O dia abre com o setor mostrando fôlego no emprego. A construção civil gerou mais de 10,6 mil vagas formais em junho e já soma cerca de 143 mil novas vagas no primeiro quadrimestre, segundo o Novo Caged, puxada por edificações e infraestrutura. É sinal de que há canteiro andando e demanda se formando, mesmo com juro alto — e canteiro andando, semanas depois, vira pedido de material no balcão.
A força contrária está na conta de custo, que muda de endereço outra vez. Depois do cobre e do PVC, agora é o aço que entra no radar regulatório: o governo elevou a tarifa de importação de uma série de produtos siderúrgicos de 10,8% para 25% e avança em medidas antidumping contra o aço chinês, com margens apuradas entre 31,9% e 46,9%. Menos aço barato entrando significa preço do vergalhão e do perfil mais firme na origem. Quem revisa a seção de ferro e estrutura antes do próximo pedido protege a margem.
No tabuleiro do varejo, a virada é digital. Levantamento do Instituto de Pesquisas Anamaco mapeia 160.627 lojas e R$ 238,9 bilhões de faturamento no setor — um mercado grande, resiliente, mas em ajuste. E a jornada de compra mudou: a loja física ainda é 67% da venda, porém WhatsApp e Instagram já ditam a decisão, enquanto o mercado de marketplaces cresce 15,3% ao ano no país. A força do dia é simples de enunciar e difícil de executar: atendimento rápido, no canal que o cliente já usa.
O Instituto de Pesquisas Anamaco aponta 160.627 lojas de material de construção no país e faturamento de R$ 238,9 bilhões, num momento que a entidade descreve como ajuste com abertura de novo ciclo em 2026. O setor segue essencial e pulverizado, o que joga a favor da rede de bairro. Para o lojista, o recado é defender o que o número esconde: cada ponto vive de relacionamento, sortimento de reposição e atendimento — não de mercado em euforia.
Fonte: Instituto de Pesquisas Anamaco (junho/2026)O varejo de material de construção consolida o omnichannel: o ponto físico ainda responde por 67% do faturamento, mas a jornada de decisão já começa no WhatsApp e no Instagram, e o mercado de marketplaces no Brasil avança 15,3% ao ano. O cliente pesquisa, pede foto e cotação pelo celular antes de ir à loja. Quem responde rápido, com catálogo e preço na mão, fecha; quem demora, perde para o concorrente que já mandou o orçamento.
Fonte: Construa Negócios / Mercado&Consumo (junho/2026)Pesquisa da FGV mostra que cerca de 82% das construtoras têm dificuldade para contratar profissional qualificado, em linha com o índice geral de escassez de 81% medido pelo ManpowerGroup — o maior da série e acima da média global de 74%. Pedreiro, eletricista e encanador viraram gargalo que atrasa obra e encarece serviço. Para a loja, é oportunidade: vire o ponto de encontro do profissional, com programa de fidelidade, condição especial e indicação ao cliente que não acha quem faça.
Fonte: FGV / ManpowerGroup — Pesquisa de Escassez de Talentos (junho/2026)O comitê de comércio exterior autorizou elevar a tarifa de importação de diversos produtos siderúrgicos de 10,8% para 25% e avança em medidas antidumping sobre o aço chinês, com margens preliminares de 31,9% a 46,9%. A proteção fortalece a indústria nacional (Usiminas e CSN à frente), mas tende a firmar o preço de vergalhão, fio-máquina e perfil. Para a loja, o efeito chega como custo de reposição mais salgado na seção de ferro e estrutura — confira a tabela das principais usinas antes do próximo pedido.
Fonte: Diário do Comércio / Siderurgia Brasil (junho/2026)O Novo Caged registrou saldo positivo de cerca de 10,6 mil empregos formais na construção em junho, com o setor somando aproximadamente 143 mil vagas no primeiro quadrimestre, puxadas por edificações e infraestrutura. Mesmo com juro alto, há obra em andamento — e obra em andamento vira consumo de material no balcão semanas depois. O sinal é de demanda resiliente: vale planejar estoque de itens de obra estrutural e reposição para o segundo semestre.
Fonte: Ministério do Trabalho — Novo Caged (junho/2026)A pauta ESG ganha tração na construção em 2026: bancos e fundos ampliam o peso de critérios ambientais e crescem as linhas de crédito verde, mais baratas para obra eficiente. Ganham espaço o aço verde, o concreto com agregado reciclado, a madeira engenheirada (CLT) e produtos certificados. Para o varejo, é um nicho novo de maior margem e diferenciação — vale identificar na prateleira o que já é de baixo impacto e treinar o time a explicar o ganho ao cliente que pergunta.
Fonte: Sienge / SPBIM — Tendências de Construção 2026 (junho/2026)Trate o WhatsApp da loja como um balcão. Escale um vendedor para responder na hora, com catálogo, foto e tabela de preço prontos. Defina meta de tempo de resposta e padronize o orçamento por mensagem. O cliente que recebe a cotação em cinco minutos fecha com você, não com o concorrente que demorou.
Reprecifique a seção de ferro e estrutura. Com a tarifa do aço subindo a 25% e o antidumping mirando a China, confira hoje o custo de reposição de vergalhão, fio-máquina e perfil das principais usinas. Ajuste a prateleira antes que o pedido novo chegue mais caro e o cliente compare primeiro.
Vire o ponto de encontro do profissional da obra. Com 82% das obras travadas por falta de mão de obra, pedreiro e instalador valem ouro. Monte uma lista de profissionais parceiros, ofereça cashback e condição especial, e indique-os ao cliente que não acha quem faça. Quem conecta material e mão de obra fideliza os dois lados.
Aproveite o recuo do dólar para repor o importado. Com o câmbio voltando para a faixa de R$ 5,11, antecipe a compra de ferramenta elétrica, revestimento e item dolarizado antes de um novo repique. Negocie câmbio travado com o fornecedor e garanta estoque do que tem boa margem.
Crie um cantinho de produtos de baixo impacto. Com o crédito verde avançando e a demanda por sustentabilidade crescendo, identifique na loja o que já é de menor pegada (aço verde, tinta base água, item certificado) e treine o time a explicar o ganho. É nicho de maior margem e diferencia a loja do concorrente que só vende preço.
A maioria das vendas começa com uma mensagem: "tem esse piso? quanto sai?". A tentação é responder só o preço e esperar o cliente voltar. Faça diferente: mande a foto, o valor, o prazo de entrega e já pergunte "é pra qual ambiente? quer que eu monte a lista completa?". O cliente do WhatsApp tem pressa e compara três lojas ao mesmo tempo. Quem responde rápido, completo e com simpatia ganha a venda antes mesmo de o concorrente abrir a conversa — e transforma uma dúvida de preço num carrinho fechado.