
Bom dia, pessoal. O tabuleiro do nosso varejo começou a semana se reorganizando: Cassol e Todimo juntaram as compras num bloco de R$ 2 bilhões para enfrentar os gigantes, o dólar voltou a romper os R$ 5,20 e a Suvinil trocou de dono. Recado do dia: quando os grandes se mexem, quem ganha o cliente é quem tem relação, serviço e o profissional da rua do lado. Hoje é dia de blindar margem no importado, revisar o mix de tintas e treinar o time para vender a obra inteira, não só o item barato.
A força que abre a semana é a consolidação. Cassol, de Santa Catarina, e Todimo, do Centro-Oeste, anunciaram a integração das áreas comerciais e formam um negócio de mais de R$ 2 bilhões, com 66 lojas em cinco estados, seis centros de distribuição e mais de 600 fornecedores, tudo submetido ao Cade. Não é fusão nem troca de ações: é compra e logística conjuntas para negociar volume e peitar Leroy Merlin, Telhanorte e Tok&Stok. Para o lojista independente, o recado é que escala virou defesa, e quem não tem tamanho compensa com relacionamento, entrega e serviço.
A segunda força é o custo do dinheiro e do câmbio. O dólar fechou a semana passada acima de R$ 5,20, e o Boletim Focus passou a projetar a Selic parando perto de 14% no fim de 2026, com inflação estimada em 5,33%. Ou seja, o juro cede devagar e o capital de giro continua caro, ao mesmo tempo em que a reposição de importados, como ferramenta elétrica, revestimento e itens dolarizados, fica mais pesada. Disciplina de preço e giro apertado seguem sendo a regra da casa.
A terceira força é a demanda começando a se mexer. O novo modelo de crédito da poupança e o teto do SFH em R$ 2,25 milhões recolocam a classe média na conta do imóvel usado e da reforma de médio padrão, com taxa de balcão a partir de 11,19% ao ano na Caixa. Some a isso a Suvinil sob nova dona, a Sherwin-Williams, redesenhando o mercado de tintas, e o acabamento se confirma como o campo de margem do segundo semestre. No radar regulatório, a PEC do fim da escala 6x1 já está no Senado e pode mexer no custo de pessoal de quem abre fim de semana, assunto para acompanhar de perto.
As redes Cassol Centerlar, de Santa Catarina, e Todimo, do Centro-Oeste, anunciaram a integração das áreas comerciais: juntas somam 66 lojas em cinco estados, seis centros de distribuição, mais de 600 fornecedores e faturamento acima de R$ 2 bilhões por ano. A parceria não é fusão, mas compra e logística compartilhadas, e foi submetida ao Cade para ganhar poder de negociação diante de Leroy Merlin, Telhanorte e Tok&Stok. O movimento confirma que a consolidação regional é a resposta do varejo nacional ao avanço dos globais.
Fonte: Exame / InfoMoney (julho/2026)A americana Sherwin-Williams concluiu a compra da Suvinil, da BASF, por US$ 1,15 bilhão, levando também a marca premium Glasu! e as fábricas de Jaboatão dos Guararapes (PE) e São Bernardo do Campo (SP). Com a líder de tintas arquitetônicas sob novo comando, muda a dinâmica de portfólio, preço e relação comercial na categoria. Para o lojista, é hora de renegociar condições e dar destaque ao acabamento, que já responde por mais de 30% do tíquete e concentra a maior margem da loja.
Fonte: Mercado&Consumo / Cade (2026)O novo modelo de financiamento habitacional com recursos da poupança (SBPE) amplia a oferta de crédito, e o teto de imóvel dentro do SFH subiu de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões. A melhor taxa de balcão em junho ficou em 11,19% ao ano mais TR, na Caixa. Na prática, o cliente de imóvel usado e de reforma de médio padrão volta a ter fôlego e chega ao balcão atrás de revestimento, louça, metais e tinta. Quem souber puxar esse cliente amplia o tíquete.
Fonte: Ministério das Cidades / Registro de Imóveis do Brasil (2026)A moeda americana fechou a semana passada acima de R$ 5,20, em alta de cerca de 0,9% no dia, oscilando entre R$ 5,15 e R$ 5,21. Para o varejo de construção, dólar firme nesse patamar encarece a reposição de ferramenta elétrica, revestimento importado, fechaduras e itens dolarizados. O recado é revisar preço de compra e prateleira desses produtos antes que a margem evapore no próximo pedido.
Fonte: Enfoque / Investing.com (julho/2026)A mediana do Boletim Focus passou a projetar a Selic encerrando 2026 ao redor de 14%, sinal de que o Banco Central deve cortar pouco daqui para frente; a inflação (IPCA) esperada para o ano está em 5,33% e o PIB foi revisado para cerca de 2%. Tradução para a loja: juro alto por mais tempo mantém o financiamento imobiliário travado e o capital de giro caro. Planeje estoque e compras contando com crédito ainda apertado no segundo semestre.
Fonte: Banco Central / InfoMoney (junho–julho/2026)Aprovada pela Câmara, a PEC que reduz a jornada de 44 para 40 horas e troca a escala 6x1 por 5x2 chegou ao Senado. Entidades do comércio alertam para o impacto em quem opera fim de semana e horário estendido, caso do varejo de material de construção, com possível necessidade de novas contratações e mais horas extras. Vale simular desde já o custo da folha no cenário 5x2 e repensar as escalas antes de a regra virar lei.
Fonte: Senado Federal / Agência Brasil (2026)Quando o cliente fecha o material básico, cimento, tijolo e areia, é ali, com ele já decidido, que você oferece a tinta, o revestimento e o metal. Acabamento passa de 30% do tíquete e é o item de maior margem da loja. Uma frase resolve: "Já que a obra vai andar, quer deixar a tinta e o piso reservados com o preço de hoje?" O cliente evita voltar, você garante a margem e ainda protege a venda da variação de custo das próximas semanas.