
Bom dia, pessoal. Três notícias mexem com a nossa semana. O Copom oficializou ontem o corte de 0,25 ponto na Selic, fechando em 14,50% ao ano, mas a ata veio em tom duro: a inflação projetada de 4,6% já bate no teto da meta, o IPCA-15 acelerou para 4,37% em 12 meses e o BC reduziu a margem para novos cortes. A segunda é o setor de tintas: a Sherwin-Williams fechou a compra da Suvinil da BASF por R$ 6,57 bilhões e vira protagonista absoluta do mercado de decorativas no Brasil. E a terceira é o nosso ramo: o varejo de material de construção subiu 0,6% em março e acumula alta de 5,2% em doze meses, segundo o IBGE — o setor está crescendo, mas quem ganha share é quem se prepara antes do concorrente.
O Copom oficializou ontem o corte de 0,25 ponto na Selic, levando a taxa básica para 14,50% ao ano. O movimento era esperado, mas a sinalização da ata trouxe o recado mais relevante para o nosso setor: a projeção do BC para a inflação de 2026 está em 4,6%, acima do teto da meta de 4,5%, e o IPCA-15 de abril veio em 0,89%, o maior nível desde junho de 2022. Em outras palavras, o ciclo de cortes está perto do fim, com o mercado migrando expectativas de Selic terminal para algo entre 13% e 13,5% em vez dos 12,5% que se discutia em abril. Para o varejo de construção, isso significa que o crediário próprio segue caro, o crédito imobiliário segue limitado, e a janela de juros baixos demora mais para chegar à prateleira do consumidor.
No tabuleiro da indústria, o anúncio da Sherwin-Williams comprando a Suvinil da BASF por US$ 1,15 bilhão (cerca de R$ 6,57 bilhões) reorganiza inteiramente o segmento de tintas decorativas. A Suvinil opera duas plantas no Brasil, emprega cerca de mil pessoas e fatura aproximadamente US$ 525 milhões ao ano. A norte-americana já era forte em tintas industriais e em rede própria de lojas — agora controla a marca mais reconhecida do consumidor brasileiro. Para a rede regional, são duas leituras: pode haver pressão de margem se a integração logística da Sherwin reduzir o número de distribuidores autorizados, mas também surge oportunidade de negociar contrato direto com a marca em transição, antes que a estratégia comercial nova se consolide nos próximos seis meses.
No retrato do consumo, a Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE de março trouxe o que faltava: o varejo brasileiro cresceu 0,8% no mês e atingiu o maior patamar da série iniciada em 2000. Material de construção avançou 0,6% em março ante fevereiro e acumula alta de 5,2% nos últimos doze meses. O comércio ampliado, que inclui veículos e construção, subiu 1,9% no mês — um dos melhores desempenhos do ano. A leitura é direta: quem está reclamando de tráfego está perdendo para quem ajustou exposição, treinou time e atualizou política comercial. Maio e junho têm tudo para repetir esse padrão, com o pico de Dia das Mães neste fim de semana ancorando uma janela curta e forte.
A norte-americana Sherwin-Williams concluiu o acordo para a aquisição da divisão de tintas arquitetônicas da BASF no Brasil, incluindo a marca Suvinil, por US$ 1,15 bilhão (aproximadamente R$ 6,57 bilhões). A operação envolve duas plantas industriais em São Paulo, mil empregados e faturamento de cerca de US$ 525 milhões em 2024. A Sherwin já operava no Brasil com marcas próprias e rede de lojas e agora consolida posição com a marca de maior reconhecimento espontâneo entre consumidores e pintores profissionais. O movimento espelha o que aconteceu na Saint-Gobain–Telhanorte: multinacionais reorganizam portfólio em mercado de margem apertada e operadores especializados ganham espaço. Para a rede de matcons, é janela curta para renegociar contrato com a Suvinil em transição e definir mix de tintas para o segundo semestre.
Fonte: CNN Brasil / InvestNews / Sherwin-Williams Brasil / Galpão das Máquinas (abril-maio/2026)A Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE divulgada em maio mostra que o varejo brasileiro cresceu 0,8% em março, com o segmento de Material de Construção avançando 0,6% no mês e 5,2% na comparação com março de 2025. O comércio ampliado, que soma material de construção e veículos ao varejo regular, subiu 1,9% — um dos maiores avanços mensais do ano. A pesquisa confirma o cenário de expansão moderada e sustentada já apontado pela CBIC e SindusCon-SP. Para a Rede Construai, é dado de uso prático: serve para benchmarking de loja (quem cresceu acima dos 5,2% está ganhando share, quem cresceu abaixo está perdendo) e para argumento comercial com fornecedores na hora de negociar bonificação por volume.
Fonte: IBGE / PMC / Agência Gov / FashionNetwork (maio/2026)O Sinduscon-CE realiza nesta semana o Conecta Construção 2026 na sede da FIEC em Fortaleza, com programação concentrada em tecnologia para canteiro, novos modelos de gestão e estratégias para enfrentar a alta de custos de insumos. O evento mira o profissional de obra e o varejo regional do Nordeste, região que liderou geração de empregos formais na construção em 2026. A agenda inclui painéis com Abramat, Anamaco e Federação das Indústrias do Ceará, além de apresentação dos métodos industrializados (Light Steel Frame e modular) que estão entrando com força no segmento popular. Para gerentes de loja na região, é oportunidade de atualização técnica e prospecção comercial num único evento.
Fonte: FIEC / Sinduscon-CE / Sinduscon-MG (maio/2026)O Comitê de Política Monetária reduziu a Selic em 0,25 ponto na reunião de 6 e 7 de maio, levando a taxa básica para 14,50% ao ano. O comunicado e a ata, no entanto, vieram em tom mais duro: o BC projeta IPCA de 4,6% para 2026, já acima do teto da meta (4,5%), e admite que parte da inflação atual decorre de choques externos relacionados à guerra no Oriente Médio. O mercado migrou rapidamente expectativa de Selic terminal de 12,5% para algo entre 13% e 13,5%. Para o varejo de construção, o impacto é em duas frentes: o crediário próprio continua caro com CDI ainda elevado, e a desaceleração do ritmo de cortes adia a chegada de juros mais baixos no crédito imobiliário e no consignado, dois motores do tíquete alto.
Fonte: Banco Central / Agência Brasil / InfoMoney / Brasil 247 (7-8 de maio de 2026)O Ministério da Fazenda publicou em 30 de abril o regulamento preliminar da CBS, e o Comitê Gestor do IBS publicou o regulamento equivalente do imposto estadual com regras espelhadas. O texto detalha não-cumulatividade, regras de crédito tributário, períodos de teste do Split Payment e cronograma de obrigações acessórias. A consulta pública via canal "Receita Atende" fica aberta até 31 de maio. Para o varejo de material de construção, é oportunidade de submeter contribuição via Anamaco, Abramat ou CBIC sobre pontos críticos do setor: tratamento de frete, devolução de mercadoria, consignação com construtora e regime de bonificação. Quem participa da consulta agora tem voz na versão final que sai no segundo semestre.
Fonte: Ministério da Fazenda / Receita Federal / Comitê Gestor do IBS / CBIC (30/04 a maio/2026)O Índice Nacional de Custo da Construção fechou abril em 1,4%, a maior elevação mensal desde junho de 2022. Pelo levantamento da CBIC, o índice de preço médio dos insumos atingiu 68,4 pontos no primeiro trimestre de 2026, o maior patamar desde o segundo trimestre de 2022. A combinação de pressão de combustíveis, alta global de minério e câmbio ainda volátil empurra para cima cimento, aço, PVC, tintas e revestimentos cerâmicos. A CBIC já revisou para baixo a projeção de crescimento do PIB da construção de 2,0% para 1,2% em 2026 considerando o cenário de custos. Para o lojista, a leitura é que a pressão de margem que veio em abril não é evento isolado — é tendência que segue até o terceiro trimestre.
Fonte: FGV / IBRE / CBIC / Conjuntura da Construção (abril-maio/2026)Em qualquer aquisição grande, a equipe comercial da empresa adquirida fica em modo de transição por 90 a 120 dias. As metas estão indefinidas, a estrutura nova ainda não chegou, e o time atual quer garantir resultado imediato para se posicionar bem na integração. É exatamente nesse momento que se renegocia tabela: peça bonificação extra para fechamento de anual, exclusividade de duas linhas premium em loja-conceito e prioridade em entrega na semana de Dia dos Pais. Faça em uma reunião só, com decisor regional, e feche por escrito. Quem espera a fumaça baixar negocia com o gerente novo, que vai vir com tabela mais dura.