Construai
Newsletter do CEO
Inteligência de Mercado, Rede Construai
SEGUNDA-FEIRA, 4 DE MAIO DE 2026
Rodolfo Norberto

Rodolfo Norberto

CEO, Rede Construai

Bom dia, pessoal. Maio começa com o Minha Casa, Minha Vida turbinado operando a todo vapor: o teto da Faixa 4 subiu para R$ 600 mil e a renda familiar permitida saltou para R$ 13 mil. Em números simples, 87,5 mil famílias de classe média que antes ficavam de fora agora podem financiar casa com juros abaixo do mercado. Isso é cliente entrando na loja com poder de compra novo. A missão da semana é clara: atualizar o balcão com as condições do MCMV ampliado, treinar o time para orientar o financiamento e garantir estoque de acabamento e material de obra nova — porque quem compra imóvel pelo programa reforma antes de mudar.

Panorama do Dia

A ampliação do Minha Casa, Minha Vida é o fato mais relevante para o varejo de materiais neste início de maio. Com a Faixa 4 agora cobrindo famílias com renda de até R$ 13 mil e imóveis de até R$ 600 mil — um salto de R$ 100 mil no teto e R$ 5 mil no limite de renda — o programa deixa de ser apenas habitação popular e passa a financiar a classe média que movimenta boa parte do giro da loja. Os juros de 10,5% ao ano são menores que qualquer linha de crédito livre disponível hoje, o que significa que o comprador chega ao imóvel com orçamento sobrando para reformar e equipar. Para a rede, a oportunidade é dupla: capturar a demanda de quem vai reformar o imóvel novo e a de quem vai melhorar o imóvel antigo para vender.

No campo estrutural, a CBIC projeta que o PIB da construção civil vai crescer 2% em 2026, acima do PIB nacional estimado em 1,9%. A base desse crescimento não é lançamento imobiliário — é crédito direcionado (MCMV, Reforma Casa Brasil, home equity) e investimento em infraestrutura. O setor já soma 2,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada, mas a dificuldade de contratar mão de obra qualificada atingiu o nível mais alto desde 2010. O acabamento, que é justamente a etapa mais intensiva em mão de obra especializada, enfrenta gargalo severo de pintores, eletricistas e bombeiros hidráulicos.

Esse gargalo de mão de obra está acelerando uma mudança estrutural no setor: a construção industrializada. Métodos como Light Steel Frame e construção modular crescem em ritmo forte porque oferecem previsibilidade de custos e reduzem prazos em até 50%. Para o lojista, a transição não é ameaça — é oportunidade de reposicionar o mix. O profissional que trabalha com sistemas industrializados compra kit completo, não produto avulso. Quem entender esse novo perfil de compra primeiro vai dominar o tíquete.

Notícias do Varejo

MCMV amplia Faixa 4: teto sobe para R$ 600 mil e renda familiar vai a R$ 13 mil

A Caixa já opera com as novas regras do Minha Casa, Minha Vida que ampliaram a Faixa 4 para imóveis de até R$ 600 mil (antes R$ 500 mil) e renda familiar de até R$ 13 mil (antes R$ 8 mil). Os juros são de 10,5% ao ano com prazo de até 420 meses. O governo estima que 87,5 mil famílias serão beneficiadas pela mudança. A Faixa 3 também subiu o teto para R$ 400 mil. Para o lojista, o recado é direto: classe média com financiamento aprovado compra imóvel e reforma ao mesmo tempo. Prepare estoque de acabamento, louça, metais e material elétrico — o tíquete desse cliente é alto.

Fonte: Ministério das Cidades / Caixa Econômica Federal / CNN Brasil (abril-maio/2026)

CBIC projeta crescimento de 2% para a construção em 2026, acima do PIB nacional

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção mantém projeção de avanço de 2% para o PIB setorial em 2026, superando a estimativa de 1,9% para o PIB do Brasil. É o terceiro ano consecutivo de expansão, sustentado por crédito direcionado (MCMV ampliado e Reforma Casa Brasil com R$ 40 bilhões), investimento recorde em infraestrutura e o início do ciclo de queda da Selic. O SindusCon-SP em parceria com a FGV/IBRE é ainda mais otimista: projeta 2,7%. Para a rede, a mensagem é de que 2026 é ano de crescimento moderado mas consistente — o varejo que investir em estoque e atendimento ganha share.

Fonte: CBIC / SindusCon-SP / FGV IBRE (fevereiro-abril/2026)

Construção civil puxa emprego em Mato Grosso do Sul com 156 vagas formais por dia

Dados do CAGED mostram que Mato Grosso do Sul abriu 14.030 postos formais no primeiro trimestre de 2026, com a construção civil liderando a geração de vagas: 5.297 posições no período, equivalente a 156 empregos por dia útil. O movimento é puxado por obras de infraestrutura estadual e habitação popular. O dado reforça uma tendência nacional: o canteiro de obras segue contratando, o que sustenta demanda por EPI, ferramenta, consumível e material de reposição nas lojas da região. Quem opera no Centro-Oeste tem cliente garantido enquanto o ciclo de obras durar.

Fonte: FatoNews / CAGED / Ministério do Trabalho (1 de maio de 2026)
Cenário Global e Regulatório

Escassez de mão de obra na construção atinge nível recorde desde 2010 e trava acabamento

Levantamento da CBIC e da Confederação Nacional da Indústria aponta que a dificuldade de contratar profissionais qualificados na construção civil chegou ao patamar mais alto desde 2010. O gargalo é severo nos serviços de acabamento — pintores, eletricistas, bombeiros hidráulicos e azulejistas — justamente a etapa que mais consome material de varejo. Com o setor empregando 2,9 milhões de pessoas formais e o ritmo de contratação desacelerando de 3% para 1,6%, o custo de mão de obra pressiona o orçamento da obra e empurra o consumidor a buscar soluções mais práticas: kits prontos, sistemas pré-montados e materiais que reduzem tempo de instalação.

Fonte: CBIC / CNI / Revista O Empreiteiro (abril/2026)

Construção industrializada avança no Brasil e muda perfil de compra do profissional de obra

Métodos como Light Steel Frame e construção modular crescem em ritmo acelerado no país, impulsionados pela escassez de mão de obra e pela necessidade de previsibilidade de custos. Segundo a Abramat e especialistas do setor, a construção industrializada pode reduzir prazos de obra em até 50% e já responde por parcela crescente dos lançamentos habitacionais. Para o varejo, a mudança é estrutural: o profissional que trabalha com sistemas offsite compra kit completo (quadro elétrico montado, tubulação pré-cortada, estrutura metálica sob medida), não produto avulso. A reforma tributária reforça esse movimento, pois o novo IVA dual gera crédito tributário na compra de sistemas industrializados — algo que o regime atual não permite.

Fonte: Abramat / Exame / Sienge / Vale Mais Notícia (abril/2026)

Conecta Construção 2026 reúne setor no Ceará para debater tecnologia e custos

O Sinduscon-CE realiza em 7 de maio o Conecta Construção 2026, na sede da FIEC em Fortaleza, com foco em três eixos: tecnologia e digitalização de obras, novos modelos de gestão e estratégias para lidar com custos e planejamento. O evento acontece em momento crítico para o setor no Nordeste, que lidera a geração de empregos na construção (Pernambuco foi o 2º estado em vagas nos últimos 12 meses) e enfrenta os mesmos desafios de custo de insumo e escassez de profissionais do restante do país. Para quem opera na região, é oportunidade de networking e atualização técnica com custo baixo.

Fonte: FIEC / Sinduscon-CE (maio/2026)
Cotações e Indicadores
Dólar Comercial
R$ 4,96
↓ Abaixo de R$ 5 pela 4ª semana consecutiva
Câmbio favorecido pelo diferencial de juros e fluxo de commodities. Janela de importação de ferramenta elétrica e revestimento segue aberta. Focus projeta R$ 5,25 no fim do ano — aproveite agora.
Taxa Selic
14,50%
↓ 2º corte consecutivo; próxima reunião em junho
Anbima projeta Selic em 12,5% ao final de 2026. Cada corte reduz custo do crediário e reabre conversa de parcelamento no balcão. Crédito livre ainda caro — direcione para linhas subsidiadas.
PIB Construção 2026 (CBIC)
+2,0%
↓ Acima do PIB nacional (1,9%); 3º ano de alta
Crescimento sustentado por MCMV ampliado, Reforma Casa Brasil e infraestrutura. SindusCon-SP projeta até 2,7%. Setor cresce, mas custo de insumo e mão de obra limitam margem.
Focus IPCA 2026
4,86%
↑ Acima do teto da meta (4,50%); 7ª semana de alta
Pressão de combustíveis e alimentos pela guerra no Oriente Médio. Inflação persistente mantém crédito livre caro e consumo seletivo — reforce linhas subsidiadas no balcão.
MCMV Faixa 4 (novo teto)
R$ 600 mil
↓ Juros 10,5% a.a.; renda até R$ 13 mil; 420 meses
Teto subiu R$ 100 mil. Classe média entra no programa. 87,5 mil famílias beneficiadas. Cliente que financia imóvel gasta em média 15% do valor em reforma e acabamento.
Cimento CP II, Saco 50kg
R$ 46–48
↑ Reajustes de abril já incorporados; novo repasse pode vir em maio
CBIC mapeou impacto com construtoras. Logística e energia seguem pressionando custo fabril. Revise margem semanalmente e negocie volume para travar preço.
O Que Fazer Agora
1
Atualize todo o material de balcão do MCMV com as novas condições. O teto da Faixa 4 subiu para R$ 600 mil e a renda permitida vai a R$ 13 mil. Imprima cartaz com os três números-chave: R$ 600 mil, 10,5% ao ano, 420 meses. Treine dois vendedores por loja para orientar o cliente no simulador da Caixa — quem guia o financiamento captura a venda de material.
2
Monte exposição de acabamento voltada para quem acabou de comprar imóvel. O comprador do MCMV Faixa 4 é classe média que reforma antes de mudar. Organize uma área da loja com kits de acabamento completo: louça + metais de banheiro, piso + rodapé, iluminação + interruptores. Preço fechado por ambiente elimina dúvida e sobe tíquete médio.
3
Explore kits pré-montados e sistemas de instalação rápida. Com a escassez de mão de obra no nível mais alto em 16 anos, o cliente e o profissional querem solução que economize tempo. Negocie com fornecedores quadros elétricos pré-montados, kits hidráulicos com conexões rápidas e sistemas de pintura que dispensem massa corrida. Produto que reduz hora de obra vende sozinho.
4
Reforce o programa de fidelidade para profissionais de obra. Pedreiro, eletricista e bombeiro estão disputados e escolhem a loja que dá melhor condição. Ofereça cashback progressivo, entrega prioritária e condição de pagamento diferenciada para profissional cadastrado. Fidelizar o instalador é fidelizar o cliente final.
5
Planeje a meta de maio com base no cenário de crescimento setorial. PIB da construção projetado em 2%, MCMV ampliado operando, Reforma Casa Brasil com regulamentação iminente e Selic em queda. Maio tem tudo para ser mês de recuperação. Defina meta agressiva por categoria (acabamento, elétrica, hidráulica) e acompanhe diariamente — quem espera o mês passar para avaliar perde a janela.
Dica do Dia
Para o vendedor de balcão

Pergunte ao cliente: "Você comprou ou vai comprar imóvel pelo Minha Casa?"

Com o MCMV ampliado para imóveis de R$ 600 mil e renda de R$ 13 mil, o volume de famílias financiando a casa própria vai crescer forte nos próximos meses. Cada uma delas gasta, em média, de 10% a 15% do valor do imóvel em reforma e acabamento antes de mudar. Se a resposta for sim, a venda seguinte é kit de pintura, louça de banheiro, piso e iluminação — tudo de uma vez. Não espere o cliente pedir: ofereça o projeto completo por ambiente e feche o pacote inteiro.