
Bom dia, pessoal. O Datafolha desta semana jogou na mesa um dado que muda a conversa no balcão: 67% dos brasileiros estão endividados e quase metade vive em situação financeira apertada ou severa. O consumidor de reforma está mais cauteloso, comparando preço, pedindo parcelamento e cortando itens do carrinho. Em São Paulo, o Sincomavi já registrou a maior queda de vendas de matcons desde setembro de 2023. Não é hora de recuar — é hora de vender melhor, com pacote certo, crédito orientado e estoque enxuto no que gira.
O retrato financeiro do consumidor brasileiro ficou mais nítido com a pesquisa Datafolha divulgada nesta semana. Dois em cada três brasileiros carregam dívidas ativas, e entre os endividados, 21% já estão em atraso. O cartão de crédito lidera a fila de inadimplência, seguido por empréstimos bancários e carnês. Para o varejo de materiais de construção, a consequência é direta: o cliente ainda reforma, mas compra menos por visita, prioriza o essencial e busca condição de pagamento antes de decidir marca ou quantidade.
No mercado paulista, que responde por quase um terço do faturamento do varejo de construção no país, o sinal já apareceu nos números. Segundo o Sincomavi, as vendas de materiais de construção em São Paulo recuaram 12,6% em fevereiro frente ao mesmo mês de 2025, a maior queda desde setembro de 2023. No acumulado do bimestre, a retração atinge 8,4% no estado, contra 5,5% no Brasil. O dado liga o alerta: mesmo com programas como o MCMV e o Reforma Casa Brasil sustentando demanda de crédito direcionado, o consumo de crédito livre está travado.
No cenário externo, o tarifaço americano começa a repercutir nos custos de materiais aqui. Compensado naval subiu 18% em 12 meses, MDF e madeirite acompanham, e o alumínio importado opera em alta sustentada. A dinâmica é indireta mas real: quando os EUA taxam aço, alumínio e madeira de terceiros países, o mercado global rearranja preços e o custo sobe mesmo para quem produz localmente. Para o lojista, é mais uma camada de pressão sobre a margem, somada aos reajustes domésticos de cimento e aço que já pesaram nas últimas semanas.
Pesquisa do Datafolha realizada nos dias 8 e 9 de abril, com 2.002 pessoas em 117 municípios, mostra que dois em cada três brasileiros carregam dívidas ativas. Entre eles, 21% estão em atraso. O cartão de crédito lidera a inadimplência (29%), seguido por empréstimos bancários (26%) e carnês (22%). O dado mais revelador para o varejo: 52% dos brasileiros estão cortando a quantidade de alimentos comprados e 60% reduziram gastos fora de casa. Consumidor nesse perfil reforma por necessidade, não por desejo — e busca preço, parcelamento e solução completa antes de decidir.
Fonte: Datafolha / Poder360 / Correio Braziliense (19 de abril de 2026)O Sincomavi divulgou na Carta de Conjuntura de abril que as vendas de materiais de construção no estado de São Paulo caíram 12,6% em fevereiro frente ao mesmo mês de 2025 — o pior resultado em quase dois anos e meio. No acumulado do primeiro bimestre, a retração é de 8,4% em SP, contra 5,5% no Brasil. O sindicato projeta abril ainda negativo, com queda de 1,40% na margem e 3,07% na comparação anual. O cenário paulista costuma antecipar tendências nacionais em 60 a 90 dias. Atenção redobrada para o lojista que opera fora de SP: o efeito pode chegar.
Fonte: Sincomavi, Carta de Conjuntura abril/2026O Grupo Menegotti, de Jaraguá do Sul (SC), concluiu ajustes industriais para elevar a produção de betoneiras a 400 unidades diárias, sem comprometer qualidade e estabilidade. A empresa também reforçou presença nos EUA, com unidade em Atlanta e participação em feiras americanas, surfando uma oportunidade criada pelas tarifas americanas sobre produtos asiáticos. Para o lojista, o recado é duplo: capacidade fabril nacional cresce (o que ajuda a conter preço no médio prazo) e o produto brasileiro ganha competitividade internacional, validando qualidade que o consumidor da loja já compra.
Fonte: OCP News / Grupo Menegotti (abril/2026)As tarifas americanas sobre aço, alumínio e produtos de madeira de terceiros países estão reorganizando a cadeia global de materiais de construção. No Brasil, o compensado naval subiu 18% em 12 meses e o madeirite plastificado avançou 22%, em parte pela valorização global e escassez temporária provocada pelas barreiras comerciais. O alumínio importado também opera em alta sustentada. A dinâmica é indireta: quando os EUA taxam, o mercado global redistribui fluxos e o custo sobe mesmo para quem produz localmente. Para o lojista, é hora de travar pedido de compensado e alumínio antes da próxima onda de repasse.
Fonte: Meyer do Brasil / Cimento Itambé / CNN Brasil (abril/2026)Estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (IBEVAR) em parceria com a FIA Business School projeta que a inadimplência com recursos livres para pessoa física alcance 7,01% em abril de 2026, consolidando tendência de alta. O nível é o maior desde o pico anterior e reflete juros acumulados acima de 60% ao ano no crédito rotativo, comprometimento recorde de renda das famílias e consumo cada vez mais seletivo. Para o varejo de construção, o dado reforça a necessidade de análise de crédito rigorosa no carnê próprio e de canalizar o cliente para linhas subsidiadas como MCMV e Reforma Casa Brasil.
Fonte: IBEVAR / FIA Business School / MT Econômico (abril/2026)O Novo CAGED de fevereiro de 2026 registrou saldo positivo de 31.099 empregos formais na construção civil, variação de +1,04% no mês. O setor soma agora cerca de 2,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada, patamar semelhante ao de 2014. A geração de vagas, porém, desacelera: em 2025, o ritmo de crescimento era de 3%, e agora roda em 1,6%. Para o varejo, o emprego formal no canteiro sustenta a demanda de reposição (ferramenta, EPI, consumível), mas o ritmo menor sinaliza que o pico do ciclo de contratação já pode ter passado.
Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego / CBIC (março/2026)Com quase metade dos brasileiros em situação financeira apertada, a objeção de preço virou rotina no balcão. O erro mais comum é dar desconto de cara. Antes, pergunte: "Você conhece o Reforma Casa Brasil? A Caixa parcela material e mão de obra em até 72 meses com juros a partir de 0,99% ao ano." Se o cliente não se enquadra, ofereça o crediário da casa em condição competitiva. O objetivo não é vender mais barato — é mostrar que cabe no bolso sem comprometer a margem da loja.