
Bom dia, pessoal. Depois de meses só com más notícias no custo, o vento começou a virar a nosso favor: o IGP-M fechou junho em deflação, com queda de 0,50%, e o preço no atacado finalmente recua. É a hora de não passar essa folga inteira pro cliente — recompõe margem com calma e investe em categoria nova de giro alto. Hoje quero o time de olho em dois nichos que estão abrindo dinheiro novo no balcão: forro de OSB aparente e kit de energia solar. Quem entender essas duas frentes sai do empate de preço e vende solução.
O semestre fecha com um alívio raro no custo. O IGP-M, índice que mede o preço no atacado, virou deflação em junho (queda de 0,50%) e acumula só 3,16% em 12 meses, puxado pela queda das commodities de energia e minério depois que o Estreito de Ormuz reabriu e o Brent voltou para baixo de US$ 75. Para a reposição de prateleira, isso significa custo de compra cedendo em derivados de petróleo, metais e fretes — janela para recompor margem antes de repassar qualquer desconto.
No varejo, a foto é de cautela mais do que de freada. A confiança do comércio subiu em junho na FGV, mas a confiança do consumidor segue praticamente parada em 88,7 pontos, com intenção de compra de bem durável ainda fraca. O consumidor pesquisa no digital e fecha no balcão: 56% das grandes lojas já vendem por e-commerce, contra só 20% das pequenas e médias. Quem não está no marketplace e no WhatsApp está perdendo a primeira metade da jornada de compra.
E o jogo da margem está migrando para categoria nova. O forro de gesso a R$ 120 o metro está cedendo espaço para OSB aparente a cerca de R$ 45, com estética industrial que dispensa pintura, e a energia solar deve adicionar mais de 4,5 GW no país em 2026 mesmo com investimento em queda. São duas frentes de tíquete alto e baixa concorrência de preço, que o lojista esperto coloca em exposição já neste segundo semestre.
A estética industrial saiu da reforma de loft e virou tendência popular: enquanto o forro de gesso/drywall sai entre R$ 120 e R$ 191 o metro quadrado instalado, a placa de OSB aparente fica em torno de R$ 45 o metro, dispensa massa corrida e pode até dispensar pintura. Para o varejo, é uma categoria de tíquete alto com pouca guerra de preço: quem expõe a placa OSB junto de parafuso, verniz, fita e luminária de trilho vende o ambiente inteiro, não só a chapa.
Fonte: Sienge / O Antagonista (junho/2026)A ANEEL projeta que o Brasil adicione cerca de 9,1 GW de nova capacidade em 2026, com a solar liderando em torno de 4,5 GW, mesmo com a Absolar estimando recuo do investimento de R$ 40 bi para R$ 31,8 bi no ano. O kit fotovoltaico — módulo, inversor, estrutura de fixação e cabo — é venda técnica de tíquete alto e casa com material elétrico, telhado e fixação. Loja que treina um vendedor para orientar o dimensionamento básico captura uma compra que hoje vai direto para o integrador.
Fonte: ANEEL / Absolar / Portal Solar (junho/2026)Levantamento do setor mostra que 56% das grandes lojas de material de construção já operam e-commerce, contra apenas 20% das pequenas e médias. O comportamento do cliente em 2026 é híbrido: começa a jornada no digital (marketplace, Instagram, WhatsApp) e termina na experiência técnica do balcão. Para a rede, o recado é fechar essa lacuna — presença em marketplace, catálogo digital e atendimento por WhatsApp não são mais diferencial, são condição para não perder a venda antes de o cliente chegar à porta.
Fonte: ANAMACO / E-Commerce Brasil (junho/2026)A FGV divulgou IGP-M de -0,50% em junho, contra +0,84% em maio, com o acumulado de 12 meses caindo para 3,16%. O atacado (IPA) recuou 0,97%, refletindo a convergência das commodities de energia e minério aos patamares pré-guerra de Ormuz, com queda visível em combustíveis. Atenção: o INCC-M, que mede o custo da construção, subiu 0,85% no mesmo mês — o alívio está no material e no frete, não na mão de obra. É hora de renegociar compra com a indústria aproveitando o atacado em baixa.
Fonte: FGV / IBRE (junho/2026)O Índice de Confiança do Comércio da FGV subiu 0,9 ponto em junho, encerrando o primeiro semestre em alta modesta, enquanto o Índice de Confiança do Consumidor ficou praticamente estável em 88,7 pontos. A leitura é mista: o comerciante está um pouco mais otimista, mas o consumidor ainda segura a compra de bem durável e a expectativa para o futuro piorou. Tradução para a loja: o fluxo existe, mas o cliente compara preço e adia o ticket grande — ganha quem fideliza e parcela bem, não quem só baixa preço.
Fonte: FGV / IBRE — Sondagens do Comércio e do Consumidor (junho/2026)Quando o preço de compra cai, o instinto do time é baixar a etiqueta na hora. Resista. Pegue os 20 itens de maior giro, confira quanto o custo recuou com o IGP-M em queda e segure o preço de venda por mais algumas semanas para recuperar a margem que apertou no primeiro semestre. Use a folga para investir em estoque de categoria nova (OSB e kit solar) em vez de doar resultado na prateleira. Margem recomposta hoje é o caixa que paga a expansão de amanhã.