
Bom dia, pessoal. O assunto que mais vai mexer no nosso caixa neste segundo semestre não é preço de cimento, é a reforma tributária. O split payment já entrou em fase de teste e, na prática, o imposto passa a sair na hora da venda, antes de o crédito entrar — capital de giro mais curto para todo lojista. Hoje é dia de sentar com o contador, conferir se o ERP da loja está pronto e, de quebra, agarrar duas janelas boas que o mercado abriu: o Novo PAC despejando obra de saneamento e a cerâmica sobrando no mercado interno por causa da tarifa americana.
No macro, o cenário melhora devagar. O Copom cortou a Selic para 14,25% na reunião de 17 de junho e o mercado já vê os juros terminando o ano perto de 14%, o que começa a destravar crédito. Mas o Boletim Focus elevou a projeção de inflação pela 13ª semana seguida, com IPCA de 2026 rondando 5,3%, enquanto o dólar segue estável na casa de R$ 5,18 e o PIB projetado fica em modestos 1,98%. Juro cedendo é alívio, mas inflação travando o ritmo mantém o consumo das famílias sob pressão.
No setor, o motor segue sendo a obra pública e a reforma. O Novo PAC já executou 89,5% do previsto para o ciclo até 2026 e o governo acaba de autorizar mais de R$ 1 bilhão em saneamento e urbanização. Do lado do custo, o aperto continua: em Minas, o metro quadrado da construção subiu 7,1% em doze meses e passou de R$ 1.834, puxado por mão de obra. Reforma e manutenção seguem como carro-chefe, e quem domina acabamento, hidráulica e elétrica leva a melhor.
Na regulação, 2026 é o ano-piloto da reforma tributária: alíquota de teste de 1% de IBS/CBS e split payment em ensaio. O impacto agora é mais operacional que financeiro, mas exige ERP e contador preparados. Na concorrência, a expansão do varejo aquece a obra — Minas já é o 2º maior polo de strip malls do país — e, lá fora, a tarifa dos EUA derruba a exportação de cerâmica brasileira e joga produto de volta no mercado interno. Há margem nova para quem souber comprar bem.
O governo federal autorizou um pacote de mais de R$ 1 bilhão em obras de saneamento, drenagem e urbanização, e o Novo PAC já executou 89,5% do previsto para o ciclo até 2026. Saneamento, água, esgoto, pavimentação e iluminação movimentam canteiro, moradia de trabalhador e reforma rápida nas cidades atendidas. Para o lojista, o recado é o de sempre que entra obra pública na praça: vale procurar a empreiteira e oferecer convênio de fornecimento de tubo, conexão, EPI, ferramenta e material de apoio.
Fonte: Ministério das Cidades / Agência Gov (junho/2026)O Censo Brasileiro de Strip Malls identificou 107 desses empreendimentos em Minas Gerais, 7,11% do total nacional e a segunda maior concentração do país, atrás apenas de São Paulo. A expansão das redes varejistas tem movimentado construtoras e atraído fundos imobiliários no estado. Para a loja de material, cada novo centro de bairro é canteiro perto de casa: do contrapiso à fachada, é demanda concentrada de cimento, revestimento, elétrica e acabamento a poucos quilômetros do balcão.
Fonte: Diário do Comércio / Censo Brasileiro de Strip Malls (junho/2026)Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, o custo médio do metro quadrado de construção em Minas saltou de R$ 1.712 para R$ 1.834, alta de R$ 122 (7,1%), puxada principalmente pelo encarecimento da mão de obra. O número confirma que repor estoque está mais caro e que defasar preço de prateleira corrói margem rápido. A leitura para o lojista é direta: revisar tabela com frequência e não segurar preço antigo em produto de giro.
Fonte: Diário do Comércio / Sinduscon-MG (junho/2026)2026 é o ano-piloto da reforma tributária, com alíquota de teste de 1% (0,9% de CBS e 0,1% de IBS) e o split payment em ensaio. No modelo, quando o cliente paga — Pix, boleto ou cartão — o sistema bancário separa o imposto na hora e repassa direto ao Fisco. Na prática, o tributo sai antes e o crédito demora mais a entrar, encurtando o capital de giro. O impacto neste momento é mais operacional que financeiro, mas exige ERP, emissão fiscal e equipe contábil ajustados desde já.
Fonte: Receita Federal / Sienge (junho/2026)As tarifas impostas pelos Estados Unidos seguem vigentes e reduziram em cerca de 80% as exportações brasileiras de revestimento cerâmico ao mercado americano. O Brasil é o 3º maior produtor mundial e parte desse volume que não embarca tende a se acomodar no mercado interno, pressionando a oferta doméstica de porcelanato e piso. Para o varejo, é janela para negociar condição e estoque com a indústria e montar oferta agressiva de acabamento, que é categoria de margem alta.
Fonte: Anfacer / Revista Anamaco (junho/2026)Com a cerâmica sobrando no mercado interno, o porcelanato fica mais competitivo — e é a deixa para subir o tíquete. Quando o cliente pedir o piso, ofereça na sequência o rejunte certo, a argamassa colante, o espaçador, o rodapé e a soleira. Monte um "combo de ambiente" com preço fechado: o cliente resolve de uma vez, você captura a margem do acabamento completo e ainda reduz o tempo de balcão.