A força do dia é o crédito. O Banco Central cortou a Selic em 0,25 ponto na quarta-feira, de 14,50% para 14,25%, dando sequência ao ciclo de queda. Mas a leitura é de cautela: o Copom evitou prometer novos cortes porque a inflação não cede — pelo Focus, a projeção do IPCA de 2026 subiu para 5,30%, a 14ª semana seguida de alta e bem acima do teto da meta. Para o lojista, isso significa que o financiamento longo continua caro e o filão do semestre segue sendo reforma e manutenção, não obra nova.
A força contrária é a demanda. As vendas do varejo de material de construção recuaram entre 3% e 5% de janeiro a abril ante o mesmo período de 2025, e na Grande BH a retração chegou a 5%. O endividamento das famílias e o juro alto seguram o consumo, e parte do orçamento que ia para reforma migrou para alimento e remédio. Num mercado que encolhe, ganha participação quem tira o cliente do concorrente — e isso se faz com atendimento, sortimento e solução, não só com etiqueta.
A força da virada é a industrialização. O Light Steel Frame já cresceu 60% no país e a produção de perfis galvanizados avança em dois dígitos ao ano, com a construção a seco reduzindo o prazo de obra em até 50%. É um nicho que combina com a escassez de mão de obra e abre espaço para a loja girar drywall, perfil, OSB, parafuso e isolamento. Enquanto os grandes, como a Leroy Merlin, miram R$ 10 bilhões vendendo reforma completa, a rede que dominar o sortimento certo e a relação com o profissional sai na frente.
O Banco Central reduziu a taxa básica em 0,25 ponto na quarta-feira (17/06), levando a Selic de 14,50% para 14,25% e dando continuidade ao ciclo de queda. O comunicado, porém, veio sem sinalização firme sobre os próximos passos: com a inflação resistente, o Copom manteve a "porta aberta" e deixou claro que as decisões seguem dependentes dos dados. Para a loja, o recado é prático: o crédito direcionado e o crediário próprio ganham um respiro de custo, mas o financiamento longo continua salgado — vale revisar agora as condições da venda parcelada.
Fonte: InfoMoney / Banco Central — Copom (17/06/2026)O varejo de material de construção começou 2026 em ritmo fraco: as vendas caíram entre 3% e 5% de janeiro a abril ante o mesmo período de 2025, e na Grande BH a retração chegou a 5%. O alto endividamento das famílias, somado ao juro elevado, restringe o crédito e o poder de compra, e empurra parte do orçamento doméstico para alimento e remédio. Num mercado em ajuste, a defesa do lojista é sortimento de reposição, foco no cliente de reforma e atendimento que aumenta o tíquete em vez de disputar só preço.
Fonte: Diário do Comércio / Sincomavi / ANAMACO (junho/2026)O uso do Light Steel Frame no Brasil já cresceu 60% nos últimos anos, segundo a ABCEM, com a produção de perfis galvanizados avançando em dois dígitos ao ano. A construção a seco e industrializada reduz o prazo de obra em até 50% e o custo operacional em torno de 20% frente à alvenaria — vantagem decisiva num cenário de escassez de pedreiro e bombeiro. Para a loja, é gancho para montar um sortimento de drywall, perfil, OSB, parafuso, isolamento e ferramenta específica, e para se aproximar do montador que está virando influenciador de compra.
Fonte: ABCEM / CBCA (junho/2026)A líder do varejo de construção quer chegar a R$ 10 bilhões de faturamento ampliando a oferta para além do produto: projeto, instalação e reforma completa entregues como serviço. A estratégia ataca exatamente a dor do cliente que tem o dinheiro mas não acha mão de obra. Para a nossa rede, o recado é defensivo e ofensivo ao mesmo tempo: quem só vende a caixa de piso perde para quem entrega o piso assentado. Vale estruturar uma lista de profissionais parceiros e pacotes de material mais serviço para não deixar essa margem na mesa.
Fonte: Exame — Negócios (junho/2026)O Boletim Focus subiu a projeção da inflação de 2026 de 5,11% para 5,30%, a 14ª semana consecutiva de alta e bem acima do teto da meta de 4,5%. Foi essa resistência da inflação que deixou o Copom cauteloso mesmo ao cortar a Selic. Na prática, a expectativa de juro mais baixo no curto prazo diminui: planeje compras e fluxo de caixa do mês sem contar com crédito mais barato chegando rápido, e mantenha o crediário curto bem amarrado.
Fonte: InfoMoney / Banco Central — Boletim Focus (junho/2026)O real perdeu força e o dólar voltou a rondar R$ 5,15, pressionado pela cautela do cenário externo e pela inflação doméstica resistente. Câmbio mais alto encarece linha importada — ferramenta elétrica, revestimento, louça e metais de fora — e tende a entrar no custo de reposição nas próximas semanas. A defesa é negociar câmbio travado com o fornecedor de importados e revisar a etiqueta dessas linhas antes que o repasse chegue de uma vez.
Fonte: Trading Economics / Banco Central (junho/2026)Em mês de vendas fracas, a tentação é dar desconto para fechar. Mas desconto sem critério queima margem que você não tem. A jogada melhor é mandar o time perguntar, em toda venda: "o senhor vai precisar de mais alguma coisa pra terminar esse serviço?". Piso pede rejunte, argamassa e espaçador; tinta pede lixa, fita, rolo e massa corrida. Vender o ambiente completo, e indicar um profissional da sua lista, vale mais que dois reais a menos no saco de cimento — e ainda fideliza o cliente.