Bom dia, pessoal. A indústria brasileira voltou a crescer em junho — o PMI subiu para 50,8 —, mas não se enganem: o número veio de emprego e estoque, não de venda; produção e novos pedidos ainda estão caindo. Recuperação existe, mas é frágil, e a demanda ainda não bateu no nosso balcão. Enquanto isso, o concorrente muda o jogo: a Leroy Merlin anunciou que quer chegar a R$ 10 bilhões deixando de vender só material para vender reforma completa, com serviço, instalação e até loja compacta mirando o interior. O recado pra nós é direto: quem só empurra produto na prateleira perde; quem resolve a reforma do cliente — com o profissional de confiança da própria rua e o acabamento certo — ganha. Hoje quero o time pensando em solução, não em item avulso.
O semestre vira com a economia mandando sinais mistos. O PMI industrial voltou ao território de expansão em junho, aos 50,8 pontos ante 49,1 em maio, mas o avanço se apoiou em contratação e formação de estoque — produção e novos pedidos seguem em queda, e a confiança do empresário caiu para o menor nível em quatorze meses. No câmbio, o dólar fechou perto de R$ 5,19 e a bolsa encerrou o segundo trimestre no vermelho, com o mercado ainda precificando Selic alta, a 14,25%. A leitura para o lojista é de recuperação real, porém frágil: dá para respirar, mas não para apostar em enxurrada de demanda.
Do lado do custo, finalmente uma trégua. O próprio PMI aponta a menor pressão inflacionária de insumos em três meses, e o petróleo Brent segue abaixo de US$ 75, o que tende a aliviar tudo que vem do derivado de petróleo: tubo e conexão de PVC, tinta, espuma e selante. A ressalva é o Oriente Médio, que ainda ronda o preço de combustível e frete. E atenção ao contraponto: o INCC subiu 0,85% em junho, puxado pela mão de obra — o material alivia, o serviço não. É mais um motivo para vender solução e instalação, não só material avulso.
No tabuleiro do varejo, o jogo migra de produto para solução. A Leroy Merlin, sob novo comando, quer dobrar o faturamento de reforma e instalação de R$ 500 milhões para R$ 1 bilhão em 2026 e já opera com mais de três mil prestadores, testando lojas compactas para chegar à cidade média — justamente o nosso território. Ao mesmo tempo, o acabamento vira o filão de margem: revestimento, tinta, louça e metal devem passar de 30% das compras do setor neste ano. E a indústria de materiais se organizou politicamente, unindo 21 segmentos num fórum único com a Reforma Casa Brasil no topo da agenda. A força do dia é clara: proximidade e serviço são a nossa defesa contra o gigante que virou resolvedor de reforma.
Sob o comando de um novo CEO, a Leroy Merlin projeta saltar de cerca de R$ 9,4 bilhões em 2025 para R$ 10 bilhões em 2026 mudando o modelo: menos foco em abrir megaloja e mais em serviço, digital e "reforma completa". A meta é dobrar a área de instalações e reformas de R$ 500 milhões para R$ 1 bilhão no ano, apoiada em mais de 3 mil prestadores, com 30% dos clientes já começando a compra pelo digital e um novo formato de loja compacta mirando cidades médias. Para a rede de bairro, o recado é usar a arma que o gigante não tem: o profissional de confiança da própria praça e o atendimento que resolve, não só vende.
Fonte: Exame (julho/2026)O consumo de materiais de acabamento — revestimento, tinta, louça e metal — disparou nos últimos anos e deve superar 30% das compras do setor em 2026, patamar recorde. É a categoria de maior margem e giro recorrente: o cliente volta para retoque, troca de cor e leva acessório junto. A recomendação é tirar o acabamento do fundo da loja, dar frente de vitrine a revestimento e tinta, montar combos de ambiente e treinar o time para fechar o acabamento completo, não a peça avulsa.
Fonte: Exame / FGV (2026)Com o apagão de mão de obra e o déficit habitacional, métodos industrializados como light steel frame, drywall e construção modular deixam de ser vanguarda e viram solução prática, com crescimento acelerado em 2026. Para o varejo, é uma prateleira técnica de tíquete alto: perfil, placa, parafuso, fixação e isolamento. A loja que tiver o sortimento e um vendedor capaz de orientar o dimensionamento captura uma compra que hoje escapa para o distribuidor especializado.
Fonte: Rede Attini / Sincomavi (2026)A atividade industrial brasileira voltou ao território de expansão em junho, aos 50,8 pontos ante 49,1 em maio, segundo a S&P Global. O detalhe importa: o avanço veio de contratação (quinto mês seguido de criação de vagas) e de formação de estoque, enquanto produção e novos pedidos continuaram em queda, com demanda interna e externa fracas. A confiança do empresário recuou para o menor nível em quatorze meses. O lado bom é o custo: a pressão de insumos foi a menor em três meses. Tradução para a loja: recuperação técnica e frágil — trabalhe giro e reposição, não aposta de volume.
Fonte: S&P Global / Jornal de Brasília (julho/2026)As entidades da indústria de materiais de construção — de cimento e aço a vidro, alumínio, cerâmica e tinta — formalizaram um fórum único (FMC) reunindo 21 segmentos e nomes como Abramat, Anfacer, Abrafati e Abividro. Uma das prioridades declaradas é o Reforma Casa Brasil, o crédito popular para reforma residencial. Para o lojista, um setor mais organizado politicamente tende a defender estímulo à demanda de reposição e reforma — exatamente o motor que sustenta o balcão num ano de juro alto e obra nova contida.
Fonte: ABCP / Anfacer (2026)Transforme a loja num resolvedor de reforma, não numa prateleira. Com a Leroy indo para o serviço, responda com o que você já tem: uma rede curada de profissionais de confiança da praça, orçamento de reforma completo e acompanhamento. O gigante monta 3 mil prestadores de fora; você já conhece os da sua rua.
Dê a melhor frente de loja ao acabamento. É a categoria que passa de 30% das compras e tem a margem mais gorda. Exponha revestimento, tinta, louça e metal na entrada, monte combos de ambiente e treine o time a fechar o acabamento completo, não a peça avulsa.
Renegocie PVC, tinta e derivados agora que o custo cedeu. O PMI aponta a menor pressão de insumo em três meses e o Brent segue abaixo de US$ 75. Chame a indústria para revisar tabela e não repasse alta que já saiu de cena; use a folga para recompor margem.
Não aposte numa onda de demanda — trabalhe o giro. A indústria voltou a 50,8, mas puxada só por emprego e estoque; produção e pedidos ainda caem e a confiança é a menor em 14 meses. Reponha em lotes menores, evite estoque parado e foque nos campeões de giro.
Prepare sortimento e conhecimento para a obra industrializada. Steel frame, drywall e modular crescem como resposta ao apagão de mão de obra. Tenha perfil, placa, parafuso e fixação na prateleira e um vendedor que saiba orientar; é tíquete técnico que hoje o cliente compra fora.
A Leroy está montando um exército de mais de 3 mil prestadores para vender "reforma completa". Você não precisa de mil — precisa dos certos. Monte uma lista curada de pedreiro, eletricista e encanador de confiança da sua praça, combine condição e prioridade com eles e passe a oferecer ao cliente: "eu vendo o material e indico quem instala, com a garantia de que a lista está certa". Faça o acompanhamento depois da venda. É assim que você transforma o cliente que só pesquisava preço numa reforma inteira resolvida — e fideliza os dois lados, o consumidor e o profissional.