Construai
Newsletter do CEO
Inteligência de Mercado, Rede Construai
SEXTA-FEIRA, 8 DE MAIO DE 2026
Rodolfo Norberto

Rodolfo Norberto

CEO, Rede Construai

Bom dia, pessoal. Três notícias mexem com a nossa semana. O Copom oficializou ontem o corte de 0,25 ponto na Selic, fechando em 14,50% ao ano, mas a ata veio em tom duro: a inflação projetada de 4,6% já bate no teto da meta, o IPCA-15 acelerou para 4,37% em 12 meses e o BC reduziu a margem para novos cortes. A segunda é o setor de tintas: a Sherwin-Williams fechou a compra da Suvinil da BASF por R$ 6,57 bilhões e vira protagonista absoluta do mercado de decorativas no Brasil. E a terceira é o nosso ramo: o varejo de material de construção subiu 0,6% em março e acumula alta de 5,2% em doze meses, segundo o IBGE — o setor está crescendo, mas quem ganha share é quem se prepara antes do concorrente.

Panorama do Dia

O Copom oficializou ontem o corte de 0,25 ponto na Selic, levando a taxa básica para 14,50% ao ano. O movimento era esperado, mas a sinalização da ata trouxe o recado mais relevante para o nosso setor: a projeção do BC para a inflação de 2026 está em 4,6%, acima do teto da meta de 4,5%, e o IPCA-15 de abril veio em 0,89%, o maior nível desde junho de 2022. Em outras palavras, o ciclo de cortes está perto do fim, com o mercado migrando expectativas de Selic terminal para algo entre 13% e 13,5% em vez dos 12,5% que se discutia em abril. Para o varejo de construção, isso significa que o crediário próprio segue caro, o crédito imobiliário segue limitado, e a janela de juros baixos demora mais para chegar à prateleira do consumidor.

No tabuleiro da indústria, o anúncio da Sherwin-Williams comprando a Suvinil da BASF por US$ 1,15 bilhão (cerca de R$ 6,57 bilhões) reorganiza inteiramente o segmento de tintas decorativas. A Suvinil opera duas plantas no Brasil, emprega cerca de mil pessoas e fatura aproximadamente US$ 525 milhões ao ano. A norte-americana já era forte em tintas industriais e em rede própria de lojas — agora controla a marca mais reconhecida do consumidor brasileiro. Para a rede regional, são duas leituras: pode haver pressão de margem se a integração logística da Sherwin reduzir o número de distribuidores autorizados, mas também surge oportunidade de negociar contrato direto com a marca em transição, antes que a estratégia comercial nova se consolide nos próximos seis meses.

No retrato do consumo, a Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE de março trouxe o que faltava: o varejo brasileiro cresceu 0,8% no mês e atingiu o maior patamar da série iniciada em 2000. Material de construção avançou 0,6% em março ante fevereiro e acumula alta de 5,2% nos últimos doze meses. O comércio ampliado, que inclui veículos e construção, subiu 1,9% no mês — um dos melhores desempenhos do ano. A leitura é direta: quem está reclamando de tráfego está perdendo para quem ajustou exposição, treinou time e atualizou política comercial. Maio e junho têm tudo para repetir esse padrão, com o pico de Dia das Mães neste fim de semana ancorando uma janela curta e forte.

Notícias do Varejo

Sherwin-Williams fecha compra da Suvinil da BASF por R$ 6,57 bi e vira líder em tintas decorativas no Brasil

A norte-americana Sherwin-Williams concluiu o acordo para a aquisição da divisão de tintas arquitetônicas da BASF no Brasil, incluindo a marca Suvinil, por US$ 1,15 bilhão (aproximadamente R$ 6,57 bilhões). A operação envolve duas plantas industriais em São Paulo, mil empregados e faturamento de cerca de US$ 525 milhões em 2024. A Sherwin já operava no Brasil com marcas próprias e rede de lojas e agora consolida posição com a marca de maior reconhecimento espontâneo entre consumidores e pintores profissionais. O movimento espelha o que aconteceu na Saint-Gobain–Telhanorte: multinacionais reorganizam portfólio em mercado de margem apertada e operadores especializados ganham espaço. Para a rede de matcons, é janela curta para renegociar contrato com a Suvinil em transição e definir mix de tintas para o segundo semestre.

Fonte: CNN Brasil / InvestNews / Sherwin-Williams Brasil / Galpão das Máquinas (abril-maio/2026)

Material de construção sobe 0,6% em março e acumula alta de 5,2% no varejo, melhor patamar da série histórica

A Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE divulgada em maio mostra que o varejo brasileiro cresceu 0,8% em março, com o segmento de Material de Construção avançando 0,6% no mês e 5,2% na comparação com março de 2025. O comércio ampliado, que soma material de construção e veículos ao varejo regular, subiu 1,9% — um dos maiores avanços mensais do ano. A pesquisa confirma o cenário de expansão moderada e sustentada já apontado pela CBIC e SindusCon-SP. Para a Rede Construai, é dado de uso prático: serve para benchmarking de loja (quem cresceu acima dos 5,2% está ganhando share, quem cresceu abaixo está perdendo) e para argumento comercial com fornecedores na hora de negociar bonificação por volume.

Fonte: IBGE / PMC / Agência Gov / FashionNetwork (maio/2026)

FIEC sedia Conecta Construção 2026 em Fortaleza com foco em tecnologia e custos para o varejo

O Sinduscon-CE realiza nesta semana o Conecta Construção 2026 na sede da FIEC em Fortaleza, com programação concentrada em tecnologia para canteiro, novos modelos de gestão e estratégias para enfrentar a alta de custos de insumos. O evento mira o profissional de obra e o varejo regional do Nordeste, região que liderou geração de empregos formais na construção em 2026. A agenda inclui painéis com Abramat, Anamaco e Federação das Indústrias do Ceará, além de apresentação dos métodos industrializados (Light Steel Frame e modular) que estão entrando com força no segmento popular. Para gerentes de loja na região, é oportunidade de atualização técnica e prospecção comercial num único evento.

Fonte: FIEC / Sinduscon-CE / Sinduscon-MG (maio/2026)
Cenário Global e Regulatório

Copom corta Selic para 14,50% e ata sinaliza cautela com inflação acima do teto da meta

O Comitê de Política Monetária reduziu a Selic em 0,25 ponto na reunião de 6 e 7 de maio, levando a taxa básica para 14,50% ao ano. O comunicado e a ata, no entanto, vieram em tom mais duro: o BC projeta IPCA de 4,6% para 2026, já acima do teto da meta (4,5%), e admite que parte da inflação atual decorre de choques externos relacionados à guerra no Oriente Médio. O mercado migrou rapidamente expectativa de Selic terminal de 12,5% para algo entre 13% e 13,5%. Para o varejo de construção, o impacto é em duas frentes: o crediário próprio continua caro com CDI ainda elevado, e a desaceleração do ritmo de cortes adia a chegada de juros mais baixos no crédito imobiliário e no consignado, dois motores do tíquete alto.

Fonte: Banco Central / Agência Brasil / InfoMoney / Brasil 247 (7-8 de maio de 2026)

Reforma Tributária: regulamento de CBS e IBS abre consulta pública até 31 de maio com impacto direto no varejo

O Ministério da Fazenda publicou em 30 de abril o regulamento preliminar da CBS, e o Comitê Gestor do IBS publicou o regulamento equivalente do imposto estadual com regras espelhadas. O texto detalha não-cumulatividade, regras de crédito tributário, períodos de teste do Split Payment e cronograma de obrigações acessórias. A consulta pública via canal "Receita Atende" fica aberta até 31 de maio. Para o varejo de material de construção, é oportunidade de submeter contribuição via Anamaco, Abramat ou CBIC sobre pontos críticos do setor: tratamento de frete, devolução de mercadoria, consignação com construtora e regime de bonificação. Quem participa da consulta agora tem voz na versão final que sai no segundo semestre.

Fonte: Ministério da Fazenda / Receita Federal / Comitê Gestor do IBS / CBIC (30/04 a maio/2026)

INCC-M sobe 1,4% em abril, maior alta desde junho de 2022, e índice de insumos atinge pico de 4 anos

O Índice Nacional de Custo da Construção fechou abril em 1,4%, a maior elevação mensal desde junho de 2022. Pelo levantamento da CBIC, o índice de preço médio dos insumos atingiu 68,4 pontos no primeiro trimestre de 2026, o maior patamar desde o segundo trimestre de 2022. A combinação de pressão de combustíveis, alta global de minério e câmbio ainda volátil empurra para cima cimento, aço, PVC, tintas e revestimentos cerâmicos. A CBIC já revisou para baixo a projeção de crescimento do PIB da construção de 2,0% para 1,2% em 2026 considerando o cenário de custos. Para o lojista, a leitura é que a pressão de margem que veio em abril não é evento isolado — é tendência que segue até o terceiro trimestre.

Fonte: FGV / IBRE / CBIC / Conjuntura da Construção (abril-maio/2026)
Cotações e Indicadores
Taxa Selic (Copom 7/05)
14,50%
↓ Corte de 0,25 p.p. oficializado; ciclo perto do fim
BC sinaliza cautela com inflação no teto. Mercado migra terminal de 12,5% para 13-13,5%. Crediário próprio segue caro — foque em linha subsidiada (MCMV, Reforma Casa Brasil).
IPCA-15 (Abril/2026)
+0,89%
↑ Acelerou de 3,9% para 4,37% em 12 meses
Maior nível desde junho de 2022. Pressão de combustíveis e alimentos. Inflação persistente segura corte mais forte da Selic e mantém crédito caro.
Dólar Comercial
R$ 4,96
→ 5ª semana abaixo de R$ 5; Focus mantém R$ 5,25 fim de ano
Janela ainda aberta para travar pedido de ferramenta elétrica e revestimento importado. Volatilidade pode aumentar com fim do ciclo de cortes.
Material de Construção (PMC IBGE 12 meses)
+5,2%
↓ Março 2026 sobre março 2025; +0,6% no mês
Comércio ampliado avançou 1,9% em março. Use o índice como benchmark da loja: crescer abaixo de 5,2% é perder share para concorrência.
INCC-M (Abril/2026)
+1,4%
↑ Maior alta desde junho/2022; 12 meses acelerando
Insumos no maior patamar em 4 anos. CBIC revisou PIB da construção de 2,0% para 1,2%. Repasses de cimento, aço e tintas seguem a pleno vapor.
Cimento CP II, Saco 50kg
R$ 46–48
↑ Patamar mantido após ondas de reajuste; SP já em R$ 48
Votorantim sinalizou nova rodada de até R$ 2,80/saco. Trave volume com fornecedor antes do próximo repasse e priorize mix de obra.
O Que Fazer Agora
1
Recalibre o crediário com base na Selic em 14,50% e sinalização de fim de ciclo. Com o BC mais cauteloso, o CDI segue acima de 13,5% e o custo da casa para parcelamento próprio fica no mesmo patamar. Em vez de prometer juros mais baixos no balcão, foque em condição de prazo (até 12x sem juros para tíquete alto, 6x para médio) e direcione cliente de obra para linhas subsidiadas como Reforma Casa Brasil e MCMV. A mensagem para o time é: a Selic baixou, mas o crédito ainda não.
2
Abra conversa com a equipe Suvinil esta semana antes da integração com a Sherwin. Em transição de M&A, a tabela de bonificação, política de devolução e cronograma de campanha promocional ficam abertos por algumas semanas até a nova diretoria comercial assumir. É a janela para travar contrato anual de tintas decorativas com bonificação acima do padrão e garantir exclusividade de exposição em pelo menos uma das marcas afetadas (Suvinil, Glasu! e Sparlack). Quem age primeiro garante condição até dezembro.
3
Compare o crescimento de cada loja com a média setorial de 5,2% nos últimos 12 meses. O índice do IBGE virou benchmark direto: pegue o histórico mensal por unidade e classifique as lojas em três grupos (acima de 5,2%, na média e abaixo). Para cada grupo, defina ação distinta — premiação para destaques, plano de aceleração com auditoria de mix e treinamento para os intermediários, e plano de virada urgente com mudança de exposição e gerente para os abaixo. Em três meses, ou a loja vira ou troca de comando.
4
Submeta contribuição à consulta pública da Reforma Tributária via Anamaco até 31 de maio. A regulamentação de CBS e IBS está aberta para sugestões até o fim do mês e quatro pontos críticos do varejo de matcons precisam de ajuste fino: tratamento de frete (CIF vs FOB), devolução com sazonalidade pesada, consignação com construtora e bonificação por volume. Mande os pontos para a Anamaco esta semana e cobre que a entidade leve em bloco. Sem voz, o setor recebe regra desenhada para varejo geral.
5
Prepare a virada do fim de semana de Dia das Mães para a venda da semana que vem. O cliente que entra sábado para presente reformista volta na quarta com a obra começada. Treine o time para coletar telefone com proposta de orçamento detalhado por ambiente: "Faço para a senhora amanhã o orçamento completo do banheiro com tudo entregue na quinta." Vai virar um ciclo curto: presente sábado, obra começando no meio da semana, kit de acabamento fechado na sexta. Quem não captura o telefone, atende uma vez e perde o resto.
Dica do Dia
Para o gerente de compras

Janela de transição da Suvinil é o momento de renegociar tinta decorativa

Em qualquer aquisição grande, a equipe comercial da empresa adquirida fica em modo de transição por 90 a 120 dias. As metas estão indefinidas, a estrutura nova ainda não chegou, e o time atual quer garantir resultado imediato para se posicionar bem na integração. É exatamente nesse momento que se renegocia tabela: peça bonificação extra para fechamento de anual, exclusividade de duas linhas premium em loja-conceito e prioridade em entrega na semana de Dia dos Pais. Faça em uma reunião só, com decisor regional, e feche por escrito. Quem espera a fumaça baixar negocia com o gerente novo, que vai vir com tabela mais dura.