
Bom dia, pessoal. O Copom cortou a Selic para 14,50% ontem à noite, segunda queda seguida, mas não se enganem: a guerra no Oriente Médio está comendo o alívio por dentro. O IGP-M de abril veio em 2,73% — o maior desde 2021 — e o INCC-M disparou para 1,04%, com PVC subindo 5% e massa de concreto saltando 4% em um único mês. Juro cai de um lado, custo de insumo explode do outro. A lição de casa de hoje é precificar com rapidez, proteger margem e usar o corte de juros como argumento de venda no balcão.
A decisão do Copom de ontem trouxe o segundo corte consecutivo da Selic, de 14,75% para 14,50%, em votação unânime. O comunicado, porém, veio em tom de cautela: o comitê citou explicitamente os efeitos da guerra entre EUA, Israel e Irã sobre combustíveis, alimentos e expectativas de inflação. Na prática, o corte alivia marginalmente o custo do crediário e reabre conversa com o cliente sobre parcelamento, mas não muda o cenário de crédito livre ainda caro. O motor de venda segue sendo as linhas subsidiadas — MCMV, Reforma Casa Brasil e home equity.
No campo de custos, os números de abril confirmam o que a loja já sente no bolso. O INCC-M acelerou de 0,36% em março para 1,04% em abril, quase triplicando. Os destaques negativos são massa de concreto (de 0,10% para 4,39%), tubos e conexões de PVC (de -0,05% para 5,11%) e cimento Portland comum (de 0,13% para 3,02%). A FGV/IBRE alertou que, considerando os reajustes já comunicados pelos fabricantes, o INCC pode fechar 2026 em 9,72% — o dobro do patamar histórico. É choque de guerra chegando na prateleira.
O retrato macro reforça a pressão: o IGP-M de abril saltou para 2,73%, maior variação mensal desde maio de 2021, puxado pelo IPA industrial (+3,49%) que reflete petróleo caro e cadeia logística encarecida. Do lado positivo, o faturamento médio do varejo de materiais de construção em abril atingiu R$ 862.850 segundo o Sincomavi, o melhor nível do ano e acima da média de 2025. Demanda existe; o desafio é não deixar a margem evaporar entre uma compra e a próxima reposição.
O Comitê de Política Monetária reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual na reunião de 28-29 de abril, de 14,75% para 14,50% ao ano. É o segundo corte consecutivo do ciclo iniciado em março. O comunicado destacou "serenidade e cautela" diante dos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre combustíveis e inflação, cujas projeções do mercado já saltaram de 3,95% para 4,86% em 2026. Para o varejo, o corte reduz marginalmente o custo do crediário e reabre argumento de venda — mas o juro real segue elevado e o crédito livre continua travado.
Fonte: Jornal do Comércio / Suno / Agência Brasil (29 de abril de 2026)O Índice Nacional de Custo da Construção registrou alta de 1,04% em abril, contra 0,36% em março — quase o triplo. O grupo de Materiais e Equipamentos saltou de 0,28% para 1,40%, com destaques para massa de concreto (+4,39%), tubos e conexões de PVC (+5,11%), blocos de concreto (+1,48%), cimento Portland comum (+3,02%) e vergalhões de aço (+0,91%). O acumulado em 12 meses chegou a 6,28%. A FGV/IBRE projeta que o INCC pode atingir 9,72% no ano se os reajustes comunicados pela indústria se confirmarem integralmente.
Fonte: FGV / Portal IBRE / Sinduscon-SP (abril de 2026)Dados do Sincomavi mostram que o faturamento médio do setor em abril chegou a R$ 862.850, superando os meses anteriores e ficando acima da média mensal de 2025 (R$ 807.031). A margem bruta ficou em 36,43%, inferior a fevereiro (36,78%), mas superior a abril de 2025 (34,64%). O dado mostra que a demanda segue firme apesar do cenário de juros altos e endividamento das famílias — o desafio é manter a margem num ambiente de custos acelerados.
Fonte: Sincomavi, Carta de Conjuntura abril/2026O Índice Geral de Preços — Mercado acelerou de 0,52% em março para 2,73% em abril, a maior variação mensal em quase cinco anos. O IPA industrial disparou 3,49%, refletindo o choque do petróleo e derivados causado pelo conflito entre EUA, Israel e Irã no Estreito de Ormuz. O IPC subiu 0,94% e o INCC avançou 1,04%. Para o lojista, o IGP-M é referência de reajuste de aluguel comercial e contrato de fornecimento — quem tem renovação no segundo semestre precisa provisionar o impacto agora.
Fonte: FGV / Agência Brasil / Diário do Comércio (29 de abril de 2026)Análise do Blog do IBRE/FGV mostra que o conflito no Estreito de Ormuz já provocou reajustes expressivos em cinco categorias: minerais não metálicos (cimento +15%, concreto, argamassas e blocos), plásticos e PVC (+35%), tintas e químicos, materiais metálicos (vergalhão +13%) e revestimentos. Parte dos aumentos já roda desde março, com novos repasses previstos para maio. O impacto estimado é de 3,89 pontos percentuais sobre o INCC em 2026, o que pode levar o índice ao acumulado de 9,72% — um patamar que não se via desde o pós-pandemia.
Fonte: Blog do IBRE / FGV / Portas (abril de 2026)As duas redes — C&C (36 lojas em SP, RJ e ES, controlada pela família do banqueiro Aloysio Faria) e Telhanorte (77 unidades incluindo a Tumelero, do grupo francês Saint-Gobain) — oficializaram mandatos com bancos de investimento para venda das operações. A Sodimac, que comprou a Dicico em 2013, é apontada como possível compradora. Para o varejo regional, a consolidação é oportunidade: a transição de dono costuma gerar ruído operacional, perda de equipe e janela para capturar cliente insatisfeito.
Fonte: InfoMoney / Giro News / IstoÉ Dinheiro (abril de 2026)O Copom cortou juros ontem e o cliente ainda não sabe. Monte um cartaz na entrada da loja com a frase: "Selic caiu de novo — parcele sua reforma com condição especial." Ofereça parcelamento estendido no crediário próprio por 48 horas, com destaque para kits de reforma completa (hidráulica, elétrica, pintura). O cliente que entrar hoje perguntando sobre preço sai com o projeto inteiro fechado se perceber que a parcela cabe no bolso. Janela curta gera urgência — e urgência fecha venda.