Construai
Newsletter do CEO
Inteligência de Mercado, Rede Construai
TERÇA-FEIRA, 5 DE MAIO DE 2026
Rodolfo Norberto

Rodolfo Norberto

CEO, Rede Construai

Bom dia, pessoal. A Saint-Gobain oficializou ontem a venda da Telhanorte para a Tauá Partners e saiu de vez do varejo de materiais no Brasil. São 27 lojas, 1.650 funcionários e R$ 1 bilhão de faturamento trocando de mão. A multinacional que dominou a indústria de argamassa e gesso preferiu largar o balcão e ficar só no canteiro. O recado para a rede é claro: o varejo de construção está se consolidando, os grandes com margem apertada estão saindo e quem fica precisa ser mais eficiente. Essa semana é para olhar o jogo de xadrez do setor e posicionar peças enquanto a concorrência se reorganiza.

Panorama do Dia

A venda da Telhanorte é o evento mais relevante da semana para o varejo de construção. A Saint-Gobain, dona de marcas como Quartzolit, Brasilit e Placo, decidiu que não vale mais a pena operar loja no Brasil. Depois de vender a Tumelero em dezembro de 2025, agora se desfaz da Telhanorte e encerra qualquer atividade de distribuição no país. O motivo declarado é "simplificação de portfólio", mas a leitura do mercado é direta: crédito caro, consumo seletivo e margens espremidas tornaram o varejo físico de construção um negócio difícil para quem não tem escala regional e eficiência operacional como prioridade absoluta. Para a Rede Construai, é oportunidade de capturar clientes, profissionais e até talentos comerciais que ficam órfãos na transição.

No macro, o Boletim Focus divulgado ontem trouxe a oitava elevação consecutiva na projeção do IPCA para 2026: agora em 4,89%, praticamente no teto da meta. A Selic terminal segue em 13% e o PIB projetado em 1,85%. O dólar se mantém na faixa de R$ 4,96, abaixo dos R$ 5 pela quinta semana consecutiva. O cenário é de inflação persistente com crescimento moderado — o que para o varejo de construção significa custos subindo enquanto o poder de compra do consumidor fica estagnado. Gestão de margem virou competência de sobrevivência.

Na frente de custos, as siderúrgicas comunicaram reajuste de 8% nos preços do aço para maio, afetando vergalhões, telas e perfis — materiais que respondem por parcela relevante do giro de lojas com perfil de obra. Somado ao INCC-M de 1,04% em abril e ao cimento que já chegou a R$ 48 em algumas praças, o lojista enfrenta a terceira onda de repasses do ano. A diferença desta vez é que o consumidor já está cauteloso e não absorve preço sem resistência — a saída é negociar volume com fornecedor e repassar com inteligência, priorizando os itens de maior giro.

Notícias do Varejo

Saint-Gobain vende Telhanorte para Tauá Partners e abandona o varejo de construção no Brasil

A multinacional francesa Saint-Gobain assinou acordo para a cessão da Telhanorte à gestora Tauá Partners, encerrando toda operação de distribuição de materiais de construção no país. A rede opera 27 lojas (majoritariamente em São Paulo), um centro logístico e emprega cerca de 1.650 pessoas. O faturamento em 2025 foi de 180 milhões de euros (aproximadamente R$ 1,04 bilhão). A conclusão da transação está prevista para o primeiro semestre de 2026. A Saint-Gobain já havia vendido a Tumelero em dezembro de 2025. A estratégia é focar em marcas industriais de alta margem (Quartzolit, Brasilit, Placo) e sair do balcão de vendas ao consumidor final.

Fonte: Seu Dinheiro / Diário do Grande ABC / Giro News (4 de maio de 2026)

Boletim Focus eleva IPCA de 2026 para 4,89% na oitava semana de alta e reforça aperto inflacionário

O relatório Focus divulgado pelo Banco Central em 5 de maio trouxe nova revisão para cima da inflação esperada em 2026: a mediana subiu de 4,86% para 4,89%, encostando no teto da meta de 4,50% pela oitava semana consecutiva. A Selic terminal foi mantida em 13% e o PIB projetado ficou estável em 1,85%. O dólar para o fim do ano segue em R$ 5,25. O cenário pressiona o varejo de construção por dois lados: custo de reposição subindo pela inflação de insumos e crédito livre permanecendo caro enquanto a Selic não recua mais rápido.

Fonte: InfoMoney / Gazeta Mercantil / BMC News (4-5 de maio de 2026)

Siderúrgicas comunicam reajuste de 8% no aço para maio e pressionam custo de obra

As principais siderúrgicas do país — Gerdau, ArcelorMittal e CSN — comunicaram aos distribuidores elevação de 8% nos preços do aço longo e plano a partir de maio, afetando vergalhões, chapas, perfis, telas e treliças. O reajuste reflete a alta global do minério de ferro e custos energéticos elevados, agravados pela guerra no Oriente Médio. Para o varejo de construção, o impacto é direto: o vergalhão CA-50 10mm, que estava na faixa de R$ 52-54, deve migrar para R$ 56-58 por barra de 12m nas próximas semanas. Negocie volume e trave preço antes que o novo patamar se consolide na cadeia.

Fonte: CNPL / Portal Siderurgia Brasil / Sienge (maio/2026)
Cenário Global e Regulatório

Novo PAC atinge 70,8% de execução e libera R$ 39 bi para saneamento, saúde e educação

O governo federal informou que 70,8% dos R$ 1,3 trilhão do Novo PAC (2023-2026) já foram executados. Na última rodada, foram liberados R$ 39,3 bilhões para obras de saneamento (abastecimento de água urbano e rural, esgotamento sanitário), saúde e educação. Foram contempladas 218 propostas estaduais e 70 municipais em todo o país. Para o varejo de materiais, a execução acelerada do PAC significa canteiro ativo nas cidades, demanda por tubos, conexões, cimento, impermeabilizantes e material de acabamento para unidades públicas em construção ou reforma.

Fonte: Agência Brasil / Planalto (dezembro/2025-maio/2026)

Paraná libera R$ 372 milhões para obras em 10 municípios e aquece canteiro regional

O governador Carlos Massa Ratinho Junior autorizou a liberação de R$ 372,6 milhões em investimentos para dez municípios paranaenses. Os recursos contemplam pavimentação urbana e rural, construção de creches, aquisição de maquinários e melhorias em infraestrutura logística. O movimento é parte de uma tendência nacional em 2026: governos estaduais e municipais acelerando obras com recursos próprios e do PAC, o que sustenta a demanda por materiais de base (cimento, areia, brita, aço) e acabamento (pisos, revestimentos, louças) nas praças do interior.

Fonte: Jornal do Oeste / Conexão Construção (maio/2026)

Construtoras reportam disparada nos custos de cimento, aço e resinas com impacto da guerra

Relatório da CNPL (Confederação Nacional das Profissões Liberais) em parceria com entidades do setor aponta que construtoras de médio porte estão absorvendo reajustes simultâneos em três frentes: cimento (+12% em SP desde março), aço (+8% comunicado para maio) e resinas derivadas de petróleo (tintas, PVC, selantes — alta contínua desde o início do conflito no Estreito de Ormuz). O impacto combinado pressiona o custo por metro quadrado e força construtoras a renegociar contratos ou reduzir escopo de acabamento — o que pode migrar demanda para o consumidor final, que compra direto na loja.

Fonte: CNPL / CBIC / Jornal da Construção Civil (abril-maio/2026)
Cotações e Indicadores
Dólar Comercial
R$ 4,96
↓ 5ª semana abaixo de R$ 5; Focus projeta R$ 5,25 no ano
Câmbio segue favorável para importação de ferramenta e revestimento. Janela pode fechar se inflação persistente forçar Copom a pausar cortes em junho.
Taxa Selic
14,50%
→ Próxima decisão em junho; Focus mantém terminal em 13%
Com IPCA em 4,89% e subindo, mercado vê risco de pausa no ciclo de cortes. Crédito livre segue caro — foco em linhas subsidiadas (MCMV, Reforma Casa Brasil).
IPCA 2026 (Focus)
4,89%
↑ 8ª alta consecutiva; acima do teto da meta (4,50%)
Pressão de combustíveis e alimentos. Inflação persistente corrói poder de compra do consumidor e mantém custo financeiro elevado para o varejo.
Aço CA-50 10mm, barra 12m
R$ 56–58
↑ Reajuste de 8% comunicado para maio; era R$ 52-54
Gerdau, ArcelorMittal e CSN repassando custos de minério e energia. Negocie volume esta semana para travar o preço anterior onde possível.
Cimento CP II, Saco 50kg
R$ 46–48
↑ Reajuste de 12% em SP desde março; novas altas sinalizadas
Média nacional em R$ 46, mas praças como SP e RJ já operam em R$ 48. Revise margem semanalmente e avalie marca alternativa para manter competitividade.
INCC-M (abril/2026)
+1,04%
↑ Triplo de março; acum. 6,28% em 12 meses
Materiais para estrutura subiram 1,82% em um mês. Projeção de INCC próximo a 9,7% no ano — a maior pressão de custos desde 2021.
O Que Fazer Agora
1
Mapeie clientes profissionais e lojistas da Telhanorte na sua praça. Com a venda para a Tauá Partners, a transição vai gerar incerteza em fornecedores, profissionais cadastrados e clientes corporativos da rede. Identifique as lojas Telhanorte próximas das suas unidades e faça ação direta: visita a obras que compravam lá, convite para cadastro no programa de fidelidade e condição especial de primeira compra.
2
Trave pedido de aço esta semana antes que o reajuste de 8% chegue à prateleira. As siderúrgicas comunicaram aumento para maio, mas o distribuidor leva 15 a 20 dias para repassar integralmente. Se você tem giro relevante em vergalhão, tela e treliça, feche volume agora na tabela antiga e proteja margem por mais duas a três semanas.
3
Revise a tabela de preços de cimento e argamassa pela terceira vez no ano. Com INCC em 1,04% em abril e reajuste de 12% já aplicado pelas cimenteiras em SP, a margem de quem não atualizou desde março está comprometida. Faça a conta de custo de reposição hoje e atualize prateleira onde o delta for superior a 3%.
4
Prospecte obras públicas em andamento no seu município. O Novo PAC já executou 70% dos R$ 1,3 trilhão e estados estão liberando verbas (Paraná soltou R$ 372 mi esta semana). Ligue para a secretaria de obras da prefeitura, identifique canteiros ativos e ofereça convênio de fornecimento de materiais de base e acabamento para obras públicas.
5
Comunique reajustes ao cliente com transparência e urgência. Com inflação de insumos acelerando e três ondas de repasse no ano, o cliente que sabe que o preço vai subir antecipa a compra. Use WhatsApp da loja e redes sociais para avisar: "Aço e cimento com novo reajuste confirmado — quem fechar esta semana garante tabela atual." Urgência real gera antecipação sem parecer pressão.
Dica do Dia
Para o gerente comercial

Use a saída da Telhanorte como gancho de prospecção ativa

Quando uma rede grande muda de dono, o profissional de obra fica inseguro: será que o programa de fidelidade continua? Os prazos vão mudar? O estoque vai falhar na transição? É nesse momento que você liga para o pedreiro, o eletricista e o empreiteiro que compravam lá e oferece condição de migração: primeiro pedido com desconto progressivo, cadastro no programa de fidelidade com pontos de boas-vindas e entrega garantida em 24h. Quem pesca no rio agitado do vizinho pega o peixe maior.