Bom dia, pessoal. O dia chega com um sinal raro de coexistência: o IPCA-15 desacelerou para 0,62% em maio, o INCC-M caiu de 1,04% para 0,77% no mesmo mês e o desemprego do 1º trimestre fechou em 6,1%, menor número da história da PNAD. Custo de obra cede no atacado, bolso do brasileiro segue empregado e a Gerdau mostrou que o Brasil derreteu 47% em EBITDA enquanto os EUA carregam o resultado. Hoje é dia de aproveitar a janela: renegociar tabela com indústria, recolocar argumento de "agora é hora" para o cliente que tem trabalho e revisar mix antes que junho chegue.
O cenário macro abre quinta-feira com três leituras que abrem espaço para o varejo. O IPCA-15 de maio, divulgado ontem pelo IBGE, veio em 0,62% — desaceleração de 27 pontos-base frente ao 0,89% de abril, ainda que o acumulado de 12 meses tenha subido para 4,64%. Energia elétrica residencial (+2,16%) e alimentos seguem como vilões, mas o núcleo cede. O INCC-M de maio, divulgado pela FGV, registrou alta de 0,77% (vs 1,04% em abril), com a categoria Materiais e Equipamentos recuando de 1,40% para 1,08%. O custo de obra ainda sobe, mas em ritmo menor — primeira sinalização clara desde fevereiro de que a pressão de insumos está perdendo fôlego.
No mercado de trabalho, a PNAD Contínua do 1º trimestre trouxe a foto mais favorável da série: desemprego em 6,1%, menor patamar histórico do indicador, com população ocupada subindo 2,7% interanual e emprego formal avançando 3,6%. Em paralelo, o IBC-Br do Banco Central — prévia do PIB — apontou alta de 1,3% no trimestre, melhor leitura desde o 3º trimestre de 2024. A combinação de bolso empregado e atividade firme sustenta o tíquete da loja, mas reduz o espaço para o Copom acelerar cortes de juros: o mercado já trabalha com Selic ancorada acima dos dois dígitos por mais tempo.
No setor, a Gerdau publicou 1T26 com lucro de R$ 1 bilhão (+33,6% interanual), mas o resultado consolidado foi sustentado pela operação dos EUA, que respondeu por 75% do EBITDA. A operação Brasil teve queda de 16% no lucro bruto e EBITDA encolhendo 47% no comparativo anual, com pressão de preço doméstico e custo de matéria-prima. Para o lojista, o recado é estratégico: oferta de vergalhão e perfis no mercado interno tende a se manter farta nas próximas semanas, com siderúrgicas dispostas a girar volume — janela direta para renegociar tabela e prazo antes do reajuste de junho.
O Índice Nacional de Custo da Construção - M da FGV registrou alta de 0,77% em maio, queda de 27 pontos-base frente ao 1,04% de abril, com o acumulado de 12 meses em 6,82%. O destaque foi a categoria Materiais e Equipamentos, que recuou de 1,40% para 1,08% — primeira desaceleração relevante do ano. Para o lojista, é a janela mais clara desde fevereiro para renegociar tabela com indústria de cimento, argamassa, aço e PVC antes do reajuste contratual de junho. Quem fechar pedido grande nas próximas 10 dias preserva margem do trimestre inteiro.
Fonte: FGV/IBRE — Portal FGV (maio/2026)Pesquisa Anamaco com cerca de 2 mil lojistas mostra que o WhatsApp se consolidou como principal canal entre físico e digital, operando em 97% das lojas do setor. No grupo das pequenas e médias empresas, a adoção de e-commerce praticamente dobrou no último ciclo, atingindo 20%, enquanto o grande varejo chegou a 56% de maturidade digital. Para o lojista regional, não basta abrir conta de Instagram — o WhatsApp precisa virar caixa: orçamento estruturado, catálogo organizado, link de pagamento na primeira mensagem. Cliente que abre conversa no celular fecha o pedido três vezes mais rápido que o que pede simples ligação.
Fonte: Anamaco — Pesquisa do Varejo / E-Commerce Brasil (maio/2026)A associação intensificou conversas com Sebrae e Banco do Brasil para destravar capital de giro, capacitação e linhas direcionadas a pequenos e médios lojistas de matcon. O movimento mira proteger o caixa do varejo regional em um ano em que vendas do segmento recuaram de 3% a 5% no acumulado janeiro-abril e indústria ainda sinaliza reajustes. Para a rede mineira, vale acompanhar de perto e adiantar cadastro nas linhas que devem sair do papel no segundo semestre — quem entrar primeiro pega taxa melhor e limite maior.
Fonte: Anamaco — Voz do Varejo (maio/2026)O IBGE divulgou esta semana o resultado da PNAD Contínua do 1º trimestre de 2026: taxa de desocupação de 6,1%, menor patamar já registrado pela pesquisa. População ocupada cresce 2,7% interanual e emprego formal avança 3,6%, sustentado por serviços e construção. Para o varejo, é o melhor leitura possível para o cliente de balcão: bolso empregado, renda real subindo e disposição para reformar o imóvel atual. Hora de afinar argumento de venda na pintura, hidráulica e elétrica, categorias que reagem primeiro quando renda volta a subir.
Fonte: IBGE — PNAD Contínua / Agência Brasil (maio/2026)O Índice de Atividade Econômica do Banco Central, prévia oficial do PIB, avançou 1,3% no 1º trimestre — maior ritmo desde o 3º tri de 2024. Serviços e consumo das famílias puxaram. A leitura imediata é que o mercado financeiro recuou nas apostas de cortes acelerados da Selic: a ata mais recente do Copom já indicava hiato do produto positivo, ou seja, economia operando acima do considerado neutro. Para o varejo, crédito ao consumidor segue caro, mas a demanda de fundo está firme — o jogo é tíquete e mix, não fluxo bruto.
Fonte: Banco Central — IBC-Br / Economic News Brasil (18/05/2026)A Gerdau publicou no fim de abril lucro líquido ajustado de R$ 1 bilhão no 1º trimestre, alta de 33,6% interanual, com EBITDA consolidado de R$ 2,95 bilhões. Quase 75% do resultado veio das operações dos EUA, onde o lucro bruto quase dobrou (+93%). No Brasil, o cenário é oposto: lucro bruto cai 16% e EBITDA encolhe 47% na comparação anual, com preço doméstico sob pressão. Para o lojista, é sinal direto de que vergalhão, perfis e tela soldada terão oferta interna farta e siderúrgica disposta a negociar prazo nas próximas semanas — recado para travar pedido grande agora.
Fonte: Gerdau RI / Seu Dinheiro / Money Times (abril-maio/2026)Quando o cliente disser "tá apertado" ou "vou esperar baixar", responda com dado: "O desemprego no Brasil está em 6,1%, menor da história, e a renda média subiu 2,7%. O senhor está trabalhando, sua renda subiu. Custo de material está cedendo. Esse alinhamento dura pouco — a obra que o senhor adia agora vai custar mais cara em junho." Não é discurso de pressão, é argumento real: INCC-M caiu, IBC-Br subiu, mercado de trabalho aquecido. Quem entender que o ciclo virou neste mês fecha venda hoje.