esperando o sol, e o inverno seco é a melhor janela do ano para pintar: a tinta cura mais rápido e sem bolha. Quando o cliente entrar atrás de qualquer item, pergunte se ele não vai aproveitar o tempo firme para renovar a pintura. Ofereça o kit completo, tinta, massa corrida, lixa, fita crepe e rolo, numa venda só. É acabamento de margem alta, giro rápido e a estação jogando a favor. Uma frase resolve: "Com esse tempo seco, é a hora certa de pintar, quer deixar tudo separado com o preço de hoje?"