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Inteligência de Mercado, Rede Construai
Sexta-feira, 17 de abril de 2026
Rodolfo Norberto

Rodolfo Norberto

CEO, Rede Construai

Bom dia, pessoal. O mercado de tintas no Brasil acaba de mudar de mãos. A Sherwin-Williams concluiu a compra da Suvinil e já estreia as duas marcas juntas na Haus Decor 2026, criando o maior portfólio de tintas decorativas do país. Para quem tem prateleira de tinta — e nós temos, em 260 lojas —, é hora de entender o que muda na tabela, no prazo e no mix. Em paralelo, a Abecip projeta financiamento imobiliário 16% maior em 2026 e a CBIC aposta em PIB da construção crescendo o dobro do PIB nacional. Semana fecha com fundamentos sólidos e lição de casa na mesa.

Panorama do Dia

O fato mais relevante da semana para o varejo de tintas é a consolidação do maior grupo do segmento no Brasil. A Sherwin-Williams fechou a aquisição da Suvinil por US$ 1,15 bilhão e já opera com as duas marcas integradas. Na prática, o lojista que trabalhava com Suvinil e Sherwin-Williams separadas agora negocia com um único grupo, que detém também a Glasu! e domina desde a tinta econômica até a linha premium. A primeira aparição conjunta aconteceu na Haus Decor 2026 com o conceito "Vila das Cores", sinalizando que a estratégia é de portfólio multimarca, não de unificação de bandeiras.

No crédito, os números são animadores. A Abecip projeta crescimento de 16% no financiamento imobiliário em 2026, com R$ 180 bilhões via poupança (SBPE) e R$ 145 bilhões via FGTS. Os recursos livres devem saltar 66%, para R$ 51 bilhões. O driver é a queda esperada da Selic no segundo semestre e a liberação do compulsório bancário, que já começa a derrubar as taxas cobradas na ponta. Mais financiamento significa mais obra, mais reforma e mais cliente no balcão.

A CBIC completa o quadro com projeção de PIB da construção em +2% para 2026, o dobro do PIB geral estimado pelo Banco Mundial. O otimismo é sustentado pelo orçamento recorde do FGTS (R$ 144,5 bilhões), pela meta de 1 milhão de unidades do MCMV e pelo Reforma Casa Brasil. Em paralelo, o Programa Nacional de Qualidade do Material de Construção, lançado na FEICON, começa a rodar em abril com um aplicativo que permite ao lojista verificar conformidade de produtos na hora. Qualidade virou pauta de balcão, não só de indústria.

Notícias do Varejo

Sherwin-Williams conclui compra da Suvinil e cria o maior portfólio de tintas do Brasil

A Sherwin-Williams finalizou a aquisição da Suvinil Coatings, ex-Basf, por US$ 1,15 bilhão, aprovada pelo Cade sem restrições. O negócio inclui a marca Glasu! e duas fábricas (Jaboatão dos Guararapes/PE e São Bernardo do Campo/SP), com mil funcionários. As marcas seguem operando com identidade própria, mas sob gestão unificada. Na Haus Decor 2026, Suvinil e Sherwin-Williams aparecem juntas pela primeira vez no conceito "Vila das Cores". Para o lojista, o impacto é direto: um único grupo agora domina do segmento econômico ao premium, o que muda a negociação de tabela, bonificação e prazo de pagamento. Hora de remarcar a conversa com o representante.

Fonte: Revista Anamaco / CNN Brasil / Marcas Mais (abril/2026)

Abecip projeta financiamento imobiliário 16% maior em 2026 e R$ 180 bi via poupança

A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança estima que as concessões de crédito habitacional cresçam 16% neste ano, após alta de apenas 3% em 2025. As linhas com recursos da poupança (SBPE) devem atingir R$ 180 bilhões (+15%), o FGTS deve movimentar R$ 145 bilhões (+5%) e os recursos livres projetam salto de 66%, chegando a R$ 51 bilhões. O motor é a expectativa de queda da Selic no segundo semestre e a liberação do compulsório bancário, que já derruba taxas na ponta. Para o varejo, mais crédito na praça é mais reforma rodando, mais cliente com aprovação digital no celular e mais ticket médio em acabamento.

Fonte: Abecip / InfoMoney / Portas (abril/2026)

Programa Nacional de Qualidade do Material de Construção lança app e começa a rodar em abril

Lançado na FEICON 2026 pela Anamaco em parceria com Abramat e apoio ao PBQP-H do governo federal, o Programa Nacional de Conscientização pela Qualidade do Material de Construção estreia com um aplicativo dos Programas Setoriais da Qualidade (PSQs). O app permite ao lojista e ao consumidor verificar se o produto na prateleira está em conformidade com as normas técnicas. A iniciativa tem capilaridade nacional e atuação direta no varejo, com cronograma de expansão previsto para 2027. Para o gerente de loja, é ferramenta concreta: escanear, verificar e garantir que o produto vendido não vira passivo de garantia.

Fonte: Anamaco / Abramat / Hub Imobiliário (abril/2026)
Cenário Global e Regulatório

CBIC projeta PIB da construção em +2% para 2026 e destaca FGTS recorde de R$ 144,5 bi

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção revisou sua projeção e aposta em crescimento de 2% do PIB setorial em 2026, superando o PIB nacional estimado em 1,6% pelo Banco Mundial. Os vetores são o início do ciclo de corte de juros, o orçamento recorde do FGTS para habitação (R$ 144,5 bilhões) e a meta do MCMV de contratar 1 milhão de unidades neste ano e mais 1 milhão em 2027. Para o varejo, é confirmação de demanda sustentada: quem está dimensionando time, estoque e compras para um cenário de retração precisa recalibrar para expansão moderada.

Fonte: CBIC / CNN Brasil / Papo Imobiliário (abril/2026)

Focus eleva inflação para 4,36% em 2026 e debate sobre ritmo de corte da Selic se intensifica

O Relatório Focus divulgado pelo Banco Central nesta semana mostra que o mercado elevou a projeção do IPCA de 4,31% para 4,36% em 2026, chegando perto do teto da meta de 4,50%. A estimativa para a Selic no fim do ano permanece em 12,50%, com a Anbima projetando mesmo patamar. O PIB esperado é de 1,82%. O cenário de inflação resiliente limita o espaço para cortes agressivos e reforça a tese de que o juro de longo prazo cai devagar, mantendo a pressão sobre o custo do crediário e a importância do crédito direcionado (FGTS, MCMV, Reforma Casa Brasil) como canal principal de venda.

Fonte: Agência Brasil / Gazeta Mercantil / Anbima (abril/2026)

Dólar volta a R$ 5,00 após mínima da semana e mercado monitora volatilidade cambial

Depois de fechar abaixo de R$ 5 pela primeira vez em mais de dois anos na semana passada, o dólar comercial voltou ao patamar de R$ 5,00 nesta quarta-feira (16/04), oscilando entre R$ 4,985 e R$ 5,005. A volatilidade reflete incertezas sobre juros nos EUA e ruídos fiscais domésticos. Para o lojista, o recado é que a janela de compra de importados (ferramenta elétrica, revestimento, luminária LED) segue aberta, mas pode fechar rápido. Quem não renegociou tabela de compra na semana passada deve fazer hoje, antes que a cotação consolide acima de R$ 5,05.

Fonte: Gazeta Mercantil / Agência Brasil / Investing.com (abril/2026)
Cotações e Indicadores
Dólar Comercial
R$ 5,00
→ Oscilando entre R$ 4,98 e R$ 5,00
Voltou ao patamar de R$ 5 após ter furado para baixo na semana. Janela de importação ainda aberta, mas com volatilidade crescente. Renegocie tabelas com urgência.
Taxa Selic
14,75%
→ Copom decide em 28-29 de abril
Focus projeta 12,50% no fim do ano. Mercado dividido entre corte de 0,25 e 0,50 p.p. na próxima reunião. Cada corte reduz parcela de crediário e aumenta ticket de reforma.
Financiamento Imobiliário (projeção 2026)
R$ 180 bi
↓ Alta de 15% via SBPE (poupança)
Projeção Abecip. FGTS adiciona R$ 145 bi e recursos livres crescem 66%. Mais crédito rodando é mais cliente aprovado no balcão.
PIB Construção (projeção CBIC)
+2,0%
↓ Dobro do PIB nacional (1,6%)
Setor cresce acima da economia geral pelo segundo ano. Base: FGTS recorde, MCMV 1 milhão de unidades e Reforma Casa Brasil.
IPCA (projeção 2026, Focus)
4,36%
↑ Subiu de 4,31%; perto do teto da meta (4,50%)
Inflação resiliente limita corte agressivo de juros e pressiona custos de reposição. Disciplina de precificação continua essencial na loja.
Aço CA-50 3/8" (10mm), barra 12m
R$ 55-58
↑ Retomada de alta após deflação de 9,57% em 12 meses
Referência ArcelorMittal/Gerdau. Preço regional varia: SC a R$ 57,90, MG entre R$ 52 e R$ 56. Alta de 3,56% nos últimos 3 meses sinaliza novo ciclo de reajustes.
O Que Fazer Agora
1
Ligue para o representante Suvinil/Sherwin-Williams hoje. A fusão muda a dinâmica de tabela, bonificação, prazo e mix. Pergunte: o que muda na minha condição comercial? A tabela de preços unificou? Existe nova política de bonificação por volume? Quem negocia primeiro, leva vantagem na transição.
2
Baixe o aplicativo PSQ da Anamaco e teste na sua prateleira. O app permite verificar se cada produto atende às normas do PBQP-H. Faça uma varredura nas 10 categorias de maior giro (cimento, argamassa, tubo PVC, fio elétrico, tinta, cerâmica) e identifique qualquer item sem conformidade antes que o programa ganhe escala e o consumidor descubra primeiro.
3
Prepare o balcão para o boom de crédito imobiliário. Com financiamento projetado em +16%, monte uma cartilha simples para o vendedor: quais as faixas do MCMV, como funciona o Reforma Casa Brasil, o que é home equity. O cliente que entra com crédito aprovado no celular quer comprar rápido — o vendedor que orienta fecha.
4
Revise compra de importados antes que o dólar consolide acima de R$ 5,05. A janela de câmbio favorável está oscilando. Se há pedido pendente de ferramenta elétrica, luminária LED ou revestimento importado, feche nesta sexta. Dólar a R$ 5,00 ainda é melhor que os R$ 5,40 de três meses atrás.
5
Atualize a projeção de vendas para cenário de PIB construção +2%. A CBIC elevou a régua. Se o plano de compras do segundo trimestre foi feito para cenário estável, reavalie: volume de tinta, argamassa, acabamento e material elétrico pode precisar de reforço para não faltar na prateleira quando a demanda chegar.
Dica do Dia
Para o gerente de loja

Use a fusão Sherwin-Williams + Suvinil como evento de gôndola

Quando duas marcas gigantes se juntam, o consumidor percebe e quer entender o que muda. Monte um painel na seção de tintas com as duas logos lado a lado e a frase: "Agora juntas, com o mesmo padrão de qualidade que você já conhece." Treine o vendedor para explicar em uma frase: "A Suvinil agora faz parte do grupo Sherwin-Williams, o maior do mundo em tintas. O que muda para você? Mais opções de cor, mesma qualidade, mesmo preço." Ancoragem em fato real gera confiança e empurra a venda de tinta premium no embalo da novidade.