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Inteligência de Mercado, Rede Construai
QUARTA-FEIRA, 29 DE ABRIL DE 2026
Rodolfo Norberto

Rodolfo Norberto

CEO, Rede Construai

Bom dia, pessoal. Hoje é Superquarta e o Copom decide a Selic com a mesa cheia de dados ruins: INCC-M disparou para 1,04% em abril, quase o triplo de março, e a CNI confirmou que as condições financeiras da construção pioraram em todos os indicadores no primeiro trimestre. Enquanto isso, o governo turbinou o MCMV para R$ 200 bilhões e ampliou o Reforma Casa Brasil para R$ 50 mil por família. O cenário é de custo subindo e crédito direcionado aumentando — quem souber navegar entre os dois sai na frente.

Panorama do Dia

O dia começa sob o signo da Superquarta. O Copom encerra hoje a terceira reunião do ano e o consenso de 33 das 37 instituições consultadas pelo Broadcast aponta corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,75% para 14,50% ao ano. O debate real, porém, é sobre o comunicado: se o Banco Central vai sinalizar mais cortes em junho ou se fecha a porta diante da inflação que acelerou forte nas últimas semanas. Para o lojista, cada 0,25 ponto de queda reduz parcela de crediário e amplia a base de clientes aprovados — mas o efeito só chega ao balcão se o custo de reposição não subir mais rápido.

E o custo subiu. A FGV divulgou ontem que o INCC-M saltou de 0,36% em março para 1,04% em abril, a maior variação do ano. O destaque é o subgrupo de materiais para estrutura, que foi de 0,17% para 1,82% em um único mês — cimento, aço, concreto e vergalhão puxando a conta. No acumulado de 12 meses, o índice bate 6,28%, e analistas já projetam que o INCC pode fechar 2026 perto de 9,7% com o choque adicional de petróleo e tarifas. Para quem compra e revende material de construção, a mensagem é clara: tabela que não foi atualizada em abril já está defasada.

No contrapeso, o governo federal ampliou os aportes do MCMV para o recorde de R$ 200 bilhões e turbinou o Reforma Casa Brasil com teto de R$ 50 mil por família, juros de 0,99% ao mês e prazo estendido para 72 meses. A conta é simples: mais crédito direcionado compensando o crédito livre travado. A CNI confirmou nesta semana que o acesso a crédito na construção caiu para 37,7 pontos — muito abaixo da linha de equilíbrio de 50. O lojista que domina a orientação de crédito subsidiado ao cliente ganha a venda que o juro alto tirou.

Notícias do Varejo

INCC-M dispara 1,04% em abril e materiais para estrutura sobem 1,82% em um mês

O Índice Nacional de Custo da Construção – M acelerou de 0,36% em março para 1,04% em abril, segundo a FGV. O grupo de Materiais, Equipamentos e Serviços subiu 1,35%, puxado pelo subgrupo de materiais para estrutura, que saltou de 0,17% para 1,82% — refletindo reajustes concentrados em cimento, concreto e aço. A mão de obra avançou 0,61% e os serviços subiram 0,97%. No acumulado de 12 meses, o INCC-M bate 6,28%. Estimativas de mercado apontam que o índice pode fechar 2026 próximo de 9,7%, o que significaria a maior pressão de custos desde 2021 para o setor.

Fonte: FGV / Sinduscon-SP / Jornal de Brasília (abril/2026)

CNI: condições financeiras da construção pioram em todos os indicadores no 1º trimestre

A Sondagem da Indústria da Construção, divulgada pela CNI em parceria com a CBIC, ouviu 308 empresas entre 1º e 13 de abril e revelou deterioração generalizada. O acesso a crédito caiu para 37,7 pontos (longe da linha de 50), a satisfação com lucro operacional recuou 3,8 pontos para 41,3 e o índice de preços de insumos disparou 6,8 pontos para 68,4 — o maior nível do ciclo. Os indicadores de emprego e novos empreendimentos também recuaram para abaixo de 50, sinalizando retração nos próximos seis meses. Para o varejo, o aperto financeiro das construtoras significa negociação mais dura, prazo mais curto e compras em lotes menores.

Fonte: CNI / CBIC / InfoMoney / Times Brasil (28 de abril de 2026)

Aço Cearense investe R$ 428 mi em 2026 e entra no mercado de treliças e telas para construção

O Grupo Aço Cearense, quarto maior produtor de aço do país, anunciou investimento de R$ 428 milhões neste ano para ampliar a capacidade de produção de treliças, telas soldadas e colunas — materiais trefilados de alto giro no varejo de construção. A meta é faturar R$ 7,7 bilhões em 2026, alta de 14% sobre os R$ 6,7 bilhões realizados em 2025, atingindo 1,37 milhão de toneladas. A expansão sinaliza mais oferta e competição no segmento de aço para construção, o que pode moderar preços regionais e abrir espaço para o lojista negociar condições melhores com fornecedores locais.

Fonte: O Povo / Diário do Nordeste (28 de abril de 2026)
Cenário Global e Regulatório

Copom decide Selic hoje: corte para 14,50% é consenso, mas comunicado sobre junho divide mercado

O Comitê de Política Monetária encerra nesta quarta-feira a reunião que deve reduzir a Selic de 14,75% para 14,50% ao ano — segundo corte consecutivo de 0,25 ponto. O consenso é amplo: 33 de 37 instituições consultadas pelo Broadcast projetam esse cenário. A divergência está no forward guidance: parte do mercado espera que o Copom sinalize continuidade dos cortes em junho, enquanto outra ala projeta pausa diante da aceleração do IPCA-15 para 0,89% em abril e da escalada do petróleo por conta do conflito no Oriente Médio. A Selic terminal projetada pelo Focus subiu de 12,50% para 13,00%, indicando que o ciclo de alívio será mais curto do que se esperava.

Fonte: Isto É Dinheiro / Investing.com / Agência Brasil (abril/2026)

MCMV amplia aportes para R$ 200 bi e Reforma Casa Brasil eleva teto para R$ 50 mil com juros de 0,99%

O governo federal anunciou aporte adicional de R$ 20 bilhões do Fundo Social para o Minha Casa, Minha Vida, elevando o orçamento total do programa para o recorde de R$ 200 bilhões. O MCMV atingiu 2 milhões de casas contratadas com um ano de antecedência e agora mira 3 milhões até o fim de 2026. Em paralelo, o Reforma Casa Brasil ganhou novas regras: teto de financiamento subiu de R$ 30 mil para R$ 50 mil, juros caíram para 0,99% ao mês em todas as faixas de renda (antes era 1,17% para renda até R$ 3.200 e 1,95% acima), prazo foi estendido de 60 para 72 meses e o FGHab agora garante todos os financiamentos. Para o lojista, o ticket médio de reforma financiada sobe 67% de uma vez.

Fonte: Agência Brasil / Casa Civil / Exame (abril/2026)

IPCA-15 acelera para 0,89% em abril, maior taxa desde fevereiro, com gasolina subindo 6,23%

A prévia da inflação oficial acelerou para 0,89% em abril, mais que o dobro dos 0,44% do mesmo período de 2025. Gasolina foi o item de maior impacto individual, com alta de 6,23% que adicionou 0,32 ponto ao índice, reflexo direto da escalada do petróleo provocada pelo conflito no Estreito de Ormuz. Alimentos e bebidas subiram 1,46% e transportes avançaram 1,34%. No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 atingiu 4,37%. O dado pressiona diretamente o custo logístico do varejo de construção — frete, entrega e deslocamento de equipe ficam mais caros a cada reajuste de combustível.

Fonte: IBGE / Diário do Comércio / Agência Brasil (abril/2026)
Cotações e Indicadores
Taxa Selic (decisão hoje)
14,75% → 14,50%
↓ Corte de 0,25 p.p. esperado pelo consenso
Copom decide nesta quarta. Selic terminal projetada em 13% (Focus). Cada corte reduz parcela de crediário e amplia base de clientes aprovados.
Dólar Comercial
R$ 5,02
→ Oscilando entre R$ 4,95 e R$ 5,03 na semana
Superquarta (Copom + Fed) pode trazer volatilidade. Janela de importação segue aberta, mas decisões de hoje podem alterar o câmbio amanhã.
INCC-M Abril
+1,04%
↑ Quase o triplo de março (0,36%); acum. 6,28% em 12m
Materiais para estrutura dispararam de 0,17% para 1,82%. Projeção de INCC em ~9,7% no ano. Revise tabela de preços imediatamente.
IPCA-15 Abril
+0,89%
↑ Dobro do mesmo mês em 2025; acum. 4,37% em 12m
Gasolina (+6,23%) e alimentos (+1,46%) puxaram. Custo de frete e entrega sobe junto — revise política de frete grátis.
Crédito Construção (CNI)
37,7 pts
↑ Caiu 1,3 pt no trimestre; muito abaixo de 50 (equilíbrio)
Acesso a crédito segue travado para construtoras. Reforce crédito direcionado (MCMV, Reforma Casa Brasil) como canal de venda ao consumidor final.
Reforma Casa Brasil (novo teto)
R$ 50 mil
↓ Juros caíram para 0,99% a.m.; prazo estendido a 72 meses
Teto subiu 67% (de R$ 30 mil). Renda ampliada até R$ 13 mil. Atualize o material do balcão com as novas condições.
O Que Fazer Agora
1
Atualize a tabela de preços de cimento, concreto e vergalhão hoje. O INCC-M de abril mostrou alta de 1,82% só em materiais para estrutura em um mês. Se a sua tabela de prateleira é a mesma de março, você está vendendo abaixo do custo de reposição. Faça a conta antes de abrir o caixa.
2
Imprima as novas condições do Reforma Casa Brasil e coloque no balcão. O teto subiu para R$ 50 mil, os juros caíram para 0,99% ao mês e o prazo foi para 72 meses. O vendedor que souber explicar essas três mudanças em uma frase fecha a venda do cliente que está reformando com crédito.
3
Revise a política de frete grátis à luz do diesel e da gasolina. Com gasolina subindo 6,23% em abril, o custo de entrega corroeu a margem de quem oferece frete grátis acima de determinado ticket. Recalcule o piso de frete grátis ou inclua taxa de entrega proporcional à distância — transparência preserva margem sem perder o cliente.
4
Negocie aço com mais de um fornecedor. A entrada do Aço Cearense no mercado de treliças e telas aumenta a oferta nacional. Se você compra só de Gerdau ou ArcelorMittal, peça cotação do Aço Cearense e da Sinobras para criar pressão competitiva e melhorar condição de compra.
5
Acompanhe o comunicado do Copom hoje à noite. Se o BC sinalizar continuidade de cortes em junho, prepare promoção de crediário com parcela reduzida para a primeira semana de maio. Se fechar a porta, mantenha o foco em linhas subsidiadas (MCMV e Reforma Casa Brasil) como motor de venda.
Dica do Dia
Para o gerente de loja

Transforme o reajuste de preço em oportunidade de venda antecipada

Quando o INCC sobe 1% em um mês, o cliente atento já sabe que o preço de amanhã será maior que o de hoje. Use isso a seu favor: comunique no WhatsApp da loja e nas redes que "os preços de cimento e aço estão subindo — quem fechar o pedido esta semana garante a tabela atual". Urgência real, baseada em dado público, gera antecipação de compra sem parecer pressão de vendedor. O cliente agradece o aviso e você protege o giro antes do próximo reajuste chegar.