
Bom dia, pessoal. O tabuleiro do varejo de material está se mexendo: a C&C precisa fechar pelo menos um terço das lojas, a Telhanorte segue à venda e os atacarejos dos grandes grupos avançam. Esse é exatamente o momento em que rede independente, enraizada na cidade e com gente que conhece o cliente pelo nome, ganha terreno. Enquanto o concorrente reorganiza estrutura e troca de dono, nós atendemos. Hoje é dia de olhar para fora — quem está saindo, quem está chegando — e reforçar o que ninguém copia: relacionamento, agilidade e preço de bairro.
O varejo de material de construção entrou em fase de consolidação aberta. Depois de a Saint-Gobain colocar a Telhanorte à venda, a C&C apareceu no mercado precisando enxugar de um terço das lojas para diante, enquanto o grupo da Leroy Merlin acelera o atacarejo Obramax, que já fatura R$ 2,6 bilhões e mira R$ 3 bilhões com novas unidades em Londrina e Aricanduva. Para a rede independente, é janela: cada loja grande que fecha ou troca de mãos deixa cliente órfão de atendimento no bairro.
No campo macro, o Boletim Focus desta semana volta a apertar o humor. A projeção de IPCA para 2026 subiu pela 13ª semana seguida, a 5,11%, acima do teto da meta, e a mediana da Selic para o fim do ano avançou de 13,25% para 13,50%. O Copom decide os juros nos dias 16 e 17, e a leitura oficial da inflação de maio sai nesta sexta, 12. Juro alto por mais tempo confirma o roteiro do ano: menos lançamento, mais reforma e reposição.
No custo, a conta da obra continua pressionada. O INCC-M subiu 0,77% em maio e acumula 6,82% em 12 meses, e a FGV calcula que a guerra e os reajustes de insumos podem somar 3,89 pontos percentuais ao índice e levar o custo da construção a fechar 2026 perto de 9,72%. Some-se a isso a reforma tributária, que começa a mexer no preço de material e serviço, e o recado é claro: disciplina de margem e foco no que dá giro.
O varejo de material entrou em ciclo de consolidação. Com a Telhanorte já à venda pela Saint-Gobain, a C&C — que opera cerca de 36 lojas — apareceu no mercado precisando fechar pelo menos um terço das unidades para se viabilizar, e agora as duas redes disputam o mesmo bolso de compradores. Para a rede independente, é a deixa para capturar o cliente que perde a loja de referência no bairro: reforce sortimento de acabamento, hidráulica e elétrica e comunique que a sua porta continua aberta.
Fonte: IstoÉ Dinheiro / InvestNews (junho/2026)O atacarejo de construção do grupo Adeo (dono da Leroy Merlin) cresceu quase 60% em 2025, fechou o ano em R$ 2,6 bilhões e definiu R$ 3,5 bilhões de investimento até 2028, com novas lojas em Londrina (PR), Aricanduva (SP) e no Centro-Oeste. O modelo aposta no profissional da obra e no pagamento à vista. O contra-ataque do lojista de rede é o que o atacarejo não entrega: crédito de balcão flexível, entrega rápida na cidade e vendedor que conhece a obra do cliente.
Fonte: Exame / Brazil Economy (junho/2026)Levantamento do setor mostra que a euforia da pandemia deu lugar a uma fase de expansão contida e fechamento de pontos pouco produtivos. Insumos básicos de obra estrutural e revestimentos de alto padrão perdem dinamismo, mas a natureza essencial do varejo segura a demanda: tinta, material hidráulico e elétrico básico e itens de manutenção e pequeno reparo seguem girando. A lição para a prateleira é priorizar a categoria de reposição, que não depende de obra nova para vender.
Fonte: InvestNews / Sincomavi (junho/2026)O Boletim Focus de 8 de junho subiu a projeção de inflação de 2026 de 5,09% para 5,11% — a 13ª alta seguida, ainda acima do teto da meta — e elevou a mediana da Selic de fim de ano de 13,25% para 13,50%. O dólar projetado para 2026 ficou em R$ 5,15 e o PIB em 1,91%. O Copom se reúne nos dias 16 e 17, e o IPCA de maio sai nesta sexta, 12. Juro firme por mais tempo trava financiamento e mantém o ciclo de reforma no centro da demanda.
Fonte: BM&C News / InfoMoney / Banco Central — Boletim Focus (08/06/2026)2026 é o ano-teste da reforma tributária, com alíquotas simbólicas de 0,1% de IBS e 0,9% de CBS na nota. Estudos do setor indicam que o preço de materiais como cimento, aço e cerâmica pode recuar até 4% com o novo modelo de créditos, mas o custo total de uma obra ou reforma tende a subir até 20%, porque serviço e mão de obra passam a pesar mais e geram menos crédito. Para a loja, o ângulo de venda é claro: material fica relativamente mais barato dentro do orçamento da obra.
Fonte: Fenafisco / Sienge / TOTVS (junho/2026)O FGV/Ibre calcula que a escalada de preços de insumos puxada pelo cenário externo — com reajustes recentes de PVC, cimento e vergalhão — pode adicionar 3,89 pontos percentuais ao INCC-M e levar o custo da construção a acumular alta de 9,72% em 2026. É o segundo ano seguido de pressão sobre o orçamento de obra. Na prática, o lojista precisa revisar tabela com frequência e proteger o giro dos itens de maior rotação.
Fonte: FGV/Ibre / Portas Inteligência (junho/2026)Quando uma loja grande da região fecha ou troca de dono, o cliente fica perdido por algumas semanas — e é nesse intervalo que ele escolhe a nova casa. Mapeie hoje quais unidades concorrentes estão em reestruturação no seu raio, prepare uma ação simples de boas-vindas (condição especial na primeira compra, cadastro rápido no fidelidade) e oriente o balcão a perguntar "onde o senhor costumava comprar?". Captar esse cliente agora vale muito mais do que disputá-lo depois que ele já criou novo hábito.