Construai
Newsletter do CEO
Inteligência de Mercado, Rede Construai
Quarta-feira, 15 de abril de 2026
Rodolfo Norberto

Rodolfo Norberto

CEO, Rede Construai

Bom dia, pessoal. O IBGE confirmou hoje o que o ticket médio das nossas lojas vinha sugerindo: material de construção cresceu 5,2% em 12 meses e 0,6% só em março, terceira alta mensal seguida. Não é mais retomada, é ciclo girando. Quem girar primeiro, leva. Hoje é dia de olhar estoque, pessoas e preço com a cabeça de mercado em expansão, não mais de ajuste.

Panorama do Dia

O principal dado do dia vem do IBGE. A Pesquisa Mensal do Comércio mostrou que material de construção avançou 0,6% em março frente a fevereiro e 5,2% na comparação anual. O varejo ampliado, que inclui a categoria, subiu 1,9% no mês, o maior patamar da série iniciada em 2000. É a terceira alta mensal seguida. O ciclo virou.

No câmbio, o dólar segue em queda e opera perto de R$ 4,99, menor nível desde abril de 2024. O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos e o alívio geopolítico puxam a moeda para baixo. Para o varejista, abre-se uma janela curta para repor importados (ferramentas, revestimentos chineses, acessórios elétricos) sem comprometer capital de giro com estoque dolarizado em excesso.

A regulação também entrou no radar. O Split Payment começa em 2026 em regime de teste, com alíquotas simbólicas de 0,9% CBS e 0,1% IBS, mas já retendo o tributo no momento da transação. Em paralelo, a concorrência se movimenta: a Obramax, do grupo Leroy Merlin, abriu a primeira loja dentro de shopping no país e acelera a meta de 30 unidades até o final de 2026.

Notícias do Varejo

Material de construção sobe 5,2% em 12 meses e varejo ampliado bate recorde da série histórica

Dado novo do IBGE divulgado esta semana: material de construção avançou 0,6% em março frente a fevereiro e 5,2% em 12 meses, na terceira alta mensal consecutiva. O varejo ampliado (que inclui a categoria) cresceu 1,9% no mês e alcançou o maior patamar da série iniciada em 2000. Para o lojista, é o sinal macro mais claro de virada de ciclo desde 2022 e hora de revisitar projeção de vendas e plano de compras do segundo trimestre.

Fonte: Agência Gov / IBGE, Pesquisa Mensal do Comércio (abril/2026)

Obramax inaugura primeira loja em shopping (Aricanduva) e acelera meta de 30 unidades até 2026

A bandeira de atacarejo do grupo Leroy Merlin abriu operação de 22 mil m² com mais de 15 mil itens à pronta entrega no Shopping Interlar Aricanduva, em São Paulo. É a primeira unidade da rede em shopping no país, sinalizando teste de formato urbano fora do greenfield tradicional de galpão. A Obramax já opera em nove estados e investe R$ 1,6 bilhão em expansão física. Para a Construai, recado é duplo: o atacarejo não é mais só preço baixo, virou também conveniência, e a loja em corredor de alto fluxo precisa rever mix e experiência.

Fonte: Mercado&Consumo (13/04/2026)

Anamaco reforça na FEICON que setor vive "ajuste com força" e prevê novo ciclo em 2026

A associação nacional do varejo de material de construção voltou a defender que o primeiro trimestre foi de ajuste, mas o ambiente é de retomada, com expectativa de aumento em vendas e consumo no restante do ano. O seminário "Competitividade no Varejo da Construção", promovido com a Abramat na FEICON 2026, discutiu qualidade, tributos e produtividade do setor. Para o lojista, a leitura da entidade é positiva, mas exige disciplina de margem, custo e giro enquanto o mercado acelera.

Fonte: Anamaco (abril/2026)
Cenário Global e Regulatório

Split Payment começa em 2026 com teste simbólico e já exige reorganização do fluxo de caixa

A reforma tributária entra em vigor em 2026 no regime de Split Payment: o tributo é retido no momento da transação, não mais recolhido depois. As alíquotas iniciais são simbólicas (0,9% CBS e 0,1% IBS), mas o modelo já é o definitivo. Para uma rede com prazo médio de pagamento a fornecedor maior que o recebimento do cliente, isso aperta capital de giro. É hora de alinhar ERP, conciliação bancária e linhas de crédito de curto prazo antes de o regime definitivo entrar em 2027.

Fonte: Portal Contábeis / PLP 68/2024 (abril/2026)

Dólar abaixo de R$ 5 abre janela para repor importado, mas cuidado com estoque dolarizado

O dólar comercial opera próximo de R$ 4,99, menor patamar desde abril de 2024. Diferencial de juros Brasil-EUA, exportações de commodities e alívio geopolítico pressionam a moeda para baixo. Tradução para o varejo: boa janela para importar ferramenta elétrica, acessórios, iluminação e revestimento asiático, mas evitar encher estoque de insumo dolarizado que pode desvalorizar se a queda continuar. Hora de comprar em volume ajustado, não em posição.

Fonte: Investing.com / Cepea (abril/2026)

Home equity consolida em 2026 como alternativa de crédito para reforma de médio porte

O crédito com garantia de imóvel fechou o primeiro trimestre como uma das principais alternativas para o cliente que quer fazer reforma de R$ 30 mil a R$ 300 mil sem comprometer o cartão. Com taxas a partir de 0,99% ao mês e prazos de até 20 anos, é significativamente mais barato que o rotativo e o cheque especial. Para o varejo, há oportunidade de fechar parceria com fintechs (Creditas, C6, Larya) e oferecer pré-aprovação na própria loja, capturando o cliente antes da decisão de compra.

Fonte: C6 Bank / Creditas / Quinto Andar (abril/2026)
Cotações e Indicadores
Dólar Comercial
R$ 4,99
↓ Menor patamar desde abril/2024
Queda sustentada favorece importação, mas exige disciplina na compra para evitar estoque dolarizado excessivo em moeda em trajetória de queda.
Taxa Selic
14,75%
→ Copom sinaliza pausa; Focus vê 12,50% no fim do ano
Juros caem, mas devagar. O crédito direcionado (Reforma Casa Brasil, home equity) ainda é o caminho curto para destravar venda de reforma.
INCC-M (12 meses)
5,81%
↑ 0,36% em março, acima da prévia do IPCA
Custo da obra segue acima da inflação geral. Sensibilidade a preço por SKU aumentou; revise tabela item a item, não por categoria.
SINAPI (custo por m²)
R$ 1.925,08
↑ 0,23% em fevereiro; 6,71% em 12 meses
Materiais respondem por R$ 1.085,16 e mão de obra por R$ 839,92 do custo por m² nacional. Base oficial para balizar conversa com construtora e empreiteiro.
Varejo Material Construção (12m)
+5,2%
↓ Cor verde = crescimento; 3ª alta mensal seguida
Dado oficial do IBGE confirma virada de ciclo na categoria. Mercado em expansão pede revisão de dimensionamento de estoque e equipe.
Home Equity (taxa mín.)
0,99% a.m.
→ LTV de até 60% do imóvel; prazos até 20 anos
Alternativa relevante para reforma de médio porte. Fintechs processam em menos de 15 dias e permitem pré-aprovação no balcão da loja.
O Que Fazer Agora
1
Revise projeção de vendas do 2º trimestre hoje. Com o IBGE confirmando +5,2% em 12 meses e terceira alta mensal seguida, o plano feito em janeiro (cenário de ajuste) já está desatualizado. Convoque o gerente regional e ajuste meta, compras e escala de vendedores para um mercado em expansão.
2
Use a janela do dólar a R$ 4,99 para importado, com disciplina. Comprar volume pontual de ferramenta elétrica, acessório hidráulico e revestimento asiático faz sentido. Encher estoque de insumo dolarizado em 6 meses de giro, não faz. Oriente o comprador a pensar em janela, não em posição.
3
Convoque o ERP e o financeiro sobre Split Payment. 2026 é teste, mas 2027 é pra valer. Levante hoje: prazo médio de pagamento a fornecedor, prazo médio de recebimento, necessidade de capital de giro adicional. Se o delta for maior que 15 dias, negocie linha de crédito de curto prazo agora, com taxa antes da corrida do mercado.
4
Abra parceria com uma fintech de home equity em até duas semanas. Home equity consolidou como o crédito de reforma de médio porte. Ter pré-aprovação no balcão captura o cliente antes da Leroy, antes do Obramax. Reuniões com Creditas, C6 e Larya devem sair da lista de intenção e entrar na agenda desta semana.
5
Estude a loja Obramax do Aricanduva e traga aprendizados para a rede. 22 mil m², 15 mil itens, formato shopping. Pedir ao time de operação um relatório até sexta-feira: mix de produto, sinalização, caixa, tempo médio de atendimento e ticket médio observado. O concorrente está testando conveniência urbana, precisamos entender antes de reagir.
Dica do Dia
Para o gerente de loja

Pergunte à sua equipe: "Nossa prateleira está pronta pra um mercado em expansão?"

Em mercado de ajuste, a prateleira é enxuta, o vendedor empurra o que tem estoque e o caixa aceita ticket menor pra não perder a venda. Em mercado em expansão, é o contrário: a prateleira precisa ser completa, o vendedor sobe o ticket com complemento e o caixa fecha venda casada. O dado do IBGE virou o jogo. Se o cliente entra na loja e não encontra a linha completa de acabamento, ele vai pra próxima. Amanhã, se possível, faça uma varredura das 20 SKUs mais vendidas e garanta que todas estejam em estoque e com preço na prateleira.