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Inteligência de Mercado, Rede Construai
Segunda-feira, 8 de junho de 2026
Rodolfo Norberto

Rodolfo Norberto

CEO, Rede Construai

Bom dia, pessoal. A semana abre com o tabuleiro do setor se concentrando em dois andares ao mesmo tempo: na indústria, Votorantim e J&F disputam a compra da CSN Cimentos, a segunda maior do país; no varejo, a Obramax, do grupo da Leroy, confirmou R$ 3,5 bilhões para abrir de 8 a 10 lojas de atacarejo por ano até 2028 — e já tem unidade em Minas. Some a isso a CSN anunciando aço 15% mais caro em dois meses, e o recado da segunda-feira é claro: quem compra firme e atende melhor que o atacarejo fica com o cliente. Hoje é dia de travar pedido de aço, reforçar contrato com a cimenteira e blindar a base de cliente fiel antes que o concorrente grande chegue mais perto.

Panorama do Dia

O movimento mais relevante para o lojista nesta segunda é a consolidação da indústria de base. A Votorantim, já a maior cimenteira do país, negocia — sozinha ou em parceria com a J&F — a compra da CSN Cimentos, a segunda maior do setor, que entrou na fila de venda de ativos da CSN para reduzir uma dívida líquida de R$ 41,2 bilhões. Se o negócio avançar, o mercado de cimento fica ainda mais concentrado em poucos grupos, e isso muda o poder de barganha do varejo na hora de negociar tabela, bonificação e prazo. Quem fechar contrato anual de cimento agora, antes de a fusão se desenhar, garante condição que pode não existir no segundo semestre.

No aço, a CSN anunciou reajuste de até 15% na linha, em duas etapas — 7,5% em junho e mais 7,5% em julho —, com preço médio do trimestre projetado de 5% a 7% acima do início do ano. A siderurgia nacional, que já vinha favorecida pela tarifa de importação, repõe margem com o mercado interno. Para o balcão, vergalhão, perfil e tela soldada ficam mais caros nas próximas semanas: a compra de junho precisa ser fechada antes que a nota nova chegue, ou a margem do trimestre vira prejuízo de prateleira.

No varejo, a pressão vem do atacarejo e do digital. A Obramax, do grupo Adeo, dona da Leroy Merlin, confirmou R$ 3,5 bilhões de investimento até 2028, com 8 a 10 lojas novas por ano e a primeira unidade dentro de shopping — e já opera em Minas. No digital, a MadeiraMadeira mostra para onde o varejo caminha: marketplace com mais de 300 sellers, retail media próprio e jornada híbrida que começa no celular e termina no balcão. No pano de fundo macro, o Ibovespa renovou recorde perto de 187 mil pontos, o dólar recua e o mercado espera o último corte da Selic em junho — sinal de que o dinheiro vai ficar um pouco mais barato no segundo semestre.

Notícias do Varejo

Votorantim e J&F disputam a compra da CSN Cimentos e mercado de cimento caminha para mais concentração

A CSN colocou ativos à venda para reduzir a dívida líquida, que fechou 2025 em R$ 41,2 bilhões, e a CSN Cimentos — segunda maior do país — virou alvo. A Votorantim, líder do setor, negocia a compra sozinha ou em parceria com a J&F, e o diretor da CSN afirma haver mais interessados do que o esperado. Para o lojista, a leitura é estratégica: se o cimento se concentrar em menos grupos, sobra menos espaço para negociar tabela e bonificação. Feche contrato anual agora, enquanto a concorrência entre as marcas ainda existe.

Fonte: Investidor10 / CNN Brasil / Suno (junho/2026)

Obramax, do grupo da Leroy, põe R$ 3,5 bi no atacarejo e mira 8 a 10 lojas por ano até 2028

O atacarejo de material de construção da Adeo (mesmo grupo da Leroy Merlin) faturou R$ 2,6 bilhões em 2025 e definiu R$ 3,5 bilhões de investimento até 2028, com 8 a 10 lojas novas por ano, 4 mil empregos e a primeira unidade dentro de shopping (Aricanduva, em São Paulo). Hoje são 12 lojas — seis no Rio, quatro em São Paulo, uma em Minas e uma no Espírito Santo —, com Londrina e o Centro-Oeste no radar. Para a rede mineira, o recado é direto: o atacarejo avança, e o diferencial do lojista de bairro é atendimento consultivo, crédito e entrega rápida, não preço de gôndola.

Fonte: Exame / Brazil Economy / Mercado&Consumo (fevereiro a junho/2026)

MadeiraMadeira aposta em marketplace e retail media e mostra para onde vai a jornada híbrida do setor

A MadeiraMadeira, líder de acesso em Casa & Decoração, opera modelo híbrido com mais de 300 sellers e cerca de 208 mil produtos, e lançou o Madeira Ads, unidade de retail media que gerou R$ 7 milhões em vendas num piloto de quatro meses, com retorno de 18 vezes sobre o investido. O consumidor de 2026 começa a compra no digital e fecha no ponto físico com apoio técnico. Para o lojista, a lição é montar catálogo organizado, link de pagamento na primeira mensagem e usar o WhatsApp e o Instagram como vitrine que leva o cliente até a loja.

Fonte: Giro News / E-Commerce Brasil / Gazeta do Povo (junho/2026)
Cenário Global e Regulatório

CSN anuncia aço até 15% mais caro em dois meses: 7,5% em junho e mais 7,5% em julho

A Companhia Siderúrgica Nacional informou reajuste de até 15% em toda a linha de aço, dividido em duas etapas — 7,5% em junho e 7,5% em julho —, com preço médio do segundo trimestre projetado de 5% a 7% acima do início do ano. A siderurgia nacional, já protegida pela tarifa de importação, repõe margem com o mercado interno. Para a loja, vergalhão CA-50, perfil e tela soldada sobem nas próximas semanas: trave o pedido de junho com Gerdau, ArcelorMittal e CSN antes de a primeira etapa de reajuste cair na nota.

Fonte: Suno / CNN Brasil (junho/2026)

Ibovespa renova recorde perto de 187 mil pontos, dólar recua e mercado espera último corte da Selic em junho

A bolsa brasileira atingiu máxima histórica em torno de 187 mil pontos, puxada pela proximidade do fim do ciclo de afrouxamento monetário. O dólar perdeu força no ano, com projeções convergindo para a faixa de R$ 5,15 a R$ 5,20, e o BofA avalia que o corte de junho será o último de 2026, com a Selic encerrando o ano em 13,5%. Para o varejo, dois efeitos: câmbio mais calmo ajuda a importar ferramenta e revestimento, e a perspectiva de juros menores no segundo semestre reaquece o cliente de reforma e de alto padrão.

Fonte: Seu Dinheiro / Exame / Money Times (junho/2026)

Economia de Minas cresce 2% no semestre, com construção em alta de 5,2% e 10,5 mil novos empregos no setor

A economia mineira manteve ritmo de crescimento, com alta de 2% no semestre, e a construção foi um dos destaques, avançando 5,2% — atrás apenas de utilidades públicas. Minas é o segundo estado que mais gera emprego na construção, com 10.481 novos postos, atrás somente de São Paulo. Somando os mais de R$ 6 bilhões em obras rodoviárias anunciados pelo estado e os investimentos em energia na RMBH, o canteiro mineiro segue aquecido. Para a rede, é demanda de cimento, aço e ferramenta no curto prazo e reforma no entorno das obras logo adiante.

Fonte: Agência Minas / Correio de Minas / Secretaria da Fazenda de Minas (junho/2026)
Cotações e Indicadores
Dólar Comercial
R$ 5,12
↓ Real valorizado no ano
Projeções convergem para a faixa de R$ 5,15 a R$ 5,20. Janela boa para fechar importação de ferramenta elétrica, revestimento e louça antes de qualquer ruído externo.
Taxa Selic
14,50%
→ Copom decide em 16-17/06
Mercado espera corte de 0,25 p.p., visto pelo BofA como o último do ciclo, com Selic a 13,5% no fim de 2026. Crédito direcionado de reforma segue como motor de venda.
Ibovespa
~187.000 pts
↑ Máxima histórica
Recorde puxado pela proximidade do fim do ciclo de juros. Mais apetite a risco reaquece investimento e reforma de alto padrão — público de tinta premium, louça e metal fino.
Aço CA-50 (Vergalhão 10mm)
R$ 57,90
↑ CSN +7,5% jun e +7,5% jul
Importado já encarecido pela tarifa. Trave volume com a siderurgia nacional antes da primeira etapa de reajuste cair na nota de junho.
Cimento CP II (Saco 50kg)
R$ 46,00
→ Patamar mantido
A disputa pela CSN Cimentos (Votorantim/J&F) sinaliza menos concorrência à frente. Feche contrato anual enquanto ainda há margem de negociação entre as marcas.
INCC-M (Acumulado 12 meses)
7,02%
↑ Acima do IPCA
Custo da obra segue subindo mais que a inflação oficial. Em contrato de obra com o cliente, use INCC-M como índice de reajuste; o IPCA defasa a margem da loja.
O Que Fazer Agora
1
Trave a compra de aço de junho ainda esta semana. Com a CSN anunciando +7,5% em junho e mais 7,5% em julho, ligue hoje para Gerdau, ArcelorMittal e CSN e feche volume de vergalhão, perfil e tela soldada na tabela atual. Cada pedido fechado antes da primeira etapa de reajuste é margem preservada no trimestre.
2
Feche contrato anual de cimento antes de a fusão se desenhar. Com Votorantim e J&F disputando a CSN Cimentos, o mercado caminha para mais concentração. Chegue na mesa da cimenteira com volume firmado e plano de exposição e garanta bonificação e prazo agora, enquanto a concorrência entre marcas ainda pressiona o preço.
3
Blinde sua base de cliente fiel contra o atacarejo. A Obramax vai abrir de 8 a 10 lojas por ano e já está em Minas. Você não ganha do atacarejo no preço de gôndola — ganha no atendimento consultivo, no crédito de balcão, na entrega rápida e na relação com o profissional da obra. Reforce o programa de fidelidade do pedreiro esta semana.
4
Transforme o digital em vitrine que leva à loja. A MadeiraMadeira prova que a jornada começa no celular. Organize o catálogo no WhatsApp Business, coloque link de pagamento na primeira mensagem e poste combos no Instagram. Cliente que recebe orçamento digital fecha mais rápido — e ainda vai à loja buscar apoio técnico.
5
Mapeie as obras de Minas no raio da sua loja. Com a construção mineira crescendo 5,2%, 10,5 mil novos empregos no setor e mais de R$ 6 bi em rodovias, o canteiro está aberto perto de você. Ligue para as empreiteiras da região e ofereça convênio de fornecimento de EPI, ferramenta, cimento de obra e consumo diário.
Dica do Dia
Para o Gerente e o Vendedor

Contra o atacarejo, venda a relação — não o preço

Quando o cliente disser que viu o saco de cimento mais barato no atacarejo da cidade grande, não entre na guerra de centavos. Responda com o que a loja de bairro tem e o galpão não tem: "Aqui o senhor fala com quem entende de obra, leva fiado quando precisa, recebe em casa hoje e, se faltar uma peça, resolve no telefone." O atacarejo vende metro quadrado de prateleira; a gente vende confiança e solução. Treine o time para abrir a conversa pela necessidade da obra, não pela tabela — é assim que a rede mineira segue ganhando o cliente que o concorrente grande não consegue atender.