Construai
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Inteligência de Mercado, Rede Construai
SEXTA-FEIRA, 24 DE ABRIL DE 2026
Rodolfo Norberto

Rodolfo Norberto

CEO, Rede Construai

Bom dia, pessoal. O Datafolha desta semana jogou na mesa um dado que muda a conversa no balcão: 67% dos brasileiros estão endividados e quase metade vive em situação financeira apertada ou severa. O consumidor de reforma está mais cauteloso, comparando preço, pedindo parcelamento e cortando itens do carrinho. Em São Paulo, o Sincomavi já registrou a maior queda de vendas de matcons desde setembro de 2023. Não é hora de recuar — é hora de vender melhor, com pacote certo, crédito orientado e estoque enxuto no que gira.

Panorama do Dia

O retrato financeiro do consumidor brasileiro ficou mais nítido com a pesquisa Datafolha divulgada nesta semana. Dois em cada três brasileiros carregam dívidas ativas, e entre os endividados, 21% já estão em atraso. O cartão de crédito lidera a fila de inadimplência, seguido por empréstimos bancários e carnês. Para o varejo de materiais de construção, a consequência é direta: o cliente ainda reforma, mas compra menos por visita, prioriza o essencial e busca condição de pagamento antes de decidir marca ou quantidade.

No mercado paulista, que responde por quase um terço do faturamento do varejo de construção no país, o sinal já apareceu nos números. Segundo o Sincomavi, as vendas de materiais de construção em São Paulo recuaram 12,6% em fevereiro frente ao mesmo mês de 2025, a maior queda desde setembro de 2023. No acumulado do bimestre, a retração atinge 8,4% no estado, contra 5,5% no Brasil. O dado liga o alerta: mesmo com programas como o MCMV e o Reforma Casa Brasil sustentando demanda de crédito direcionado, o consumo de crédito livre está travado.

No cenário externo, o tarifaço americano começa a repercutir nos custos de materiais aqui. Compensado naval subiu 18% em 12 meses, MDF e madeirite acompanham, e o alumínio importado opera em alta sustentada. A dinâmica é indireta mas real: quando os EUA taxam aço, alumínio e madeira de terceiros países, o mercado global rearranja preços e o custo sobe mesmo para quem produz localmente. Para o lojista, é mais uma camada de pressão sobre a margem, somada aos reajustes domésticos de cimento e aço que já pesaram nas últimas semanas.

Notícias do Varejo

Datafolha: 67% dos brasileiros estão endividados e 45% vivem em situação financeira apertada ou severa

Pesquisa do Datafolha realizada nos dias 8 e 9 de abril, com 2.002 pessoas em 117 municípios, mostra que dois em cada três brasileiros carregam dívidas ativas. Entre eles, 21% estão em atraso. O cartão de crédito lidera a inadimplência (29%), seguido por empréstimos bancários (26%) e carnês (22%). O dado mais revelador para o varejo: 52% dos brasileiros estão cortando a quantidade de alimentos comprados e 60% reduziram gastos fora de casa. Consumidor nesse perfil reforma por necessidade, não por desejo — e busca preço, parcelamento e solução completa antes de decidir.

Fonte: Datafolha / Poder360 / Correio Braziliense (19 de abril de 2026)

Vendas de matcons em São Paulo recuam 12,6% em fevereiro, maior queda desde setembro de 2023

O Sincomavi divulgou na Carta de Conjuntura de abril que as vendas de materiais de construção no estado de São Paulo caíram 12,6% em fevereiro frente ao mesmo mês de 2025 — o pior resultado em quase dois anos e meio. No acumulado do primeiro bimestre, a retração é de 8,4% em SP, contra 5,5% no Brasil. O sindicato projeta abril ainda negativo, com queda de 1,40% na margem e 3,07% na comparação anual. O cenário paulista costuma antecipar tendências nacionais em 60 a 90 dias. Atenção redobrada para o lojista que opera fora de SP: o efeito pode chegar.

Fonte: Sincomavi, Carta de Conjuntura abril/2026

Menegotti amplia capacidade para 400 betoneiras por dia e avança exportação para os EUA

O Grupo Menegotti, de Jaraguá do Sul (SC), concluiu ajustes industriais para elevar a produção de betoneiras a 400 unidades diárias, sem comprometer qualidade e estabilidade. A empresa também reforçou presença nos EUA, com unidade em Atlanta e participação em feiras americanas, surfando uma oportunidade criada pelas tarifas americanas sobre produtos asiáticos. Para o lojista, o recado é duplo: capacidade fabril nacional cresce (o que ajuda a conter preço no médio prazo) e o produto brasileiro ganha competitividade internacional, validando qualidade que o consumidor da loja já compra.

Fonte: OCP News / Grupo Menegotti (abril/2026)
Cenário Global e Regulatório

Tarifaço Trump redireciona cadeia global de materiais e pressiona compensado e alumínio no Brasil

As tarifas americanas sobre aço, alumínio e produtos de madeira de terceiros países estão reorganizando a cadeia global de materiais de construção. No Brasil, o compensado naval subiu 18% em 12 meses e o madeirite plastificado avançou 22%, em parte pela valorização global e escassez temporária provocada pelas barreiras comerciais. O alumínio importado também opera em alta sustentada. A dinâmica é indireta: quando os EUA taxam, o mercado global redistribui fluxos e o custo sobe mesmo para quem produz localmente. Para o lojista, é hora de travar pedido de compensado e alumínio antes da próxima onda de repasse.

Fonte: Meyer do Brasil / Cimento Itambé / CNN Brasil (abril/2026)

Inadimplência deve atingir 7,01% em abril e IBEVAR projeta pico do ciclo em 2026

Estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (IBEVAR) em parceria com a FIA Business School projeta que a inadimplência com recursos livres para pessoa física alcance 7,01% em abril de 2026, consolidando tendência de alta. O nível é o maior desde o pico anterior e reflete juros acumulados acima de 60% ao ano no crédito rotativo, comprometimento recorde de renda das famílias e consumo cada vez mais seletivo. Para o varejo de construção, o dado reforça a necessidade de análise de crédito rigorosa no carnê próprio e de canalizar o cliente para linhas subsidiadas como MCMV e Reforma Casa Brasil.

Fonte: IBEVAR / FIA Business School / MT Econômico (abril/2026)

Construção gera 31 mil vagas formais em fevereiro e setor se aproxima de 2,9 milhões de empregados

O Novo CAGED de fevereiro de 2026 registrou saldo positivo de 31.099 empregos formais na construção civil, variação de +1,04% no mês. O setor soma agora cerca de 2,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada, patamar semelhante ao de 2014. A geração de vagas, porém, desacelera: em 2025, o ritmo de crescimento era de 3%, e agora roda em 1,6%. Para o varejo, o emprego formal no canteiro sustenta a demanda de reposição (ferramenta, EPI, consumível), mas o ritmo menor sinaliza que o pico do ciclo de contratação já pode ter passado.

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego / CBIC (março/2026)
Cotações e Indicadores
Dólar Comercial
R$ 4,96
↓ 3ª semana consecutiva abaixo de R$ 5
Real segue valorizado pelo diferencial de juros. Janela para importação de ferramenta elétrica e revestimento continua aberta, mas Copom na semana que vem pode alterar o cenário.
Taxa Selic
14,75%
→ Copom decide em 28-29/04; mercado dividido
Expectativa entre corte de 0,25 p.p. e manutenção. Selic terminal projetada em 13% (Focus). Juros altos seguem travando crédito livre e empurrando demanda para linhas subsidiadas.
Inadimplência PF (recursos livres)
7,01%
↑ Projeção IBEVAR para abril; tendência de alta
Maior nível do ciclo. Reforce análise de crédito no carnê próprio e direcione cliente para MCMV, Reforma Casa Brasil e home equity.
Compensado Naval 15mm
+18%
↑ Alta de 18% em 12 meses; madeirite +22%
Tarifas americanas reorganizam cadeia global e pressionam preço doméstico. Trave pedido com fornecedor antes do próximo repasse.
Emprego Formal Construção
2,9 mi
→ +31 mil vagas em fev/2026; ritmo desacelera
Setor emprega no patamar de 2014, mas crescimento caiu de 3% para 1,6%. Demanda por EPI, ferramenta e consumível se mantém, porém sem aceleração.
Vendas Matcons SP (fev/2026)
-12,6%
↑ Cor vermelha = queda; maior recuo desde set/2023
Sincomavi aponta retração de 8,4% no bimestre em SP vs. 5,5% no Brasil. Mercado paulista antecipa tendência nacional em 60-90 dias.
O Que Fazer Agora
1
Adapte o mix de prateleira para o consumidor cauteloso. Com 67% dos brasileiros endividados e 52% cortando até alimentação, o cliente de reforma prioriza o essencial. Reforce estoque de tinta econômica, argamassa, tubo PVC, fio elétrico e ferramenta básica. Produto de entrada com giro rápido protege caixa melhor do que premium parado na gôndola.
2
Endureça a análise de crédito no carnê próprio. Inadimplência projetada em 7,01% e subindo. Antes de liberar crediário, consulte Serasa e SPC sem exceção. Para tickets acima de R$ 2 mil, direcione o cliente para o Reforma Casa Brasil (taxa de 0,99% a.a.) ou home equity. Crédito subsidiado é mais seguro para a loja e mais barato para o cliente.
3
Trave pedido de compensado e alumínio nesta semana. Compensado naval subiu 18% em 12 meses e madeirite já avançou 22%, pressionados pelo tarifaço americano que reorganiza a cadeia global. Negocie volume com fornecedor agora — cada rodada de reajuste demora 30 a 45 dias para chegar na loja, e a próxima já está no radar.
4
Monte kits de reforma essencial com preço fechado e parcelamento. O consumidor apertado compra solução, não produto avulso. Faça três kits: pintura de quarto (tinta + massa + lixa + rolo), reparo hidráulico (tubo + conexão + veda-rosca + ferramenta) e elétrica básica (fio + tomada + disjuntor). Preço fechado elimina a dúvida e acelera a decisão.
5
Monitore o efeito São Paulo nas próximas semanas. A queda de 12,6% nas vendas paulistas costuma antecipar o restante do país em 60 a 90 dias. Peça ao gerente regional que acompanhe o ticket médio e a frequência de visitas diariamente. Se o padrão aparecer na sua praça, ajuste compras e promoções antes de o estoque pesar.
Dica do Dia
Para o vendedor de balcão

Quando o cliente disser "está caro", não baixe o preço — mostre o parcelamento

Com quase metade dos brasileiros em situação financeira apertada, a objeção de preço virou rotina no balcão. O erro mais comum é dar desconto de cara. Antes, pergunte: "Você conhece o Reforma Casa Brasil? A Caixa parcela material e mão de obra em até 72 meses com juros a partir de 0,99% ao ano." Se o cliente não se enquadra, ofereça o crediário da casa em condição competitiva. O objetivo não é vender mais barato — é mostrar que cabe no bolso sem comprometer a margem da loja.