Bom dia, pessoal. A conta que aperta a margem hoje não está na vitrine, está embutida na fiação e no acabamento. O cobre furou os US$ 13 mil a tonelada e o INCC voltou a acelerar para 0,85% em junho, com a mão de obra puxando o custo. Isso significa que fio, cabo, quadro elétrico e serviço de instalação vão chegar mais caros na próxima reposição, mesmo sem ninguém avisar. Semana de olhar a etiqueta do material elétrico antes do cliente olhar, segurar o giro do que sobe e defender margem com mix, não com desconto.
O dia combina três pressões que chegam por dentro do custo, não pela manchete. A primeira é metálica: o cobre segue acima de US$ 13 mil a tonelada no mercado internacional, e a FGV estima que cada alta de 10% no metal acrescenta cerca de 5,6% ao item de condutores elétricos do INCC ao longo dos meses. Quem trabalha fio, cabo e material elétrico precisa tratar reposição como decisão de margem, semana a semana.
A segunda é o próprio custo da obra ganhando velocidade. O INCC-M subiu 0,85% em junho, acima dos 0,77% de maio, com a mão de obra avançando 0,91% no mês. Acumulado em doze meses está em 6,71%. Para o balcão, é a confirmação de que orçamento de reforma e de acabamento vai esticar, e o cliente que adia tende a pagar mais lá na frente, argumento que o vendedor pode usar a favor da venda.
A terceira é o varejo concorrente se reorganizando em dois movimentos opostos: de um lado, a Quero-Quero amplia o projeto Loja Infinita e leva mix de home center a cidades pequenas; de outro, a C&C estuda enxugar a operação e fechar parte das lojas. No pano de fundo, a CBIC cortou a projeção de crescimento do PIB da construção para 1,2% em 2026. O recado é claro: o bolo cresce pouco e a disputa é por participação, não por mercado novo.
A rede expandiu o projeto Loja Infinita para mais de 470 unidades e ampliou o sortimento de 8 mil para mais de 25 mil itens, dando a municípios com menos de 10 mil habitantes acesso a uma oferta de home center. Com mais de 570 lojas e ritmo de 30 a 50 aberturas por ano, a Quero-Quero ataca justamente o interior, território da Construai. O recado é defender o cliente da cidade pequena com sortimento, retirada rápida e relacionamento.
Fonte: eMóbile / Lojas Quero-Quero (junho/2026)Em meio à readequação do setor após o boom da pandemia, a C&C sinalizou que pode encerrar cerca de um terço das suas unidades para ajustar a operação à demanda mais fraca. O movimento contrasta com a expansão de redes regionais e mostra que ponto grande e custo fixo alto viraram peso quando a venda desacelera. Para o lojista eficiente, é janela para capturar cliente e fornecedor de praças em que o concorrente recua.
Fonte: InvestNews (junho/2026)O índice de custo da construção acelerou de 0,77% em maio para 0,85% em junho, com a mão de obra subindo 0,91% e os materiais avançando 0,86%. Em doze meses o acumulado chega a 6,71%. Belo Horizonte ficou entre as capitais que desaceleraram, mas a tendência geral é de orçamento de obra mais caro no segundo semestre, o que reforça vender o material agora antes do próximo reajuste.
Fonte: FGV / IBRE (junho/2026)Déficit de oferta nas minas, estoques represados nos EUA e na China e tarifas protecionistas mantêm o cobre em patamar recorde, acima de US$ 13 mil a tonelada. A FGV calcula que cada alta de 10% no metal eleva em cerca de 5,6% o item de condutores elétricos do INCC ao longo de vários meses, com repasse pleno levando mais de um ano. Tradução para a loja: fio, cabo e material elétrico ainda têm reajuste para vir.
Fonte: Exame / Blog do IBRE-FGV (junho/2026)A Câmara Brasileira da Indústria da Construção reduziu a estimativa de crescimento do PIB do setor de 2% para 1,2% em 2026, citando custos pressionados, juros ainda altos e inflação resistente. O PIB da construção recuou 0,6% no primeiro trimestre e 0,2% no segundo. Mesmo com o emprego firme, o cenário pede foco em giro, reposição inteligente e tíquete, e não em aposta de demanda nova.
Fonte: CBIC / Diário do Comércio (junho/2026)Com o cobre puxando o preço do material elétrico, o cliente vai sentir a alta no rolo de fio. A saída não é brigar no preço do rolo, é vender a solução completa: fio mais disjuntor, mais eletroduto, mais a indicação do eletricista parceiro. Quando você entrega o quadro elétrico inteiro resolvido, o cliente compara valor e serviço, não centavo por metro, e sai com o tíquete maior e o problema resolvido.